A revelação e a obra de Deus através dos séculos

002 – Pela Bíblia conhecemos Deus

No princípio, criou Deus os céus e a terra. (Gn 1.1)

Se toda a Bíblia se restringisse a este versículo, a verdade expressa por ele já seria, por si só, profundamente impactante. Ela nos revela que há um Deus cuja habitação se encontra em lugar totalmente inacessível para nós, os humanos, porquanto não é nos céus, nem na terra, a habitação de Deus transcende e está fora do universo, portanto muito além da nossa imaginação. O primeiro versículo da Bíblia demonstra que os céus e a terra vieram existir a partir do nada, porquanto não é mencionado coisa alguma antes deles senão a existência do próprio Deus. Se lermos o verbo “criou” no hebraico teremos este entendimento fortalecido por causa do seu significado. Em hebraico esta palavra se translitera por “bará” e expressa o sentido de algo vindo do nada. Este versículo declara também que toda criação é marcada pela passagem do tempo. Extraímos este entendimento a partir do termo “princípio”. Por contraposição, Deus está acima, além e fora destes limites, portanto Deus é eterno por Sua própria natureza. 

Este texto afirma categoricamente que não somos frutos do acaso, antes fomos projetados por Deus visando um fim extremamente elevado. Se hoje convivemos com a violência e o desequilíbrio ecológico, então inferimos que aprouve a Deus, o Criador, conceder às suas criaturas o livre arbítrio, senão o mundo jamais chegaria a esta condição. Pode ser que, a luz do conhecimento que temos de Deus, não conseguimos conciliar a perfeição de Suas obras com a proposição do livre arbítrio humano. Por outro lado, se sabemos que não há impossível para Deus, então podemos inferir que, mesmo havendo hoje desequilíbrio que afetou a perfeição da criação, ainda assim Deus tem como restaurar todas as coisas e o está fazendo nos Seus próprios termos. E por que podemos afirmar que há esperança para o universo? Porquanto Deus criou os céus e a terra, quem é capaz de criar uma vez, pode repeti-lo tantas vezes quanto entender conveniente. Não é sem razão que podemos ler no último livro da Bíblia, o Apocalipse: “E vi um novo céu e uma nova terra. Porque já o primeiro céu e a primeira terra passaram, e o mar já não existe” (Ap 21.1)

Temos dificuldade de percebemos toda a riqueza do primeiro verso da Bíblia porque o orgulho nos impede de vermos nossa própria insignificância. Se aplicássemos um pouco só de lógica, haveríamos de entender outra verdade profunda deste verso inicial: se os céus e a terra teve um princípio e ele foi dado pelo próprio Deus, então só há uma maneira de termos conhecimento como este princípio se processou: se o próprio Deus no-lo revelar. E este é o âmago das Escrituras: aprouve a Deus Ele próprio se revelar ao homem. Para compreendermos a Bíblia precisamos nos curvar diante da sabedoria divina. Foi o que Jó fez depois de ouvir as seguintes perguntas:

“Quem é este que escurece o conselho com palavras sem conhecimento? Agora cinge os teus lombos como homem; e perguntar-te-ei, e, tu, responde-me. Onde estavas tu quando eu fundava a terra? Faze-mo saber, se tens inteligência. Quem lhe pôs as medidas, se tu o sabes? Ou quem estendeu sobre ela o cordel?” (Jó 38.2-5)

Deus faz-nos lembrar, por meio destas perguntas, um fato elementar: o homem, como nós o conhecemos, tem seis mil anos sobre a face da terra, o universo tem por volta de 15 bilhões de anos. Diante desta dimensão temporal, como podemos questionar o poder criativo de Deus? Como podemos, por nossos próprios recursos e inteligência, determinar como foi o instante inicial da criação? Nós, na verdade, tínhamos de sentar como um aluno diante de Deus a exemplo da própria sabedoria. Leia por você mesmo:

“Desde a eternidade, fui ungida; desde o princípio, antes do começo da terra. Antes de haver abismos, fui gerada; e antes ainda de haver fontes carregadas de águas. Antes que os montes fossem firmados, antes dos outeiros, eu fui gerada. Ainda ele não tinha feito a terra, nem os campos, nem sequer o princípio do pó do mundo. Quando ele preparava os céus, aí estava eu; quando compassava ao redor a face do abismo; quando firmava as nuvens de cima, quando fortificava as fontes do abismo; quando punha ao mar o seu termo, para que as águas não trespassassem o seu mando; quando compunha os fundamentos da terra, então, eu estava com ele e era seu aluno; e era cada dia as suas delícias, folgando perante ele em todo o tempo, folgando no seu mundo habitável e achando as minhas delícias com os filhos dos homens.” (Pv 8.23-31)

Se a própria sabedoria se portou como aluno, qual não deveria ser nossa atitude diante da Bíblia? No estudo de qualquer texto muitas questões se levantam e temos a necessidade de suprir nossa inteligência com sentido e lógica, todavia precisamos entender que Deus não nos faz crer cegamente nas Suas benditas verdades, antes Ele próprio declarou que o conhecimento nos traz libertação (Jo 8.32). Na verdade há na Bíblia muito mais informações do que nosso preconceito nos permite perceber, todavia como não nos dispomos a gastar tempo para meditar na revelação dada por Deus, perdemos de sanar nossas dúvidas mediante o conhecimento que o próprio Deus já nos proveu.

O maior objetivo da Bíblia é nos fazer conhecer Deus. Aliás, o próprio conceito da vida eterna envolve este conhecimento, pois está escrito: “E a vida eterna é esta: que conheçam a ti só por único Deus verdadeiro e a Jesus Cristo, a quem enviaste” (Jo 17.3). Entendamos uma coisa básica: o universo tem quinze bilhões de ano, nós vivemos oitenta míseros anos. Digamos que nos fosse dado conhecer tudo que se passou neste período pretérito na seguinte proporção: teríamos mil anos de vida para cada bilhão de anos conhecidos, por esta regra nós ainda precisaríamos esticar nossa vida em quinze milhões de anos para conhecer os quinze bilhões de história. Por outro lado Deus não é como nós, Sua existência transcende este tempo, porquanto está escrito: “Antes que os montes nascessem, ou que tu formasses a terra e o mundo, sim, de eternidade a eternidade, tu és Deus” (Sl 90.2). Jamais houve um tempo que Deus não existisse, ademais Ele permanece como é para sempre. Como vimos que a vida eterna é conhecer Deus, o Pai e Seu Filho, implicitamente estamos admitido que Jesus Cristo é Deus, porquanto acerca dele se diz: “Jesus Cristo é o mesmo ontem, e hoje, e eternamente” (Hb 13.8).

Antes que alguém faça menção da incoerência da declaração que Jesus Cristo é Deus, precisamos deixar claro esta verdade: só há um Deus como já pudemos ler na proclamação do testemunho que Israel haveria de dar acerca de Deus: “Vós sois as minhas testemunhas, diz o SENHOR, e o meu servo, a quem escolhi; para que o saibas, e me creiais, e entendais que eu sou o mesmo, e que antes de mim deus nenhum se formou, e depois de mim nenhum haverá” (Is 43.10). Observe que Deus existe em estado de eternidade permanente, não há princípio para Ele o que Lhe permite afirmar nunca ter havido nada formado antes dEle, também não Lhe é dado um fim, porque após Ele jamais outro deus haverá. Por outro lado vimos também que aprouve a Deus se revelar por meio da Bíblia, fazendo íntima conexão entre o conhecimento que podemos ter acerca de Deus e a eternidade que haverá de ser descortinada a todo aquele que crê em Deus nos termos de Deus. Voltemos, portanto, à leitura do texto inicial da Bíblia: “No princípio, criou Deus os céus e a terra” (Gn 1.1) . No português lemos “Deus”, em hebraico, a língua original, está escrito que o nome de Deus é “Elohim”.

Contido neste nome hebraico “Elohim” temos um dos maiores mistérios da revelação divina. “Elohim” é uma palavra plural com significado singular. Este nome hebraico reafirma haver um só Deus – seu significado singular, todavia faz alusão que este mesmo Deus coexiste em três Pessoas – palavra plural. Por agora faremos a afirmação da revelação cabal das Escrituras, no curso dos textos haveremos de apresentar este mesmo conhecimento em forma mais ordenada e fundamentada. Primeiro a Bíblia revela que só há um único Deus, como está escrito: “Ouve, Israel, o SENHOR, nosso Deus, é o único SENHOR” (Dt 6.4), todavia em Deus coexiste três Pessoas: O Pai, o Verbo e o Espírito Santo.

No que diz respeito à correlação entre o Pai e o Verbo, lemos: “No princípio, era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus” (Jo 1.1). Nesta afirmação do apóstolo João ficamos sabendo que o Verbo é Deus, todavia habita conjuntamente com Deus, portanto temos revelado a existência de duas Pessoas em Deus. Mais adiante o apóstolo revela que este Verbo é o próprio Jesus Cristo como se lê: “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do Unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade” (Jo 1.14). Resumindo, o Verbo, que é o próprio Jesus Cristo é Deus e coexiste com Deus, como há um só Deus, concluímos que ambos são um mesmo Deus, ainda que duas Pessoas distintas.

Acerca do Espírito Santo, se avançarmos a leitura do segundo verso da Bíblia, encontramos a seguinte passagem: “… e o Espírito de Deus se movia sobre a face das águas” (Gn 1.2). Neste texto encontramos a terceira Pessoa da Trindade. Como vimos antes que Jesus Cristo é Deus e coexiste com Deus, leiamos Sua declaração acerca do Espírito Santo, reforçando a existência desta terceira Pessoa: “E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, para que fique convosco para sempre” (Jo 14.16). Assim em Deus temos a Trindade composta por três Pessoas formadas por uma mesma essência, um mistério, o maior de todos das Escrituras.

Para compreendermos a existência da Trindade, façamos a seguinte análise. Deus possui atributos que Lhes são inerentes: é onisciente, tudo conhece; onipotente, tudo sabe; onipresente, está em todos os lugares. Deus não tem carne e osso, é Espírito (Jo 4.24) e Deus é amor (I Jo 4.8). Tudo quanto aqui foi afirmado acerca de Deus, era como é e sempre será por todo sempre, isto quer dizer que, antes de qualquer coisa ter sido criada, estes atributos já existiam em Deus. Voltemo-nos no tempo, para antes da criação. Ali nada havia senão Deus e Deus é amor. Em sendo amor, na própria concepção deste termo, implica que Deus tem relacionamento consigo mesmo, pois amor é uma forma de interação entre Pessoas. Se Deus fosse uma única Pessoa, não haveria como Ele amar a Si mesmo, amor não faria sentido como atributo divino. Por consequência, Deus em Si mesmo precisa se auto relacionar. Como Deus nada tem falta em Si mesmo, e ainda assim Deus é amor, para que seja completo em Si mesmo, é preciso que Ele tenha dentro de Si a quem manifestar Seu eterno amor. Nestes termos temos a revelação da Trindade.

Na Trindade o Pai ama o Filho e Filho ama o Pai, de sorte que o amor se expressa de um para o outro em fluxo incessante e eterno. Ocorre que o Filho é o unigênito do Pai (Jo 1.14), isto é, o único gerado no sentido em que o foi gearado, como nunca houve um tempo que Deus não fosse Deus, temos então uma eterna geração, um termo muito pobre em nossa linguagem para expressar quem Jesus Cristo é, o próprio Deus. Ocorre que fora de Deus não há outro Deus (Is 43.10), portanto para que haja esta eterna geração é preciso a presença de uma terceira Pessoa, o Espírito Santo de modo que haja eterna conexão entre o Pai e o Filho. É por esta razão que lemos: “… Espírito da verdade, que procede do Pai…” (Jo 15.26), assim o mover do amor do Pai para o Filho e do Filho para o Pai flui através do Espírito Santo em movimento incessante e eterno. É por ser este mover eterno e inerente a Trindade que lemos: “… o amor de Deus está derramado em nosso coração pelo Espírito Santo que nos foi dado” (Rm 5.5). Com isso concluímos que o mistério da Trindade traz consigo a própria gênesis da criação, porquanto todo o universo foi criado para expressar o grande amor de Deus. 

http://cezarazevedo.com.br/001-a-biblia-e-o-fundamento-da-verdade/

pensador

    http://cezarazevedo.com.br/plano-de-salvacao-por-pergunta/

    http://cezarazevedo.com.br/estudo-para-novo-convertido-0110/

    http://cezarazevedo.com.br/estudo-para-batismo-0110/

    http://cezarazevedo.com.br/ministracao-para-libertacao-interior-e-perdao/

“Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus nosso Senhor.” (Rm 6:23)

Leave a Comment