A arte de liderar

01 O conhecimento e nossa zona de conforto

Cezar: Estava me lembrando de uma definição liderança em monge e o executivo: Liderança é a habilidade de influenciar pessoas para trabalharem entusiasticamente visando atingir aos objetivos identificados como sendo para o bem comum.

Amiga: Gosto dessa definição.

Cezar: Também, mas qual é o ponto central desta definição?

Amiga: Eu diria que não tem apenas um, vários, tais como: influenciar/entusiasmo/bem comum.

Cezar: Sim, eu destaco o influenciar. Se você não destacar o ponto de partida, tudo o mais perde o sentido. O ponto central é: em que condição eu sou capaz de influenciar alguém?

Amiga: Amo a sua certeza das coisas

Cezar: Eu não me deixo impressionar por palavras, eu busco o significado delas. A pergunta que eu faço é: o que realmente quer dizer isso? O que está na superfície não leva ninguém ao conhecimento.

Amiga: Sim.

Cezar: Não sei se notou, uma das pessoas no domingo estava explicando a criação dos céus, quando perguntei o que era céus, ela não sabia dizer, parou e teve de pensar. As pessoas olham para as palavras no seu senso comum e pensam consigo: eu sei o que isso diz, não se dão ao trabalho de perguntar com propriedade, mas o que isso realmente significa?

Cezar: Neste caso a primeira pergunta que deveria ser feita é: porque “céus” está no plural se olhando para cima eu vejo um só céu? A segunda pergunta: porque céus é contrastado com terra se o universo é muito mais que céus e terra? Porque só estes dois elementos são destacados?

Amiga: Quando você diz uma das pessoas no domingo, posso ser essa pessoa. Eu também me enquadro nesse contexto, preciso aprender. Vamos voltar a influencia então, o ponto central é: em que condição eu sou capaz de influenciar alguém?

Cezar: A resposta não fica tão simples e, neste aspecto, se percebe a inteireza da dificuldade da liderança.

Amiga: Quais dificuldades seriam essas?

Cezar: Segundo o Monge e o Executivo exercer influencia é exercer autoridade. Por autoridade entende-se a habilidade de levar as pessoas a fazerem de boa vontade o que você quer por causa de sua influência pessoal. Ou seja, eu preciso compreender a pessoa a quem vou influenciar, para mover ela no seu ponto de interesse. Só há um jeito de fazer isso, me colocando a serviço desta pessoa, deixar de olhar para mim enquanto me relaciono com ela e olhar realmente para ela.

Amiga: E o que você sempre me diz acerca de focar o resultado?

Cezar: Sim, volte ao conceito de liderança: é a habilidade de influenciar pessoas para trabalharem entusiasticamente visando atingir aos objetivos identificados como sendo para o bem comum.

Cezar: O resultado é o bem comum. Eu disse que não posso me colocar em foco, mas preciso colocar o outro em primeiro lugar. E meu objetivo é levar o outro ao resultado que ele quer alcançar, por isso o foco é o resultado, porque visando o resultado, eu deixo de pensar em mim para ver todo o grupo.

Cezar: Para entender a contribuição de todos, do jeito que a pessoa é, quando eu foco o resultado, foco o processo, dou margem para as pessoas errarem. O processo pode ser aperfeiçoado, o resultado pode ser melhorado e, enquanto isso está em foco, a pessoa tem tempo para ajustar a si mesmo sem ser cobrada.

Cezar: Eu preciso das pessoas para ter o resultado e é por isso que, apesar de eu ter por dom o ensino da palavra de Deus, abro mão de minha hora de ensino para colocar outras pessoas a ensinarem em meu lugar. Se o que quero alcançar são pessoas aptas a ensinar, eu tenho de abrir mão do meu lugar.

Amiga: Sim, Deus pode nos mover de lugar e o trabalho precisa continuar, e o que as pessoas menos querem e abrir mão do seu lugar.
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Cezar: Correto, por isso a palavra do Senhor Jesus:

bem como o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e para dar a sua vida em resgate de muitos. (Mt 20.28)

Cezar: A essência da liderança que tem autoridade para influenciar está nisso: servir o outro, é o jogar as coroas aos pés do Senhor (Ap 4.10), por isso lhe digo que um trabalho de liderança na igreja só consegue atingir seu objetivo quando ele estiver conectado com o líder da igreja porque na essência, liderar é dar oportunidade de serviço.

Amiga: Gostei dessa definição: liderar é dar oportunidade de serviço. Foi o que Jesus fez, um dia você me disse, e nunca esqueci, que no cargo que ocupo estou aqui para servir a todos, facilitar o trabalho de todos. Você, olhando para mim, identifica os pontos que preciso melhorar?

Cezar: Estou identificando os pontos o tempo todo e você está avançando. Quanto mais internalizado o conceito de liderança, mais conseguimos desenvolver esta habilidade. Quanto mais entendemos de liderança, mais percebemos o quão fácil é exercê-la.

Cezar: O aprendizado é um caminho para frente. Muitos desistem desta jornada por acha-la complicada, agora se você entra na estrada do conhecimento, então está assumindo uma atitude proativa. Neste caso você olha para a definição de liderança e se pergunta: o que tem ela a me ensinar? É verdade que parte de nosso cérebro luta contra o conhecimento, é mais fácil permanecermos na nossa zona de conforto. Neste caso, quando ficamos titubeando entre dois pensamentos (Tg 1.8), a dificuldade do aprendizado é muito maior. Está escrito:

se como a prata a buscares e como a tesouros escondidos a procurares, então, entenderás o temor do SENHOR e acharás o conhecimento de Deus. (Pv 2.4,5)

Cezar: Note que não é coisa simples o aprendizado, existe o pseudo conhecimento que, na Bíblia tem por nome ignorância. Está escrito:

Vê, pois, que a luz que em ti há não sejam trevas. Se, pois, todo o teu corpo é luminoso, não tendo em trevas parte alguma, todo será luminoso, como quando a candeia te alumia com o seu resplendor. (Lc 11.35,36)

Amiga: Sim

Cezar: Nosso problema no aprendizado é nos alinharmos com a palavra de Deus

Amiga: O que isso quer dizer?

Cezar: Que não podemos ser refratários à palavra de Deus e que devemos usar a melhor ferramenta de trabalho que temos: “POR QUE?”.

Amiga: Defina refrataria.

Cezar: É aquela panela de Tefal que você joga o óleo, ele pula dentro dela e não se mistura com ela. É um ato instintivo que temos dentro de nós para permanecermos em nossa zona de conforto impedindo que sejamos confrontados pela palavra de Deus. É andar de marcha ré na estrada de conhecimento. Queremos saber, mas nem tanto, queremos, mas abrimos tantas condições para chegar a ele, que acaba por demonstrarmos que não o queremos na prática.

Amiga: Quais condições precisamos abrir mão para termos o conhecimento?

Cezar: Veja, eu iniciei este diálogo com uma definição de liderança. Muitas vezes quando compreendemos o significado de algo que exige mudança de postura, nós recuamos. Foi o caso da mulher samaritana com Jesus. Quando Ele mandou ela buscar o marido, ela disse que não tinha. Jesus disse a ela que não tinha mesmo, teve cinco, e o que tinha não era dela. Então, quando ela viu que foi confrontada no ponto que exigia mudança procurou desviar o assunto questionando sobre qual seria o lugar certo de adorar a Deus, em Jerusalém ou Samaria. Seria como se ela dissesse ao Senhor: – no dia em que os religiosos chegarem a uma conclusão, então voltamos a falar sobre meus maridos, ou seja, ela saiu pela tangente.

Cezar: Este é nosso instinto natural no curso do aprendizado, quando somos pressionados, saímos pela tangente porque o conhecimento é como o ouro, tem de ser pago um preço para o obter e a nossa tendência natural é abrir mão do conhecimento quando percebemos que ele exige mudança de postura em nós. E não são poucos os artifícios que usamos para não conhecer. Eu mesmo já usei muito destes artifícios. Veja o que aconteceu com o apóstolo Paulo, enquanto ele ensinava:

E falava ousadamente no nome de Jesus. Falava e disputava também contra os gregos, mas eles procuravam matá-lo. (At 9.29)

Cezar: Perceba: quanto maior a intensidade de seus argumentos, mais grave ficava a situação, chegando ao ponto de querer matá-lo. Toda vez que o verdadeiro conhecimento é ensinado há uma guerra em nós no nível de nossa mente. Leia ainda:

De sorte que disputava na sinagoga com os judeus e religiosos e, todos os dias, na praça, com os que se apresentavam. E alguns dos filósofos epicureus e estóicos contendiam com ele. Uns diziam: Que quer dizer este paroleiro? E outros: Parece que é pregador de deuses estranhos. Porque lhes anunciava a Jesus e a ressurreição. (At 17.17,18)

Cezar: E em outro lugar:

E todos os sábados disputava na sinagoga e convencia a judeus e gregos. (At 18.4)

Cezar: Note, disputavam com Paulo o tempo todo, havia confronto. Onde quer que o verdadeiro conhecimento se manifesta, ele gera este tipo de confronto e, se alguém não suporta o confronto porque não quer sair de sua zona de conforto, ou recua ou tenta fazer calar a voz do conhecimento. Leia:

Muitos, pois, dos seus discípulos, ouvindo isso, disseram: Duro é este discurso; quem o pode ouvir? (Jo 6.60)
Desde então, muitos dos seus discípulos tornaram para trás e já não andavam com ele. (Jo 6.66)

Cezar: Sempre que o verdadeiro conhecimento se apresenta, o resultado natural é o confronto, ou o homem recua ou faz calar a voz do conhecimento. É assim que o homem natural procede. Às vezes a pessoa vem até nós procurando se aconselhar. O que elas querem, em um primeiro momento, é ouvir algo que reforce sua atitude, suas escolhas, quando ela ouve algo que a confronta, fica impactada. Então ela chega a seguinte conclusão: – eu bem sabia que esta era a verdade, eu apenas estava fugindo dela.

Amiga: Entendo, quando queremos aprender não podemos ficar sentindo-nos pequenos, diminuindo a nós mesmo, devemos abaixar a guarda e parar de justificar nossas limitações.

Cezar: Exato, este é o freio de mão puxado no aprendizado, o se apequenar, na pratica equivale a andar de costas para o conhecimento. É como se dissesse a si mesmo: – eu cheguei no meu limite, aqui está bom, não quero sair dele, prefiro meu lugar de conforto. Quando removemos este obstáculo, então estamos pronto a nos alinhar com aquilo que aprendemos e mudar nossas atitudes e comportamentos. Isso é um ato de disciplina é só meditar em Provérbios no que compara a busca do conhecimento à do garimpo. Sua ferramenta nesta jornada é o POR QUE? Cada vez que surgir a possibilidade do conhecimento, pergunte a si: Por que? O que não vejo?: Como isso se aplica? E não olhe para o ruído da comunicação, questionando quem fala ou deixa de falar. O conhecimento está em todo lugar, assim, não podemos desprezar nenhuma de suas fontes.

Amiga: Vou almoçar.

http://cezarazevedo.com.br/02-definindo-lideranca/

pensador

              http://cezarazevedo.com.br/plano-de-salvacao-por-pergunta/

              http://cezarazevedo.com.br/estudo-para-novo-convertido-0110/

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“Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus nosso Senhor.” (Rm 6:23)

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