A mensagem de I João

02 Como praticamos a verdade

“E esta é a mensagem que dele ouvimos, e vos anunciamos: que Deus é luz, e nele não há trevas nenhumas. Se dissermos que temos comunhão com ele, e andarmos nas trevas, mentimos, e não praticamos a verdade” (I Jo 1:5,6)

João escreveu sua primeira epístola com o propósito que nós pudéssemos experimentar o mesmo gozo inefável que ele experimentara diante de Deus, que é ter comunhão plena com Deus, o Pai e com o Seu bendito Filho, Jesus Cristo em cumprimento a promessa feita pelo próprio Senhor nos seguintes termos:

“Respondeu-lhe Jesus: Se alguém me amar, guardará a minha palavra; e meu Pai o amará, e viremos a ele, e faremos nele morada.” (Jo 14:23)

Observemos a conexão desta promessa com a presença de Deus no coração do apóstolo João. O próprio Deus, bem como Seu bendito Filho, estão fazendo morada em João. Por morada entendemos casa ou morada em que se habita, período que permanece domiciliado (Houaiss). Portanto ao compreender o cumprimento da promessa, estamos afirmando que por onde quer que João andasse, Deus, o Pai e Deus, o Filho, seguia junto com ele, sendo João morada de Deus em Espírito. Mais uma vez é preciso reafirmar que João já tinha o Espírito Santo habitando com ele desde o seu novo nascimento. A diferença entre uma situação e outra é que João permitiu o Espírito Santo preparar seu ser para receber a confirmação desta promessa. Em um sentido podemos dizer que no ato de seu novo nascimento Deus, o Pai bem como Deus, o Filho já habitavam com João, porquanto Deus, o Espírito Santo estava presente, a trindade é una, onde está um estão todas as pessoas da trindade.

Para compreendermos a intensidade do cumprimento desta promessa, convém, portanto, trazermos uma oração do apóstolo Paulo que reforça a atuação soberana do Espírito Santo nos preparando para que o Senhor Jesus, bem como seu Pai celestial se agrade em fazer de nós Sua habitação permanente. Orou Paulo:

“Por esta razão dobro os meus joelhos perante o Pai, do qual toda família nos céus e na terra toma o nome, para que, segundo as riquezas da sua glória, vos conceda que sejais robustecidos com poder pelo seu Espírito no homem interior; para que Cristo habite pela fé nos vossos corações, a fim de que, estando arraigados e fundados em amor, possais compreender, com todos os santos, qual seja a largura, e o comprimento, e a altura, e a profundidade, e conhecer o amor de Cristo, que excede todo o entendimento, para que sejais cheios até a inteira plenitude de Deus.” (Ef 3:14-19)

Observe que a oração de Paulo é para que Cristo habite pela fé em nosso coração. Se olharmos o final da oração, perceberemos que Paulo faz referencia a um processo contínuo, porquanto a meta final é sermos cheios da inteira plenitude de Deus. Podemos fazer a seguinte analogia: imaginemos sermos um hotel com muitíssimos aposentos. O Senhor Deus em nosso novo nascimento recebe a escritura do hotel e toma posse dele ocupando a recepção. Ocorre que temos tanta tranqueira dentro do hotel que é preciso ir desocupando quarto a quarto para que o Senhor de fato possa preencher totalmente o ambiente. Nos termos de João, o Batista, é necessário que Ele, o Senhor Jesus cresça e que nós venhamos a diminuir (Jo 3:30). Paulo observa que este é um crescimento que se dá em glória em glória:

“Ora, o Senhor é o Espírito; e onde está o Espírito do Senhor aí há liberdade. Mas todos nós, com rosto descoberto, refletindo como um espelho a glória do Senhor, somos transformados de glória em glória na mesma imagem, como pelo Espírito do Senhor.” (II Co 4:17,18)

O que queremos demonstrar com isso é que não estamos falando de uma segunda experiência, esta logo após a conversão, mas a intensificação da primeira experiência, mesmo porque o próprio apóstolo João reafirma em sua carta que ter o Espírito de Deus em nós é a confirmação da permanência do próprio Deus: “…E nisto conhecemos que ele permanece em nós: pelo Espírito que nos tem dado” (I Jo 3:24). É por esta razão que o apóstolo João usa como motivação para nos fazer assemelhar a ele em sua experiência existencial que seu objetivo é nos exortar a termos comunhão com Deus (I Jo 1:3). Como Deus, o Pai é o Senhor Criador dos céus e da terra, quanto maior for nossa comunhão com Deus, maior nossa dependência do mesmo Deus, maior nossa disposição em serví-Lo, logo, maior a percepção da habitação de Deus em nós.

É por esta razão que o apóstolo João associa a comunhão com Deus (I Jo 1:3) com a nossa disposição de andarmos na luz (I Jo 1:7), porquanto o próprio Deus é luz. Desta proposição do apóstolo João decorre toda a configuração de nossa experiência com Deus, com nossos semelhantes e conosco mesmo. Nós hoje, buscamos acima de tudo termos comunhão com Deus, todavia nós colocamos as carroças na frente dos bois no seguinte sentido. Nossa percepção é que o pecado nos afasta de Deus. Como sentimos que nossa comunhão com o Senhor é pequena, logo entendemos que algum pecado ou mesmo algum embaraço, conforme exposto em aos Hebreus 12:1, está nos impedindo de termos comunhão com Deus. Então passamos a fazer constantes auto exames para descobrir o que está impedindo termos comunhão com Deus.

No entanto a verdade é exatamente o oposto disso: é a comunhão com Deus que nos afastará de nossos pecados e por que digo isso? Porque Deus é luz, esta foi a mensagem que João ouviu. Qual a função da luz? Afastar as trevas. E o que são trevas em nós: a manifestação do pecado ou de qualquer embaraço que nos prive da comunhão com Deus. Agora, quem é mais forte: a luz ou as trevas? Obvio que é a luz, portanto temos de primeiro asseguramos nossa comunhão com Deus, então todas as coisas serão tratadas no seu devido tempo.

Obviamente estamos falando a nascidos de novo, portanto o ato do novo nascimento já produziu uma notável limpeza de pecados, principalmente os mais crassos. É certo que se estivermos lidando com aqueles que vivem habitualmente no pecado e se dizendo cristãos, estes deve considerar o que diz o apóstolo João:

“Aquele que é nascido de Deus não peca habitualmente; porque a semente de Deus permanece nele, e não pode continuar no pecado, porque é nascido de Deus.” (I Jo 3:9)

Assim estamos fazendo a leitura da carta do apóstolo João com aqueles que tem sede de Deus, que querem profunda comunhão com o Senhor e querem entender como isso se processa. João, ao declarar que nós, que temos comunhão com Deus, andamos na luz, declara o óbvio, o decorrente, o consequente. É impossível ter comunhão com Deus sem estar na luz, porquanto o próprio Deus é luz. Andar na luz, que é o mesmo que andar com Deus, traz, portanto, outros consequentes: nos faz termos comunhão com nossos irmãos e nos faz praticar a verdade (I Jo 1:7). Façamos uma análise sobre o que João diz acerca de praticar a verdade. Antes, qual é a verdade a que João se refere? Ele diz que a verdade é que temos pecado (I Jo 1:8). O que é praticar a verdade então?

Se nós de fato entendemos que temos pecado, ou seja, que nossa natureza é pecaminosa, então precisamos entender que estamos propenso a errar continuamente, só não o faremos por misericórdia divina. Se entendermos pecado como os crassos, do tipo: idolatria, adultério, roubo, homicídio, muitos podem se declarar “sem pecado”, contudo se considerarmos pecado como sendo qualquer manifestação do ego, então realmente somos propensos a pecar a qualquer instante. Qual é o objetivo da carta de João? O de termos comunhão com Deus, o Pai e Deus, o Filho, através de Deus, o Espírito Santo. Se esta é a meta, pecado é tudo aquilo que nos afasta da meta, portanto qualquer coisa que obstrua nossa comunhão com Deus. Quando vemos por este ângulo entendemos o quanto precisamos colocar em prática a verdade. Qual a verdade? Temos pecado. Como colocar em prática a verdade? Simples, toda vez que nos depararmos com seja o que quer que for que nos afastou da comunhão com Deus (e isso ao longo de todo o dia), tudo que devemos para praticar a verdade, que é termos pecado, é:

“Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça.” (I Jo 1:9)

Se assim o fizermos, então temos a ampliação do escopo desta verdade: Jesus Cristo é a propiciação pelos nossos pecados (I Jo 2:2) e os nossos pecados são perdoados por amor ao Seu bendito nome (I Jo 2:12), portanto está restaurada nossa comunhão com Deus, que é luz, portanto, quanto mais luz, mais as trevas são dissipadas, mais temos que confessar, mais nos aproximamos de Deus e, assim, de glória em glória, “somos transformados de glória em glória na mesma imagem, como pelo Espírito do Senhor.” (II Co 4:18b).

http://cezarazevedo.com.br/01-a-mensagem-de-i-joao/

http://cezarazevedo.com.br/03-como-andamos-na-luz/

“Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus nosso Senhor.” (Rm 6:23)

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