A chave do coração

04 – Compreendendo como se deixar moldar por Deus

“Ora, o Senhor é o Espírito; e onde está o Espírito do Senhor aí há liberdade. Mas todos nós, com rosto descoberto, refletindo como um espelho a glória do Senhor, somos transformados de glória em glória na mesma imagem, como pelo Espírito do Senhor.” (II Co 3:17,18)

O cristão vive em duas dimensões distintas, a primeira diz respeito ao seu corpo exterior, bem como o mundo que o circunda e a outra afeto ao seu interior, as condições de seu coração (II Co 4:16). Muitos entendem que Deus salva o coração, não fazendo questão de como os outros aspectos da vida cristã sejam conduzidos; outros entendem que o mais importante é a aparência das coisas, mesmo que o coração não reflita esta realidade. A verdade é que Deus opera no coração e a fé é manifesta a todos, razão porque devemos agradar a Deus na totalidade de nosso viver (Cl 1:10). Há um salmo que expressa esta verdade:

“Sejam agradáveis as palavras da minha boca e a meditação do meu coração perante a tua face, Senhor, Rocha minha e Redentor meu!” (Sl 19:14)

A ênfase do cristianismo moderno, contudo, não diz respeito às mudanças que se processa no íntimo do ser, mas os pastores têm ensinado incessantemente que Deus muda as circunstâncias em que o ser está inserido. Neste sentido quem está desempregado vai encontrar um trabalho; quem trabalha não será demitido; quem se esforça alcançará seu objetivo; quem tem uma mentalidade positiva superará todas as adversidades; quem estiver enfermo será curado; tudo porque, segundo estes pregadores modernos, Deus é poderoso para mudar as circunstâncias. Um dos textos que mais atestam esta possibilidade, para estes pastores, tem sido uma palavra do apóstolo Paulo aos Filipenses:

“Posso todas as coisas naquele que me fortalece.” (Fl 4:13)

A leitura que se faz deste texto descontextualizado é o de tornar possível toda e qualquer mudança de circunstância no sentido da transição na escala social. Se é pobre o indivíduo pode ser rico; se é ignorante pode ser escolarizado; se é empregado pode ser patrão; se mora de aluguel pode ter casa própria; todas estas assertivas no sentido de mudança de circunstância, ou seja, o indivíduo tem poder para mudar de situação se crer em Deus. Este texto está descontextualizado porque os versos anteriores retratam uma outra realidade:

“Não digo isto por causa de necessidade, porque já aprendi a contentar-me com as circunstâncias em que me encontre. Sei passar falta, e sei também ter abundância; em toda maneira e em todas as coisas estou experimentado, tanto em ter fartura, como em passar fome; tanto em ter abundância, como em padecer necessidade.” (Fl 4:11,12)

Paulo não advoga a tese que Deus muda as circunstâncias, mas uma outra pouco ensinada, contudo profundamente verdadeira: Deus é Senhor das circunstâncias, portanto toda e qualquer situação que nos encontramos foram moldadas por Ele para o nosso bem. Assim Paulo podia afirmar que lhe era possível contentar-se com qualquer circunstâncias que se encontrasse, seja aquela que lhe permitiria viver em riquezas, seja as que lhe impunha uma situação de pobreza material.

A verdade é que as circunstâncias funcionam como o molde de Deus para nos formar a imagem de Cristo. É por esta razão que Jó pode dizer contentar-se tanto com a perda quanto com a riqueza que outrora tinha, porque um e outro provinham da parte de Deus para o seu bem. Nós não devemos nos perguntar:

“O que é preciso eu fazer para mudar as circunstâncias de minha vida?”,

Nós devemos perguntar:

“O que eu preciso fazer para mudar minha perspectiva dentro da situação que eu me encontro?”

Esta pergunta nos reporta a condição de como está processando nossa mentalidade diante dos problemas que a vida se nos apresenta. Isto porque o processo para deixarmos as condicionantes do velho homem, ou seja, de nossa antiga maneira de responder aos problemas da vida, para que possamos exercer as prerrogativas de filhos de Deus, o novo homem que foi criado em verdadeira justiça e santidade, é preciso que renovemos o espírito de nossa mente por meio da palavra de Deus (Ef 4:22-24).

O que nós precisamos entender é que não nos cabe pedir a Deus que mude as circunstâncias de nossa vida, porque elas foram moldadas para formar nosso caráter cristão, mas que mude nossa mente em relação a estas mesmas circunstâncias porque somente assim estaremos formando em nós a imagem de Cristo.

Vamos exemplificar esta verdade com duas situações vivenciadas pelos discípulos do Senhor. Na primeira o Senhor deu a eles uma ordem para cruzar o mar de um lado para o outro, com o Senhor dentro do barco. Enquanto o Senhor dormia no barco o mar ficou revolto, quase levando o barco a pique. Os discípulos, com medo, acordaram o Senhor e foram repreendidos por Ele por estarem com medo e não exercer a fé. Então o Senhor acalmou as ondas, deixando-os maravilhados (Mt 8:23-27).

Num segundo momento o Senhor aumentou a dificuldade da prova. Agora ficou em terra e deu a mesma ordem aos discípulos para que atravessassem o mar. Estando no meio da jornada o mar ficou revolto. Os discípulos, contudo, perseveraram em remar. Jesus foi ao encontro deles, andando sobre as águas, como quem ia passar adiante. Os discípulos se assustaram pensando tratar-se de um fantasma. Jesus se fez conhecer e entrou no barco, acalmando as águas. Eles ficaram novamente surpresos com tudo o que se passara (Mc 6:47-51). A diferença é que nesta segunda prova o Senhor ia passando adiante deles porque sabia que eles tinham aprendido a lição de enfrentar as circunstâncias adversas do mar com fé em Deus.

O que percebemos é que a ênfase do Senhor não era com relação às circunstâncias em si, mas com a condição do coração de seus discípulos. Isto porque cruzar o mar era uma atividade comum aos discípulos, feita incontáveis vezes, agora ter confiança em Deus em quaisquer circunstâncias que experimentassem nas sucessivas travessias era o alvo proposto pelo Senhor, razão de Paulo dizer: “já aprendi a contentar-me com as circunstâncias em que me encontre” (Fl 4:11).

Quando nós nos dedicamos a contentar-nos com as circunstâncias que nos encontramos estamos realmente em condições de aprender a tratar nosso coração diante de Deus. Isto porque não estaremos fugindo do molde feito pelo Senhor, antes nos sujeitaremos a ele para que, por meio das aflições, possa ser extraido de nós o que não agrada a Deus. Este é o conceito ensinado pelo Senhor a Nicodemos acerca dos que é nascido no Espírito. Diz o Senhor:

“O vento sopra onde quer, e ouves a sua voz; mas não sabes donde vem, nem para onde vai; assim é todo aquele que é nascido do Espírito.” (Jo 3:8)

O vento é o ar em movimento, cuja intervenção afeta o estado das coisas por onde ele passa, portanto, capaz de modificar as circunstâncias. Do ponto de vista natural o vento tem, por exemplo, condição de exercer influência sobre “a densidade, ecologia e comportamento dos mosquitos” (1). Esta é a idéia do vento do Espírito sobre todo aquele que nasceu de Cristo Jesus, se deixar levar pela condução soberana e amorosa do vento do Espírito, se deixando guiar em meio às circunstâncias que lhe é dado a experimentar. Paulo, por exemplo, ao ter um encontro com o Senhor se colocou em obediência a voz do Senhor perguntando o que devia fazer (At 9:10); Ananias também foi orientado pelo Espírito para ir ao encontro de Saulo, mesmo tendo sérias restrições quanto a sua pessoa (At 9:13); ambos se deixaram conduzir pelo Espírito de Deus, mudando completamente a rota que naturalmente haviam de seguir. Se deixar levar pelo vento a que o Senhor fez referência é se colocar a serviço do Senhor, se deixar guiar pelo Espírito de Deus.

DADOS DA PESQUISA COM MOSQUITOS

Para este tipo de estudo pesquisadores estudaram o comportamento dos mosquitos em Ilha Comprida.SP, aspirando-os com aspiradores manuais movidos à pilha em 31 diferentes capturas em diferentes horas do dia por um período de um ano.

Nesta pesquisa capturaram 11.833 mosquitos. Os pesquisadores concluíram que os “Ae.scapularis” chamou a atenção pela sua densidade apreciável, com pico de atividade no horário pós-crepúscular vespertino, estendendo-se até as 20h, em seguida, decrescendo até o pré-crepúscular matutino, quando novamente apresentou ligeiro aumento”. Perceberam também que os “An. Marajoara” é “um mosquito de hábito noturno, uma vez que o seu pico de atividade foi a partir das 2h, estendendo-se até as 5h.”. Os pesquisadores entenderam que o vento influenciava o comportamento dos mosquitos, mesmo porque uma outra pesquisa tivera o mesmo resultado.

“Segundo Service (2), o vento pode ser considerado fator de inibição para o mosquito durante a procura de um hospedeiro para sugar. Uma velocidade acima de 3,0 km/h, reduziria drasticamente esse vôo apetente. Por este motivo adotou-se esse valor como critério de separação dos grupos de comparação (vento x mosquito). O resultado obtido mostrou redução da freqüência de mosquitos à medida em que a velocidade do vento aumentou. … Embora não tenha sido medida é possível que, em determinadas circunstâncias, ventos fortes transportem passivamente os mosquitos. Trata-se de dado importante, particularmente na área estudada, onde os ventos são constantes, em maior ou menor intensidade”

(1) http://www.scielo.br/
(2) Service MW. Effects of wind on the behaviour and distribution of mosquitoes and blackflies. Int J Biometeorol 1980;24:347-53 in http://www.scielo.br/

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