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01 – Cosmovisão cristã para entender a política

Estes grandes animais, que são quatro, são quatro reis que se levantarão da terra. Mas os santos do Altíssimo receberão o reino e o possuirão para todo o sempre, de eternidade em eternidade. (Dn 7.17,18)

Então, tive desejo de conhecer a verdade a respeito do quarto animal, que era diferente de todos os outros… e também a respeito dos dez chifres que tinha na cabeça e do outro que subiu, diante do qual caíram três… Eu olhava e eis que este chifre fazia guerra contra os santos e prevalecia contra eles (Dn 7.19-21)

A corrente majoritária do cristianismo brasileiro entende que a igreja deve se engajar na política. Como resultado desta compreensão não só há partidos políticos constituídos sob a ótica cristã, como também grandes líderes e pastores evangélicos aproveitam sua exposição na mídia para lançar-se como candidato a cargos eletivos. Muitos deles buscam conciliar o ministério pastoral com a política.

Decorrente deste tipo de mentalidade surge o questionamento de quais seriam as pautas eminentemente cristãs, muitos candidatos sendo avaliados pelo comprometimento com estas mesmas pautas, mesmo que eles não abracem a fé evangélica. Por traz deste entendimento tem-se a compreensão que a sociedade deve ser moldada pelas leis divinas, impostas coercivamente por proteções constitucionais e leis outras. Como consequência deste modelo de fazer política cristã, há um arrefecimento dos ânimos, criando um corte na sociedade, de um lado os cristãos conservadores, de outro a sociedade liberal. Da parte dos cristãos se entende que as verdades da Bíblia precisam ser defendidas a ferro e fogo, não importa a distensão que isso provoque na sociedade. A história tem demonstrando o final desta história, as cruzadas ainda estão vivas na memória popular. Quando a igreja nasceu, Gamaliel, mestre da lei, advertiu os líderes judaicos para que não incorressem neste erro ao conclamá-los nestes termos:

Agora, vos digo: dai de mão a estes homens, deixai-os; porque, se este conselho ou esta obra vem de homens, perecerá; mas, se é de Deus, não podereis destruí-los, para que não sejais, porventura, achados lutando contra Deus. E concordaram com ele. (At 5.38,39)

Se os líderes judaicos podiam incorrer no erro de atuar contra os propósitos divinos, também os evangélicos podem fazer o mesmo ao envolver a igreja, enquanto instituição, diretamente na política. Para não sermos presas fáceis deste dualismo simplista de encarar a realidade, precisamos entender os planos divinos para podermos atuarmos em colaboração aos propósitos celestiais.

Fazendo um corte na história, começando do ponto em que Israel se tornou nação, após ser liberto do Egito por mão de Moisés, este povo abandonou os caminhos de Deus, sendo por Ele corrigido com a deportação do povo para a Babilônia. Este império foi considerado por Deus o primeiro dos quatro impérios que haveriam de exercer supremacia mundial. Depois dele seguir-se-ia os Medo-Persas, a Grécia e Roma. Este último teria uma característica diferenciada, em um primeiro momento, teria o domínio mundial, período o qual Jesus Cristo haveria de ser crucificado por uma confluência de poderes romanos e judaicos. Este evento foi profetizado por Daniel ao referir-se a septuagésima semana que haveria de anteceder a volta de Jesus Cristo (Dn 9.26,27). O que haveria de diferenciar Roma de todos os demais impérios é que ele não seria destruído como foram os demais, antes haveria de refluir para voltar, no final dos tempos, como uma confederação de dez nações.

Neste ponto encontramos a primeira consideração importante acerca das nações, com afetação na escolha dos líderes nacionais. Se não tivermos esta cosmovisão fortemente articulada em nossa mente, vamos facilmente perder de vista o que Deus realmente propõe para os dias atuais. A Bíblia só reconhece quatro impérios mundiais desde a Babilônia até a volta de Cristo, portanto, todos governos que não fazem parte desta conta são como uma neblina no ar, permanecem por um pouco de tempo, contudo não são relevantes na história bíblica. Nesta conta entra a França com Napoleão Bonaparte, a Alemanha nazista, durante a guerra fria, a União Soviética e os Estados Unidos e, hoje, o próprio poderio americano. Ainda que aos nossos olhos o poder dos EUA pareçam ter supremacia mundial, por não fazer parte das quatro nações apontadas pelo Senhor, haverá de perder sua importância geopolítica.

Voltemos novamente aos quatro impérios, em especial, o último. Este, segundo a Bíblia, ressurgirá formado por blocos de dez nações. Este arranjo recebe o nome popular de globalização, movimento por meio do qual as nações estão se unindo em torno de políticas, inclusive e principalmente tributárias, comuns. Temos a União Europeia, o MERCOSUL e, sendo constituído no norte, o NAFTA, apenas fazendo referência àqueles que nos são mais próximos. Faz parte desta construção coletiva suprimir toda e qualquer referência a Deus, por consequência ao Seu povo, seja ele Israel ou, mesmo, a igreja.

Não é sem razão que somos advertidos pelo profeta Daniel que haveria de surgir um líder mundial dentre os blocos destas dez nações, que seria diferente delas, ao mesmo tempo com a mesma natureza, derrubando três destes poderes e com autorização (aos que não estão habituados com as profecias bíblicas, pasmem), para fazer guerra aos santos e os vencer (Dn 7.21). Por conclusão, a crescente animosidade da sociedade contra os princípios cristãos não só tem autorização da parte de Deus para prevalecer, como também traz, por consequência, a condição de fazer muitos líderes evangélicos, se oporem aos propósitos divinos, por entender que seu envolvimento político está contribuindo para implantar o reino de Deus na terra pela coerção das leis.

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“Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus nosso Senhor.” (Rm 6:23)

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