A mensagem de I João

04 Como fazemos a vontade de Deus

“Se dissermos que não temos pecado nenhum, enganamo-nos a nós mesmos, e a verdade não está em nós.” (I Jo 1:8)

João recebera uma mensagem específica da parte do Senhor: Deus é luz, nEle não há trevas, e uma verdade decorrente desta mensagem: Nós temos pecado. Alguém, com toda a Bíblia a seu dispor, poderia interpor qualquer outra verdade, menos esta, todavia é esta que nos amarra no altar do Senhor assim como aconteceu com Isaque. É preciso que sejamos imobilizados para que possamos realmente encontrar nosso lugar no amor de Deus e desenvolver com o Senhor um verdadeiro relacionamento com o propósito de mantermos perfeita comunhão com nosso bendito Pai celestial.

João, o apóstolo, acrescenta que o problema não reside tão somente em nossa natureza terrena. Ele vai mais longe e nos apresenta a verdade nua e crua acerca do mundo que nos cerca, dizendo:

“Não ameis o mundo, nem o que há no mundo. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele. Porque tudo o que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não vem do Pai, mas sim do mundo.” (I Jo 2:15,16)

O termo concupiscência é pouco usado hoje em dia, contudo tem uma conexão muito íntima com nossa carne. Por concupiscência entende-se cobiça de bens materiais; anelo de prazeres sensuais; luxúria carnal; desejo libidinoso; desejo de prazer gerado por uma realidade física ou material (Houaiss). Em síntese, desejos intensos e desarticulados da carne. O problema da concupiscência é que ela se estabelece na essência de nosso ser natural, extraindo dele a motivação para empreender sua trajetória maligna. Tiago disseca a trajetória decadente da concupiscência ao demonstrar que

“Cada um, porém, é tentado, quando atraído e engodado pela sua própria concupiscência; então a concupiscência, havendo concebido, dá à luz o pecado; e o pecado, sendo consumado, gera a morte” (Tg 1:14,15)

Portanto quando o apóstolo João declara que não devemos amar o mundo, está reafirmando que nossa natureza decorrente da verdade revelada pelo Senhor do qual diz termos pecado, está sempre solícita a aceitar tudo quanto o mundo possa oferecer, por mais efêmero e maligno que seja. O pecado, isto é, nossa carne, mantém uma guerra perpétua contra o Espírito de Deus, conforme o apóstolo Paulo já declarara em sua carta aos Gálatas:

“Porque a carne luta contra o Espírito, e o Espírito contra a carne; e estes se opõem um ao outro, para que não façais o que quereis.” (Gl 5:17)

E o apóstolo Paulo deixa claro que só temos chance de vitória nesta guerra se aceitarmos a liderança do Espírito Santo sobre o nosso ser: “Andai pelo Espírito, e não haveis de cumprir a cobiça da carne” (Gl 5:16b). O que reforça ainda mais a necessidade de compreendermos como podemos desenvolver e aperfeiçoar nossa comunhão com Deus, o Pai, bem como Deus, o Filho, sob a supervisão de Deus, o Espírito Santo. É por este motivo também que o apóstolo João, logo após escrever acerca dos perigos do amor ao mundo, apresenta-nos como antídoto o fazer a vontade de Deus:

“Ora, o mundo passa, e a sua concupiscência; mas aquele que faz a vontade de Deus, permanece para sempre.” (I Jo 2:17)

Mais uma vez cabe ressaltar a tendência que temos de interpretar o texto de forma oposta a que é apresentada pelo apostolo João. Quando vemos o mundo, com tudo quanto ele oferece, conforme citado pelo apóstolo, tomamos uma atitude de retração baseada em nosso próprio entendimento de como não amar o mundo. Todavia a ênfase do apóstolo João é de reforçar a necessidade de contínua comunhão com Deus. Obviamente todo aquele que se sente atraído pelo mundo, amando-o, deve considerar isso como um diagnóstico da importância de voltar a buscar sua comunhão diária e permanente com o Senhor.

Nós estamos plenamente habilitados para fazermos a vontade de Deus, amando ao Senhor, não ao mundo: nós temos a unção do santo e temos o conhecimento (I Jo 3:20), nós temos a promessa de vida eterna (I Jo 2:25), portanto nós devemos permanecer em Cristo (I Jo 2:27) praticando a justiça (I Jo 2:29), que é o mesmo que praticar a verdade (I Jo 2:5). Ou seja, em qualquer instante do dia que nos virmos atraído por este mundo (I Jo 2:16), devemos buscar refúgio no Senhor nosso Deus, confessando prontamente nossa tendência pecaminosa (I Jo 1:9) e nos cobrindo com o sangue do Cordeiro (I Jo 1:7).

Fazer a vontade de Deus envolve ainda andarmos na luz (I Jo 1:7), conhecer a Cristo Jesus (I Jo 2:3), manter contínua comunhão com Deus, o Pai, bem como com o Seu bendito Filho Jesus Cristo (I Jo 1:3), estar com Cristo (I Jo 1:6), aperfeiçoar o amor (I Jo 2:5), vencendo o Maligno (I Jo 2:14). Mesmo porque o Maligno, mediante o anticristo, nega todas estas coisas, principalmente nega que Jesus seja o Cristo (I Jo 2:22), portanto nega não só o Filho, como também nosso Pai celestial (I Jo 2:22).

Há de se observar que a principal razão para o Maligno negar que Jesus seja o Cristo é por tentar nos convencer que não temos pecado, isso é, não guerreamos contra nossa natureza pecaminosa. Podemos perceber que o Maligno quase tem conseguido alcançar seu intento no meio do povo de Deus, isto porque muitos na igreja tem se comportado como Israel na época de Jesus. Certa feita Jesus dissera aos fariseus que eles precisavam ser libertos pela palavra de Deus, ao que imediatamente responderam que não eram escravos de ninguém posto serem filhos de Abraão (Jo 8:31,32).  Ao que o Senhor os fez saber que eles eram escravos, sim, do pecado, porquanto cometiam pecado, portanto precisavam ser libertos (Jo 8:34).

A igreja, do mesmo modo, tem desenvolvido a percepção que uma vez que nasceram de novo, não mais tem a natureza pecaminosa consigo, estando plenamente salvo. No curso desta percepção, por exemplo, consideram a ira como uma manifestação própria do seu caráter, portanto não há nada de pecaminoso nela, aplicando a mesma conclusão para a cólera, a maledicência, as palavras torpes, bem como a mentira (Cl 3:8,9). Assim, tais cristãos são capazes de explodir com seu semelhante e achar isso absolutamente natural, porquanto é o modo de agir das pessoas, sem perceber nenhuma necessidade de mudar seu comportamento. Este comportamento demonstra na prática que o cristão tem deixado de considerar Jesus como sendo o Cristo, aceitando as premissas do espírito do anticristo. Está sendo cada vez mais comum nas igrejas orações publicas no mesmo teor daquela feita pelo fariseu:

“oh! Deus, graças te dou que não sou como os demais homens, roubadores, injustos, adúlteros, nem ainda com este publicano. Jejuo duas vezes na semana, e dou o dízimo de tudo quanto ganho” (Lc 18:11,12)

Esta oração tem tido uma variante muito comum: “Senhor salva os perdidos! Tem misericórdia deles! Graças te damos porque somos salvos.” Todavia em momento algum segue-se outra oração como a do publicano: “Oh Deus, sê propício a mim, o pecador!” (Lc 18:13). O que mais se vê hoje em muitos meios cristãos são orações determinando a resposta da parte de Deus. Alguns, para disfarçar, dizem que determina ao inimigo a benção, não impõe nada a Deus, contudo em momento algum se humilham diante do Senhor. Há os que ainda dizem: esta é minha personalidade, nasci assim, as pessoas tem de me aceitar deste modo, por conclusão, estão em suas atitudes declarando sem pecado.

João reforça este perigo ao dizer que estamos na última hora porquanto já muitos anticristos tem se levantado (I Jo 2:18), acrescentando ainda que estes anticristos saíram do meio da igreja (I Jo 2:19). Hoje o discernimento do comportamento deles tem sido tão baixo que nem saem mais, permanecem no meio do povo de Deus, muitos deles fazendo parte da liderança e se fazendo passar por homens altamente espirituais (claro, impecáveis). Para estes o erro está nos outros, a mensagem nunca é ouvida por quem realmente precisa dela.

João enfatiza então a necessidade de permanecermos naquilo que aprendemos desde o princípio da nossa fé, isto é, temos pecado, sabendo que permanecemos com a unção de Deus sobre nós (I Jo 2:27). E esta confiança na bondade de Deus deve ser mantida até a volta do Senhor Jesus (I Jo 2:28), sabendo que o justo pratica a justiça, isto é, continuamente aplica o sangue de Cristo sobre si em toda ocasião que percebe estar se afastando da comunhão com Deus.

http://cezarazevedo.com.br/01-a-mensagem-de-i-joao/

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“Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus nosso Senhor.” (Rm 6:23)

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