A Bíblia é a revelação de Deus

07 – A Bíblia revela a criação dos céus e da terra (2)

E viu Deus tudo quanto tinha feito, e eis que era muito bom; e foi a tarde e a manhã: o dia sexto. (Gn 1.31)

Jó é conhecido por sua paciência por tudo quanto sofreu, bem como o que resultou da extraordinária experiência da qual passou (Tg 5:10). Todavia, a maior descoberta que Jó fez, que resultou* na mudança de sua sorte, diz respeito a revelação que ele passou a ter de Deus: “Bem sei eu que tudo podes, e nenhum dos teus pensamentos pode ser impedido” (Jó 42.2). Jó havia perdido todos seus bens, enfrentara a morte de seus filhos e passara por terrível enfermidade. Em seu sofrimento questionou duramente a Deus, visto não perceber em sua atitude nada que justificasse o tratamento que, presumia, estava recebendo. Seus três amigos procuravam incriminá-lo, porque entendiam que somente alguém que fosse pecador poderia receber semelhante tratamento. Mas Jó tinha ainda um quarto amigo que o chamou a razão de várias maneiras, entre elas, questionando-o nos seguintes termos: “Tens por direito dizeres: Maior é a minha justiça do que a de Deus?” (Jó 35.2). A intervenção do seu quarto amigo permitiu que o próprio Deus lhe dirigisse a palavra, ao que o Senhor lhe perguntou:

Agora cinge os teus lombos como homem; e perguntar-te-ei, e, tu, responde-me. Onde estavas tu quando eu fundava a terra? Faze-mo saber, se tens inteligência. (Jó 38.3,4)

Para que realmente possamos entender a soberania divina, precisamos voltar nossos olhos para contemplar tudo quanto o Senhor Deus tem criado, porque diante da magnitude de tudo quanto o Senhor fez, só podemos ter uma atitude: a de nos render em solene adoração diante do Deus criador dos céus e da terra e confiar plenamente nEle.

No primeiro dia Deus ordenou o aparecimento da luz. A luz expressa a suprema santidade de Deus, a qual levou o salmista a exclamar: “… na tua luz veremos a luz” (Sl 36.9b), porquanto Deus “habita na luz inacessível; a quem nenhum dos homens viu nem pode ver” (I Tm 6:16b). Aqui, uma contraposição, a luz inacessível onde Deus se encontra, se assim podemos nos expressar, em nada tem relação com a luz natural criada no primeiro dia. Contudo podemos dizer que assim como somos dependentes da luz natural, o somos da luz que procede de Deus, a única que nos permite ver-nos como realmente o somos, porquanto tendo Isaías contemplado a glória de Deus declarou: “…ai de mim, que vou perecendo! Porque eu sou um homem de lábios impuros e habito no meio de um povo de impuros lábios; e os meus olhos viram o rei, o SENHOR dos Exércitos!” (Is 6.5).

No segundo dia Deus criou o universo, formado pelo conjunto de tudo quanto existe, desde as galáxias, as estrelas, os sois, os planetas e toda a matéria disseminada no espaço, bem como a totalidade do tempo. A Bíblia declara que quando Deus criou a expansão a qual chamou “céus”, separou águas das águas, colocando-as nas regiões superiores e inferiores. Esta separação é um mistério ainda a ser analisado com maior profundidade porque, seja a razão pelo qual foi necessária esta separação, o segundo dia é o único em que não termina com a expressão que tudo quanto foi feito era bom. Pode ser que a referência a necessidade de separar alguma coisa de outra trouxesse o prenúncio de alguma rebelião por parte dos seres criados, porquanto tudo quando Deus faz tendo do caos à ordem, visto que Deus não pode replicar a Si mesmo. Assim, é provável que foi neste dia que os anjos se rebelaram contra Deus.

A dimensão do universo é impossível de ser medida, pois o universo visível possui um raio de 13,7 bilhões de anos luz, que é idade aproximada do universo, todavia seu verdadeiro tamanho é desconhecido. Segundo os dados astronômicos é possível levantar os seguintes números (http://atlas.zevallos.com.br/universe.html):

Número de superaglomerados no universo visível = 270.000

Número de grupos de galáxias no universo visível = 500 milhões

Número de galáxias grandes no universo visível = 10 bilhões

Número de galáxias anãs no universo visível = 100 bilhões

Número de estrelas no universo visível = 2.000 bilhões de bilhões

Diante da grandiosidade do universo, podemos ter a compreensão da incomensurável grandeza divina, porquanto por maior que seja o universo, o Senhor o mediu a palmos, conforme está escrito: “Quem mediu com o seu punho as águas, e tomou a medida dos céus aos palmos, e recolheu em uma medida o pó da terra, e pesou os montes e os outeiros em balanças?” (Is 40.12).

No terceiro dia Deus voltou sua atenção ao planeta terra, preparando-o para a tornar habitável com o propósito de criar o homem. O planeta terra formou-se a 4,54 bilhões de anos atrás, sendo o único corpo celeste conhecido tido por habitável. Segundo a Wikipédia:

A Terra é o terceiro planeta mais próximo do Sol, o mais denso e o quinto maior dos oito planetas do Sistema Solar. É também o maior dos quatro planetas telúricos. É por vezes designada como Mundo ou Planeta Azul.”

Neste dia o Senhor Deus fez surgir oceanos e determinou que a terra produzisse relva verde e árvore frutífera que dêem sementes. Conforme dados da Wikipédia os oceanos ocupam 71% da superfície da terra, com área aproximada de 361 milhões de quilômetros quadrados, chegando em certos lugares a 11.000 metros de profundidade no Pacífico, lugar este conhecido como fossa das Mariana. Para se ter ideia do que significa o poder de Deus, o Tsunami do Japão em 11 de março de 2011 foi resultado de um terremoto de 9 graus na escala Richter. Só o terremoto teve a força de 16.000 bombas atômicas Por outro lado às ondas do Tsunami atingiram 23 metros de altura devastando uma área próxima a 400 quilômetros quadrados e sua força chegou a deslocar o eixo do planeta. O Centro de Alerta de Tsunamis informou que o alcance das ondas deste tsunami espraiou do México até a costa do Pacífico da América do Sul. Contudo todo este poder liberado não é nada comparado ao poder do Deus Todo-Poderoso. A palavra de Deus reafirma que o Senhor colocou tudo debaixo de seus pés, inclusive tudo o que passa pelas veredas dos mares (Sl 8:6,8) e acrescenta em outro lugar: “Tu dominas o ímpeto do mar; quando as suas ondas se levantam, tu as fazes aquietar” (Sl 89.9).

No que diz respeito as plantas, segundo o Wikipédia, “existem cerca de 350.000 espécies de plantas, definidas como plantas com semente, briófitas, fetos e seus semelhantes. Por volta de 2004, cerca de 287.655 espécies tinham sido identificadas, das quais 258.650 são plantas com flor, 16.000 briófitas, 11.000 fetos e 8.000 algas verdes”. Ao criar o reino vegetal o Senhor Deus estabeleceu Sua primeira lei, que haveria de refletir em tudo o mais que fora criado: o fruto deveria ser segundo a mesma espécie do que lhe deu origem (Gn 1:11). A lei aplicada à criatura reflete a imutabilidade de Deus, um de seus atributos não morais, visto que como em Deus tudo é perfeito, nada pode ser melhorado, nem piorado, não há margem para mudança em tudo quanto Deus faz conforme está escrito: “Porque eu, o SENHOR, não mudo…” (Ml 3:6) e em outro lugar: “…Pai das luzes, em quem não há mudança, nem sombra de variação” (Tg 1.17b). Uma vez dada a Sua lei, ela permanece tal como foi proposta, porquanto “o conselho do SENHOR permanece para sempre…” (Sl 33:11) e ainda: “…meu conselho será firme, e farei toda a minha vontade” (Is 46.10b).

A imutabilidade do conselho divino está firmemente enraizada na imutabilidade do próprio Deus, porquanto Ele é absolutamente perfeito. Segundo o teólogo Thiessen a imutabilidade divina “consiste em sempre fazer o que é certo e em adaptar o tratamento de suas criaturas às variações de seu caráter e conduta”. Uma vez dada a lei, nada poderá revogá-la. Se a lei for quebrada sua sentença é a morte, contudo se o pecador for avisado e se arrepender, o Senhor Deus pode revogar a sentença, conforme está escrito: “se a tal nação, contra a qual falar, se converter da sua maldade, também eu me arrependerei do mal que pensava fazer-lhe” (Jr 18.8). Na imutabilidade de Deus está refletida também a Sua santidade, porquanto por santidade declaramos que Deus é “absolutamente separado de todas as Suas criaturas e exaltado sobre elas, e que Ele é igualmente separado da iniquidade moral e do pecado” (Thiessen).

No segundo dia vimos que Deus criou os anjos e alguns deles, comandado por Lúcifer se rebelaram contra Deus. Também no terceiro dia houve uma rebelião, desta feita, da própria natureza. Na língua hebraica esta rebelião fica bem evidenciada, no português ela se percebe na tradução de Almeida Revisa e Atualizada. Aprendi acerca desta rebelião com a leitura dos escritos do físico Gerald L. Schroeder. Ainda que muito dos seus argumentos sejam questionáveis, esta referência faz sentido quando comparamos a ordem dada com seu cumprimento:

A ordem:

E disse: Produza a terra relva, ervas que dêem semente e árvores frutíferas que dêem fruto segundo a sua espécie, cuja semente esteja nele, sobre a terra. E assim se fez. (Gn 1:11)

O cumprimento:

A terra, pois, produziu relva, ervas que davam semente segundo a sua espécie e árvores que davam fruto, cuja semente estava nele, conforme a sua espécie. E viu Deus que isso era bom. (Gn 1:12)

Em que pese o fato de Deus ter visto que era bom o que fora criado, o cumprimento não fora exatamente como a ordem, porquanto Deus dissera para erva dar semente e ela deu tal como lhe fora ordenado, contudo a ordem para a árvore era que em sendo frutífera, desse fruto. Observe a distinção entre ordem e cumprimento: – a ordem: “árvores frutíferas que dêem fruto” e – o cumprimento: “árvores que davam fruto”. A ordem era que a árvore fosse ela própria frutífera, contudo ela não obedeceu tal como lhe fora dito, dando ela própria o seu fruto.  A ideia inclusa na ordem é que a folha, os galhos e o caule da árvore fosse em si mesmo, comestível, tal como o fruto produzido por ela, contudo, por alguma razão a árvore recusou ser a si mesma comestível, dando apenas o seu fruto.

Nós podemos perceber o resultado desta rebelião da natureza em três momentos. Primeiro, quando Adão caiu, não só ele, mas a terra foi amaldiçoada por causa de sua desobediência. Está escrito: “…maldita é a terra por tua causa” (Gn 3:17) e “Ela te produzirá espinhos e abrolhos” (Gn 3:18a). Em uma primeira leitura o juízo sobre a terra parece ter sido demasiado duro, visto que quem causara a queda fora o homem, contudo se houve uma rebelião anterior da parte da natureza, faz sentido ela também ser amaldiçoada junto com o homem.

Outro texto pode ser entendido no mesmo contexto, este escrito pelo apóstolo Paulo: “Porque a criação ficou sujeita à vaidade, não por sua vontade, mas por causa do que a sujeitou” (Rm 8.20). Levando em conta que a árvore recusou a ser, em si mesmo, frutífera, levando em conta que a queda de Lúcifer foi anterior, isto é, no segundo dia, portanto no mesmo dia em que fora criado, podemos entender que Lúcifer exercera sobre a natureza a mesma influência maligna que induzira o homem em sua queda. Talvez a prova mais contundente de que a própria natureza se rebelara contra Deus esteja na passagem em que Jesus amaldiçoou a figueira. Vamos ler o texto:

Vendo de longe uma figueira que tinha folhas, foi ver se nela acharia alguma coisa; e, chegando a ela, não achou senão folhas, porque não era tempo de figos. Jesus, falando, disse à figueira: Nunca mais coma alguém fruto de ti. E os seus discípulos ouviram isso. (Mc 11.13,14)

Note que Jesus amaldiçoou a figueira por não ter fruto. Ocorre que o próprio autor, Marcos, explicara que não era tempo de figos. A pergunta é: por que Jesus amaldiçoou a figueira se ainda não chegara o tempo do fruto? Se a ordem inicial para a árvore frutífera fosse a dela própria ser comestível, por certo ela não estava cumprindo com este propósito quando o Senhor a encontrou, por isso fora amaldiçoada.

A rebelião da natureza é uma clara evidência da distinção entre o Criador e a criatura e que nenhum atributo divino se tornou inerente à natureza do que fora criado, porquanto se assim fosse, poderíamos dizer que Deus e a natureza são de uma mesma natureza. O que denota que os atributos divinos precisam ser aprendidos por suas criaturas, razão porque a imutabilidade do conselho de Deus se torna à sua criatura, no caso, a natureza, uma ordem que deve ser cumprida em sua integra, caso contrário ela também fica à mercê do juízo divino, conforme se lê:

Mas os céus e a terra que agora existem pela mesma palavra se reservam como tesouro e se guardam para o fogo, até o Dia do Juízo e da perdição dos homens ímpios. (II Pd 3.7)

Fonte e base para os estudos: Mcllwain, Trevor. Everson, Nancy. Alicerces Firmes: da Criação até Cristo. Anápolis, Missão Novas Tribos do Brasil, 1997

pensador

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“Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus nosso Senhor.” (Rm 6:23)

 

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