A arte de liderar

08 – Líderes não são semideuses

Amiga: Muitos de nós temos exercido ministérios por anos. Se nós, que estamos à frente, mesmo com experiência, temos tido dificuldade para liderar, imagine como estão aqueles que estão começando.

Cezar: Bem, liderar é a dificuldade em geral dos cristãos. Os americanos sempre foram formados com base em princípios de lideranças, os brasileiros na modalidade de chefia, por isso temos tanta dificuldade de formar líderes. O que para o americano é natural, para nós precisa ser ensinado.

Cezar: Não sei se você já observou, tudo que o americano começa a fazer começa por um discurso que comove a plateia. Esta é uma característica de liderança, primeiro você vende a visão, então depois cuida do varejo.

Amiga: Entendi. Precisamos muito investir em formação de líderes cristãos com base em princípios genuínos da palavra de Deus.

Cezar: Deixa-me dizer um dos grandes problemas que temos hoje sobre formar qualquer coisa que seja na igreja. Nós não gastamos tempo para afinar visão uns com os outros. Instintivamente tememos que surja um ponto que cause ruptura, assim, vamos formando equipe sem aprofundarmos visões. Assim cada um fica pensando que o outro já sabe onde vai chegar.

Cezar: Tome por exemplo um ministério qualquer. Provável seja uma equipe composta de mais de um integrante. Agora eu lhe pergunto: em que momento o líder sentou-se com esta equipe para deixar claro o verdadeiro papel do ministério? Chegaram a conversar sobre o papel de cada um e qual o perfil do cristão que se pretende alcançar, em relação àqueles que foram ministrados por este ministério? Se fizeram, com que profundidade?

Amiga: Sim, é preciso com que todos se comprometam com a visão, seja do ministério em particular, ou da igreja, de modo geral e que desenvolvam seus dons à partir desta visão.

Cezar: Verdade. É preciso saber se discutiram as estratégias, os problemas, as limitações? Se ser líder é criar novas realidades, é formar equipes vencedoras, é compartilhar visão, então como ele demonstra que está interagindo com sua equipe?  Dons é para ministrar sobre outros, missão é o espaço de sua atuação, mas liderar é guiar outros. Percebe como o que age como chefe reforça a atuação individualista?

Amiga: Vejo assim: o líder precisar influenciar outros a dar continuidade na missão de Deus.

Cezar: Sim, concordo e creio que cada ministério cristão precisa estar devidamente alinhado, tendo todos um mesmo parecer, para que possam trabalhar baseado na unidade.

Amiga: Vejo que toda formação de líder deve ter esse foco.

Cezar: Sim, concordo com você. O problema é que os que estão atuando nos ministérios cristãos não tem o hábito de fazer reflexão sobre sua atitude de liderança a luz do que realmente é ser líder. Muitos pensam que são líderes apenas porque recebem determinado cargo, agindo, na verdade, conforme o seu próprio jeito de ser. Não aceitam serem redarguidos e, quando são questionados, ficam irritados, mais se desculpando do que se propondo a aprender. Vou lhe mostrar como era na igreja primitiva. Leia:

Tendo tido Paulo e Barnabé não pequena discussão e contenda contra eles, resolveu-se que Paulo, Barnabé e alguns dentre eles subissem a Jerusalém aos apóstolos e aos anciãos sobre aquela questão. (At 15.2)

Amiga: Não entendi como este texto diz respeito à liderança.

Cezar: Note a frase: “não pequena discussão”. Paulo e Barnabé realmente estavam interessados em que as coisas entre eles fossem esclarecidas. Não se conhece realmente um ao outro se não houver um mínimo de fraqueza entre eles. Quando se fica medindo palavra para falar, podemos até manter uma boa amizade, mas não haverá aprofundamento do que realmente existe no coração.

Cezar: A conversa franca é natural no processo de liderança, na igreja primitiva se discutia muito as coisas porque eles queriam chegar no âmago da verdade. Nós não estamos habituado a este tipo de enfrentamento. Leia:

Ora, estes foram mais nobres do que os que estavam em Tessalônica, porque de bom grado receberam a palavra, examinando cada dia nas Escrituras se estas coisas eram assim. (At 17.11)

Cezar: O líder falava e o liderado examinava se o dito estava de acordo com a Bíblia. Hoje, se alguém fizer isso, será considerado rebelde, porque ele tem de aceitar tudo calado, sem questionar o que lhe é dito porque seu líder é visto quase como um semideus.

Cezar: O líder precisa estar preparado e tem necessidade de aprofundar suas convicções o tempo todo, como Paulo, que se deixava questionar pelos bereianos.

Amiga: É verdade.

Cezar: Geralmente os diretores de ministérios entendem que o nome do ministério, por si só, já define o que se pretende dele e que todos seus integrantes entendem porque fazem parte da equipe. Então começa-se a trabalhar em conjunto sem uma clara visão do que realmente estão pretendendo alcançar. É fácil perceber que as coisas são desse jeito porque não há conversas de aprofundamento entre líderes e liderados, mesmo porque não se tem esta prática, preferindo se relacionarem de forma superficial a enfrentar realmente as diferenças existentes entre eles. O que aconteceria se cada um pudesse externar sua visão? Será que a conversa perduraria até que todos ficassem convictos de uma visão comum entre eles para empreenderem em unidade?

Amiga: Humm. Espero que os diretores atuem deste modo.

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“Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus nosso Senhor.” (Rm 6:23)

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