A mensagem de I João

01 A mensagem de I João

E esta é a mensagem que dele ouvimos, e vos anunciamos: que Deus é luz, e nele não há trevas nenhumas. Se dissermos que temos comunhão com ele, e andarmos nas trevas, mentimos, e não praticamos a verdade”

“Se dissermos que não temos pecado nenhum, enganamo-nos a nós mesmos, e a verdade não está em nós.” (I Jo 1:5,6,8)

No deserto, seguindo a jornada com Israel, nós aprendemos uma valiosíssima lição acerca do alimento dado por Deus. Vamos ler como Deus alimentou o Seu povo:

“Quando desapareceu a camada de orvalho, eis que sobre a superfície do deserto estava uma coisa miúda, semelhante a escamas, coisa miúda como a geada sobre a terra. E, vendo-a os filhos de Israel, disseram uns aos outros:

Que é isto?

porque não sabiam o que era. Então lhes disse Moisés:

Este é o pão que o Senhor vos deu para comer. Isto é o que o Senhor ordenou: Colhei dele cada um conforme o que pode comer; um gômer para cada cabeça, segundo o número de pessoas; cada um tomará para os que se acharem na sua tenda.

Assim o fizeram os filhos de Israel; e colheram uns mais e outros menos.” (Ex 16:14-17)

O povo saiu a colher o alimento, mas logo tiveram problemas porque não contente com a porção diária, mesmo podendo comer o quanto quisessem, colheram ainda mais para o dia seguinte. Contudo na manhã seguinte o maná colhido no dia anterior cheirava mal e criara bichos, o que trouxe grande indignação de Moisés, pois tal atitude só era permitida na sexta feira, quando reservavam alimentos para o sábado do Senhor, dia este que dedicavam exclusivamente à adoração a Deus (Ex 16:20). Este evento nos ensina um princípio importante no aprendizado da palavra de Deus: acumulo de conhecimento não significa, necessariamente, que estejamos aprendendo do Senhor. Isto porque quando o conhecimento não é acompanhado por obediência podemos incorrer no que está escrito: “sempre aprendendo, mas nunca podendo chegar ao pleno conhecimento da verdade” (II Tm 3:7).

Voltando-nos para a primeira epístola de João, vamos nos restringir no texto para entendermos a mensagem do apóstolo João para nós. Ainda que a Bíblia como um todo foi inspirada pelo mesmo Espírito Santo, cada autor em cada livro em particular, procurou alcançar um objetivo ao escrever. É em busca deste objetivo que vamos meditar na primeira epístola do apóstolo João. Faremos uma exceção a duas promessas ouvidas pelo apóstolo João que contextualiza sua epístola. A primeira promessa que fazemos referência que João ouvira do Senhor é a seguinte:

“Respondeu-lhe Jesus: Se alguém me amar, guardará a minha palavra; e meu Pai o amará, e viremos a ele, e faremos nele morada.” (Jo 14:23)

Esta promessa feita pelo Senhor implica em duas atitudes para que possamos preencher os seus requisitos: devemos amar a Jesus e devemos guardar a Sua palavra. Se fizermos ambas as coisas, o Senhor fará morada em nós, juntamente com Seu bendito Pai celestial. Observe que não estamos aqui falando da experiência do novo nascimento, mas colocando que o novo nascimento é preparatório para o cumprimento desta promessa, que diz respeito ao processo de santificação ou, em outras palavras, à disposição que o cristão tem em andar com Deus.

João, o apóstolo demonstra ter alcançado a realização desta promessa e almeja, sobretudo, que nós possamos também vivenciarmos a mesma experiência. Escreveu o apóstolo João:

“o que vimos e ouvimos, isso vos anunciamos, para que vós também tenhais comunhão conosco; e a nossa comunhão é com o Pai, e com seu Filho Jesus Cristo” (I Jo 1:3).

Se João, o apóstolo, está tendo comunhão com o Pai e com o Filho é porque ambos estão habitando com o apóstolo. Se ambos estão habitando com o apóstolo é porque o apóstolo está cumprindo o requisito de amar ao Senhor e guardar os seus mandamentos. João deseja compartilha a mesma experiência conosco para que o nosso gozo seja completo (I Jo 1:4), o que significa que o supremo bem que podemos almejar em nossa vida cristã é estarmos habilitados nas condições da palavra de Deus para que o Senhor Deus Pai e o Seu Bendito Filho Jesus Cristo habite pela fé em nosso coração. O fato de João pretender que nós também possamos viver a mesma experiência que ele está vivendo se percebe no fato que o objetivo de sua carta é de nos preparar para termos também esta bendita comunhão com Deus, o Pai e Deus, o Filho.

João, afirmando acerca de sua própria experiência, declara que, acerca de Jesus Cristo, ele ouviu, viu com os seus olhos, contemplou e apalpou a Jesus Cristo com suas próprias mãos (I Jo 1:3). Sabemos que não podemos ver nem apalpar a Jesus Cristo hoje porquanto Ele está assentado à destra de Deus, mas podemos ouvi-Lo e contemplá-Lo pela fé. E aqui começa nossa jornada na epístola do apóstolo João para compreendermos como isso é possível.

João declarou que ouviu algo da parte do Senhor. Qual foi a mensagem que o apóstolo João ouviu? Sabemos que foram muitas, contudo como estamos restritos à sua própria epístola, devemos procurar nela o conteúdo explícito desta mensagem, porquanto é este conteúdo que está conectado com tudo quanto Ele está a nos ensinar sobre como ter plena comunhão com Deus, o Pai e Deus, o Filho. João explicitou a mensagem que ouvira nos seguintes termos:

“E esta é a mensagem que dele ouvimos, e vos anunciamos: que Deus é luz, e nele não há trevas nenhumas.” (I Jo 1:5)

Observe que o apóstolo declara ter ouvido uma mensagem completa: Deus é luz, Nele não há trevas. Lembrando-nos do princípio do maná, em tendo ouvido tão somente esta mensagem, devemos extrair dela todos os seus nutrientes para nossa vida espiritual. Cabe-nos perguntar: qual é o objetivo a ser alcançado mediante esta mensagem ouvida pelo apóstolo João? Ele mesmo já explicara que aquilo que ele próprio ouvira estava sendo transmitido à nós para que nós também tenhamos comunhão com João no que diz respeito a ter Deus, o Pai e Deus, o Filho habitando em nós, o que é o gozo completo (I Jo 1:3,4).

Como Deus é luz (I Jo 1:5), há um consequente para cada um de nós, nos ensina o apóstolo João, nós devemos andar na luz (I Jo 1:7), sabendo de antemão que a luz é incompatível com as trevas (I Jo 1:5). Se andarmos na luz, continua o apóstolo João, temos por consequencia duas implicações, a primeira é que assim como temos comunhão com Deus, o Pai e com Deus, o Filho, temos também comunhão com nossos irmãos (I Jo 1:7). A segunda implicação é que o sangue de Jesus Cristo nos purifica de todo o pecado (I Jo 1:7).

Há uma observação a ser feita na argumentação do apóstolo João. Ao declarar que andar na luz implica em termos comunhão com os irmãos, ele complementa dizendo que devemos praticar a verdade (I Jo 1:6). Note que estamos estudando a epístola dentro do contexto da própria epístola, assim, a verdade que deve ser praticada deve estar no próprio texto e, neste caso, necessariamente em conexão com a mensagem ouvida de que Deus é luz. Encontramos o âmago da verdade ouvida pelo apóstolo João no seguinte texto:

“Se dissermos que não temos pecado nenhum, enganamo-nos a nós mesmos, e a verdade não está em nós.” (I Jo 1:8)

A verdade que o apóstolo João ouviu em conexão com a mensagem de que Deus é luz é esta: nós temos pecado. Note que o termo “pecado” está no singular. João está declarando com isso que nossa natureza é pecaminosa, que fomos concebidos em pecado, que nascemos pecadores. Aqui convém apresentar a segunda promessa, não em sua ordem, é claro, ouvida pelo apóstolo João, fora do contexto desta epístola:

“No dia seguinte João viu a Jesus, que vinha para ele, e disse: Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo.” (Jo 1:29)

Assim, em sua primeira epístola, João declara explicitamente ter ouvido da parte do Senhor Jesus a mensagem que Deus é luz. Em conexão com esta mensagem ouviu a verdade que nós temos pecado, contudo declarou que se tivermos comunhão com Deus, podemos não somente termos comunhão com nossos irmãos como termos todos os nossos pecados perdoados.

http://cezarazevedo.com.br/02-como-praticamos-a-verdade/

“Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus nosso Senhor.” (Rm 6:23)

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