A mensagem de I João

03 Como andamos na luz

“E nisto sabemos que o conhecemos; se guardamos os seus mandamentos.” (I Jo 2:3)

João, o apóstolo do amor, escreve sua primeira epístola com o objetivo de nos aproximar de Deus em contínua comunhão. É importante que não sejamos de modo algum enganados sobre esta questão, porque muitos podem estar declarando estar andando com Deus com seus lábios, todavia seus corações permanecem distante do Senhor. João observa que ninguém pode dizer que anda na luz e compactuar com as trevas (I Jo 1:6) ou se dizer adepto da impecabilidade, na medida em que não percebe em si pecado algum (I Jo 1:8) ou manter-se isento de disciplina ou exortação à medida que não reconhece seus próprios atos falhos (I Jo 1:10). Por fim, o apóstolo João declara ser possível saber que conhecemos realmente a Jesus Cristo se evidenciarmos este conhecimento pela obediência aos mandamentos divinos (I Jo 2:3).

Logo em seguida João sustenta que somos aperfeiçoados no amor exatamente por guardamos a bendita palavra de Deus (I Jo 2:5). Como estamos no contexto de sua epístola, devemos reafirmar o âmago da verdade a nosso respeito: temos pecado. Por que é importante termos consciência desta verdade? É que ela se torna a alavanca, o ponto de partida para nos fazer adentrar sedentos na presença de Deus. Se temos pecado, precisamos do Salvador, do Messias, portanto reconhecemos que Jesus Cristo é a “propiciação pelos nossos pecados, e não somente pelos nossos, mas também pelos de todo o mundo” (I Jo 2:2).

E por que o amor é aperfeiçoado por guardarmos a palavra de Deus? Porque à medida que o dia avança vamos percebendo diversos embaraços ou pecados que nos afastam da bendita comunhão com Deus. Neste momento tudo quanto precisamos fazer é reconhecer nosso pecado, confessando-o (I Jo 1:9), restaurando imediatamente nosso relacionamento com o Senhor. À medida que assim procedemos, cultivamos a agradável sensação de paz interior que procede do trono de Deus, fazendo disso um hábito. Com isso a alma se sente cada vez mais inclinada a se refugiar no trono do Senhor.

Se por um lado guardar a palavra de Deus é condição para aperfeiçoar o amor de Deus em nós, também o é para vencermos o Maligno, pois esta vitória se dá pela permanência da palavra de Deus em nós (I Jo 2:14). Como a palavra de Deus é a verdade e o Maligno é especializado em mentiras, permanecer naquilo que o Senhor tem nos dito é um poderoso antídoto para rechaçar todas as mentiras lançadas contra nós como laços para aprisionar nossas almas.

Se nós dizemos que permanecemos na palavra de Deus, conclui-se que nós estamos em Cristo Jesus, portanto devemos andar como o Senhor Jesus andou (I Jo 2:6). E como andou o Senhor Jesus? Em todo o tempo Jesus Cristo fez questão de reafirmar Sua plena comunhão com Seu bendito Pai, pois o Senhor Jesus, o Verbo da vida estava no princípio com o Pai e se manifestou a nós para nos fazer conhecer ao Pai (I Jo 1:3), portanto nós andamos na luz em mantendo ao longo de todo o dia plena comunhão com nosso bendito Pai celestial, bem como com Seu amado Filho Cristo Jesus.

Nos andamos como o Senhor Jesus andou se nos dispormos a aperfeiçoar o amor de Deus em nós, aperfeiçoamento este que se dá em dois sentidos. O primeiro, em relação a nós mesmo, reconhecendo no curso do dia tudo quanto faz perturbar nosso relacionamento com o Senhor, restaurando imediatamente nossa comunhão com Deus por meio da confissão (I Jo 1:9). Por fim, nós nos assemelhamos ao Senhor por amar nossos irmãos, pois aquele “que ama a seu irmão permanece na luz, e nele não há tropeço” (I Jo 2:10).

Por fim nós andamos como o Senhor Jesus andou por andarmos na luz, isto é, por permanecermos de contínuo na presença de Deus. Obviamente se consideramos que no curso do dia nos envolvemos com tarefas sem fim, que absorvem totalmente nossa concentração e nos impulsiona a decisões e atitudes que muitas vezes não são condizentes com os filhos da luz, a tendência é que no final do dia estejamos tão distante do Senhor que se torna difícil achar como voltar-nos a Ele por estarmos envergonhados conosco mesmo.

Para clarificar este ponto algumas atitudes precisam ser tomadas a priori. A primeira e mais importante delas é colocar o dia diante do Senhor com todas as nossas demandas. Neste particular instrui-nos o apóstolo Paulo:

“Não andeis ansiosos por coisa alguma; antes em tudo sejam os vossos pedidos conhecidos diante de Deus pela oração e súplica com ações de graças; e a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os vossos corações e os vossos pensamentos em Cristo Jesus.” (Fl 4:6,7)

É sábio repassarmos com o Senhor cada hora de nossa agenda diária. Sabemos que haverá muitos imprevistos, coisas que teremos de fazer que não tínhamos antes levado em oração, contudo teremos grande suprimento de graça para o enfrentamento de toda adversidade e sabedoria para tomada de decisão e operacionalidade de nossos afazeres se tivermos colocado a priori nosso dia na presença de Deus.

Não podemos perder de vista que o objetivo maior da oração é o de termos comunhão com Deus, portanto a ênfase da oração e súplica deve estar nas ações de graças e, por que? É que sem fé é impossível agradar a Deus. Se estamos na presença do Senhor, sabemos que estamos sendo ouvidos por Deus, se temos esta convicção, então como Deus é bom, sabemos que alcançamos as petições que lhe fizemos, portanto podemos antecipadamente agradecer-lhe pela Sua providência e bondade para conosco. Ações de graça nada mais é que manifestação da fé que o Senhor é por nós, pois está escrito:

“E esta é a confiança que temos nele, que se pedirmos alguma coisa segundo a sua vontade, ele nos ouve. e, se sabemos que nos ouve em tudo o que pedimos, sabemos que já alcançamos as coisas que lhe temos pedido.” (I Jo 5:14,15)

O exercício do cultivo da presença do Senhor ao longo do dia nos faz aplicar outro principio importante – devemos dar as primícias ao Senhor, isto é, antes de iniciarmos cada atividade, por um ato consciente, devemos invocar a presença do Senhor para aquele mesmo ato. Neemias, o copeiro do rei, nos ensina como devemos proceder neste caso. Quando Neemias, após ter colocado seu projeto na presença do Senhor com oração e jejum, se viu diante do rei, com oportunidade para dar curso ao seu projeto, no momento em que o rei perguntou a Neemias o que ele queria, está escrito que ele fez o seguinte, segundo seu próprio testemunho: “Orei, pois, ao Deus do céu, e disse ao rei… “ (Ne 2:4b,5a). Basicamente Neemias nos ensina a enviarmos telegramas ao Senhor no curso de todo o dia.

Dando prosseguimento a este mesmo exercício espiritual devemos invocar o nome do Senhor no inicio de toda atividade, visto que depois que nos mergulhamos nela, a concentração exigida pela tarefa pode nos tirar o senso da presença de Deus. Paulo, neste sentido, nos dá o seguinte conselho:

“E tudo quanto fizerdes por palavras ou por obras, fazei-o em nome do Senhor Jesus, dando por ele graças a Deus Pai.” (Cl 3:17)

Observe que não há como seguir o procedimento de Paulo sem um ato consciente no início de cada atividade exercida por nós, isto porque ele não só pede que nós invoquemos o nome do Senhor, como também o façamos por meio de ações de graças, isto é, agradecendo a Deus por tornar aquela oportunidade de serviço, como um serviço ao próprio Senhor Deus, porquanto em outro lugar o apóstolo Paulo nos ensina:

“Vós, servos, obedecei a vossos senhores segundo a carne, com temor e tremor, na sinceridade de vosso coração, como a Cristo, não servindo somente à vista, como para agradar aos homens, mas como servos de Cristo, fazendo de coração a vontade de Deus” (Ef 6:5,6)

Note que o apóstolo Paulo declara com veemência que nenhuma tarefa executada por nós deva ser feita em primeira instância ao homem, mas prioritariamente ao Senhor por ser esta tarefa uma oportunidade de servimos nossos semelhantes, razão porque nosso coração está diretamente envolvido. Se nosso coração está por inteiro na tarefa, como Deus, o Pai e Deus o Filho habita em nosso coração por Seu bendito Espírito Santo, não há tarefa que não seja oportunidade de servimos a Deus. Com isso não há nada ao longo do dia que realmente possa nos tirar da plena comunhão com Deus.

“Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus nosso Senhor.” (Rm 6:23)

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