A revelação e a obra de Deus através dos séculos

001 – A Bíblia é o fundamento da verdade

"Examinais as Escrituras, porque vós cuidais ter nelas a vida eterna, e são elas que de mim testificam." (Jo 5.39)

Não há como ler a Bíblia sem perceber que é um livro singular. Já no seu primeiro verso declara a presença de um personagem que não é usual em outro tipo de literatura: Deus, que se apresenta como Criador dos céus e da terra. Obviamente o primeiro versículo causa certo desconforto na mente natural, principalmente daqueles que advogam que o universo surgiu em decorrência de um processo de evolução, não como fruto da obra do Criador. Também a Bíblia não traria nenhum interesse a quem tenha por foco tão somente esta existência, sem nenhuma perspectiva de vida vindoura. Seria possível incluir nesta categoria aqueles que estão seguros que a salvação se alcança mediante boas obras, um sistema de pontuação que pesa atos bons e maus. Se nesta balança os atos bons prevalecerem, é suficiente para se garantir qualquer que seja a situação vindoura. Os que simplesmente negam a existência de Deus não tem motivo algum para fazer a leitura da Bíblia, senão para buscar suas inconsistências a fim de provar que religião é coisa de gente primitiva. Há também os que se interessam em conhecer o conteúdo deste livro, contudo se sente desmotivado com a multiplicidade de interpretações, crendo ser impossível ter certeza do seu conteúdo. Tem os que se afastam dela por simples preconceito, afinal, na perspectiva destes, religião e política não deve ser objeto de discussão. O fato é que há uma tão grande variedade de razões para justificar que não se deva ler a Bíblia que seria praticamente impossível catalogar todas elas.

Diante de tão variadas razões é de se perguntar porque alguém continuaria lendo a Bíblia? Lembro-me quando pequeno, entrara na biblioteca de meu pai e puxara um livro da estante. Li seu nome e o devolvi no seu lugar, contudo o nome ficou em minha mente, era algo como “Filosofia de Vida”. Enquanto me retirava daquele local, pensei comigo: se há uma filosofia de vida, então deve haver princípios regulamentadores por meio dos quais podemos construir nossa existência. Algum tempo depois alguém me disse: a Bíblia é a palavra de Deus, seu conteúdo é a verdade. Então associei as duas coisas: há uma filosofia por meio da qual podemos edificar nossa vida e esta se encontra na Bíblia, porquanto verdade é uma proposição digna de fé, irrefutável. A lógica prosseguia: se Deus é o autor da Bíblia, então a verdade que advém dela é perfeita. Uma coisa sei, se esta foi a razão que me levou a buscar conhecer a Bíblia, existe muitas outras, configuradas na vida de cada um, que faz este desejo ser uma busca sincera da vontade de Deus. Este já é um toque inicial do Espírito Santo, abrindo caminho no meio do emaranhado de coisas que possam estar atuando como empecilho para o conhecimento da palavra de Deus.

Na época do ministério terreno de Jesus Cristo uma das questões que faziam os judeus estudarem o Antigo Testamento era saber como alcançar a vida eterna. Por exemplo, um jovem rico aproximou-se de Jesus, ajoelhou-se diante dele e perguntou: “Bom Mestre, que farei para herdar a vida eterna?” (Mc 10.17). Quem sabe não seja esta a questão que o motive estudar a Bíblia, poderia ser qualquer outra, seja qual for, mesmo não tendo toda consciência de sua verdadeira motivação, você já possui dentro de si o toque primário da parte de Deus para lhe conduzir ao conhecimento da vontade dEle. Então convêm conhecer algumas coisas preliminares acerca das Escrituras. 

A Bíblia é composta por sessenta e seis livros, sendo trinta e nove no Antigo Testamento e vinte e sete no Novo Testamento. Os cinco primeiros livros da Bíblia foram escritos por Moisés, sendo eles Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio, este conjunto é denominado Pentateuco. Ele é seguido pelos livros históricos de Josué, Juízes, Rute, I e II Samuel, I e II Reis, I e II Crônicas, Esdras, Neemias e Ester. Em seguida temos os livros poéticos de Jó, Salmos, Provérbios, Eclesiastes e Cantares de Salomão. Depois temos os livros dos profetas, maiores e menores. Os profetas maiores são Isaias, Jeremias, Lamentações de Jeremias, Ezequiel e Daniel. Os profetas menores, em número de doze, são Oséias, Joel, Amós, Obadias, Jonas, Miquéias, Naum, Habacuque, Sofonias, Ageu, Zacarias e Malaquias.

O primeiro grupo de livros do Novo Testamento são os evangelhos, sendo eles Mateus, Marcos, Lucas e João, seguindo pelo livro histórico chamado Atos dos Apóstolos. Em seguida temos as cartas, estas divididas em dois grupos: as escritas pelo apóstolo Paulo e as demais enquadradas no grupo de cartas gerais. Paulo escreveu treze cartas: Romanos, I e II Coríntios, Gálatas, Efésios, Filipenses, Colossenses, I e II Tessalonicenses, I e II Timóteo, Tito e Filemom. No grupo das cartas gerais temos Hebreus, cujo autor é desconhecido, Tiago, I e II Pedro, I, II e III João e Judas. O Novo Testamento encerra com o livro de natureza escatológica chamado Apocalipse de João. A Bíblia como um todo foi escrita por mais de 40 autores em um espaço de aproximadamente quatro mil anos, sendo o único autor não judeu o médico Lucas. A razão porque tantos autores diferentes mantiveram entre si perfeita sintonia é que todos eles foram inspirados e supervisionados pelo Espírito de Deus, como podemos ler:

“porque a profecia nunca foi produzida por vontade de homem algum, mas os homens santos de Deus falaram inspirados pelo Espírito Santo” (II Pd 1.21)

É por ter esta inspiração e supervisão do próprio Deus que faz da Bíblia um livro único. Seus registros históricos são precisos e têm sido comprovados, por exemplo, pela arqueologia, demonstrando a exatidão dos lugares, das culturas, dos nomes e das datas. Há um versículo que reflete bem seu conteúdo: “Para sempre, ó SENHOR, a tua palavra permanece no céu” (Sl 119.89). Por este texto podemos deduzir que a Bíblia é um arquivo eterno de todos os fatos pertinentes ao relacionamento de Deus com a humanidade, retratando de modo fidedigno e perfeito os desígnios de Deus, e que devam ser conhecidos por toda a eternidade. Assim podemos dizer que a Bíblia é inerrante e infalível, porquanto não é um apanhado de ideias humanas, mas a própria palavra de Deus. É neste sentido que o próprio Senhor Jesus afirmou acerca da Bíblia: “Passará o céu e a terra, mas as minhas palavras não passarão” (Mc 13.31).

O Antigo Testamento foi escrito originalmente em hebraico, com alguns textos em aramaico, e o Novo Testamento no grego. A comprovação de que hoje temos, nas línguas originais, o mesmo conteúdo de seu texto original pode ser verificado pela comparação de diferentes pergaminhos datados em diversos períodos da historia. O estudo comparativo entre eles demonstra que a divergência de redação não ultrapassa a dois por cento e, tais diferenças não afetam de modo algum o conteúdo como um todo. Segundo a tradição os massoretas, escribas judeus responsáveis pela transmissão do Antigo Testamento de geração em geração, após escrever uma linha do texto, faziam uma série de verificações para atestar sua precisão, entre elas o de contar o número de palavras para nenhuma lhes faltar.

A Bíblia responde as questões essenciais e vitais de nossa existência e demonstra que Deus tem prazer em se revelar e se comunicar conosco. É neste sentido que escreveu o apóstolo Paulo: “Toda Escritura divinamente inspirada é proveitosa para ensinar, para redarguir, para corrigir, para instruir em justiça, para que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente instruído para toda boa obra” (II Tm 3.16,17). Acerca de Sua autoridade e poder no trato do homem, lemos em outro lugar: “Porque a palavra de Deus é viva, e eficaz, e mais penetrante do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até à divisão da alma, e do espírito, e das juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e intenções do coração”. (Hb 4.12).

O Senhor escolheu o povo judeu para ser Seu porta voz e depositário desta palavra, declarando esta intenção nos seguintes termos: “Vós sois as minhas testemunhas, diz o SENHOR, e o meu servo, a quem escolhi; para que o saibas, e me creiais, e entendais que eu sou o mesmo, e que antes de mim deus nenhum se formou, e depois de mim nenhum haverá” (Is 43.10). Assim, Deus, no exercício de Sua soberania, transformou Israel no Seu megafone para anunciar quem Ele é e qual Seu bendito propósito para o homem. Foi por isso que o Senhor Jesus declarou: “… a salvação vem dos judeus” (Jo 4.22).

Este plano de salvação foi-nos apresentado assentado em eventos históricos concretos, como foi o caso da própria criação dos céus e da terra. Assim, para entendermos com propriedade o conteúdo da Bíblia, convêm que nos pautemos pelo seu estudo cronológico para extrair dele a doutrina da salvação, pois enquanto a história foi acontecendo, Deus se revelou, nos fazendo conhecer Seu bendito caráter, bem como Suas obras . Alguém pode perguntar: de que salvação trata a Bíblia e porque ela é necessária? Por hora basta apontar a sequencia básica da história: no primeiro ato Deus, de conformidade com Sua vontade, criou os céus e a terra em perfeito equilíbrio. Por ter criado o homem com livre arbítrio, este, usando desta faculdade, rebelou-se contra Deus causando a quebra deste equilíbrio, deixando toda a criação sujeita à vaidade. Deus não ficou impotente diante da queda, antes proveu um meio pelo qual o homem pudesse ser restabelecido à Sua bendita comunhão. A este meio se dá o nome de salvação, que é tirar o homem do seu estado caído, provendo-lhe vida eterna.

A salvação corresponde a um só ato que se desdobra em três etapas: justificação, santificação e glorificação. O ato está circunscrito à crucificação de Jesus Cristo e seu desdobramento configura a justificação, que é a salvação sob a perspectiva judicial, livrando o perdido da pena do pecado; a santificação, que faz o crente ser livre do poder do pecado, aplicando os benefícios da salvação no seu dia a dia; e glorificação, que se realizará na consumação de todas as coisas, instrumentalizando o crente para viver a eternidade completamente livre da presença do pecado. O desenvolvimento deste conteúdo será o objeto dos próximos textos.

http://cezarazevedo.com.br/002-pela-biblia-conhecemos-deus/

pensador

    http://cezarazevedo.com.br/plano-de-salvacao-por-pergunta/

    http://cezarazevedo.com.br/estudo-para-novo-convertido-0110/

    http://cezarazevedo.com.br/estudo-para-batismo-0110/

    http://cezarazevedo.com.br/ministracao-para-libertacao-interior-e-perdao/

“Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus nosso Senhor.” (Rm 6:23)

Leave a Comment