Generosidade: fundamento e regulador da prosperidade

38 A real função da colheita

E digo isto: Que o que semeia pouco pouco também ceifará; e o que semeia em abundância em abundância também ceifará. (II Co 9.6)

Antes de entrar no âmago deste texto é preciso desconstruir algumas coisas. Alguns pregadores tem o entendimento que sua função é tornar a mensagem da Bíblia significativa para seus ouvintes. Para estes é preciso fazer aplicações contemporâneas da palavra de Deus. Em parte é esta mesmo a função do pregador, ministrar a palavra de Deus para sua geração. No que diz respeito a oferta, diante do texto da colheita abundante e proporcional ao plantio, o entendimento é simplista: Se ofertar, no contexto atual é doar certa quantia monetária na arca do tesouro, então a missão do pregador é o de tornar esta verdade tão clara que ninguém possa fugir dela. Então ele diz algo do tipo: ofertar é doar dinheiro e, quanto maior for a quantia, maior a abundância da colheita. Prossegue o pregador dizendo: quem pode ofertar R$ 10.000,00, R$ 5.000,00, R$ 1.000,00 e assim por diante, decrescendo a quantia. Para este pregador, ele está facilitando o entendimento do cristão para que este seja capaz de dimensionar sua própria colheita. Qual o problema deste tipo de ministração? É que em momento algum, em todas as ocasiões que Paulo tratou sobre a questão da oferta, ele usou o termo: “dinheiro”. Quais termos Paulo aplicou como sinônimo de oferta? E por que Paulo evitou usar o termo “dinheiro”?
 
Paulo ministrou sobre ofertas em várias de suas cartas usando diferentes terminologias, tais como: esmolas e ofertas (At 24.717), coleta feita aos santos (I Co 16.1), coleta para os pobres (Rm 15.26), comunicação de um serviço (II Co 8.4), administração deste serviço (II Co 9.12), prova de administração (II Co 9.13), administração feita aos santos (II Co 9.1), liberalidade de vossos dons (II Co 9.13), dádiva (I Co 16.3), beneficência (II Co 9.11), benção (II Co 9.5) e abundância. Por outro lado quando Paulo faz referência exclusivamente ao termo dinheiro, ele declara: “o amor do dinheiro é a raiz de toda espécie de males; e nessa cobiça alguns se desviaram da fé e se traspassaram a si mesmos com muitas dores” (I Tm 6.10).

Se Paulo foi tão rico em usar de sinônimos que traduzem o ato de ofertar, porque não usou o termo dinheiro? Não seria muito mais simples e mais claro? Vamos examinar esta questão sob outro ângulo, voltemo-nos para a educação sexual das crianças. Quando não havia o advento da televisão, nem do livro impresso, a criança só conhecia de fato as diferenças entre os sexos em sua idade adulta, praticamente no casamento. Obviamente não estamos falando daquelas situações conhecidas que toda a família vivia no mesmo aposento, sendo os atos sexuais feitos pelos adultos visto com frequência pelas crianças. Fazemos menção da concepção regular da educação, que considerava o assunto sexual tabu, mesmo entre os adultos, pouco se falava nele. Em dado momento se chegou ao entendimento que este conceito de educação estava absolutamente errado, portanto era preciso ser mais claro com a criança, mostrando por meio de figuras as diferenças sexuais entre um e outro. O que, a primeira vista, facilita o entendimento, abre a caixa de pandora, porquanto instiga a busca do ato sexual mesmo na infância. De certo modo a expressão nua e crua do termo “dinheiro” cria as mesmas emulações dentro do ofertante. A sinalização de valores para ele, se por um lado o desafia, por outro move suas estruturas internas, podendo instigar, inclusive, a cobiça pela mera multiplicação de seus ganhos. A razão desta emulação dos sentimentos é que, mesmos salvos, vivemos neste mundo caído com corpos corruptíveis, sujeitos ao pecado.

Outro aspecto a ser observado é que não podemos ser contradizentes com a palavra. O ensino claro das escrituras é que precisamos de uma série de coisas para viver, contudo devemos colocar em primeiro lugar o reino de Deus (Mt 6.33), que não podemos viver ou morrer para nós mesmo (Rm 14.7) porque “se vivemos, para o Senhor vivemos; se morremos, para o Senhor morremos. De sorte que, ou vivamos ou morramos, somos do Senhor” (Rm 14.8). Assim, não faz sentido algum fazermos ofertas para aumentar nosso patrimônio, ainda que o texto pareça nos dar esta impressão: quem muito semeou, muito colheu. Para compreender melhor esta questão, façamos referência ao texto de Max Weber intitulado “A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo”. A sociedade estava saindo do período feudal, entrando na era do desenvolvimento industrial. Em paralelo houvera a reforma protestante, livrando os cristãos dos aguilhões das trevas. Dois valores estavam sedimentados entre os crentes da época: o valor do trabalho como expressão da vocação e a necessidade da poupança como proteção contra a vaidade. Naquela época o calvinismo impôs a todos o dever de trabalhar sistemática e racionalmente, encorajando o planejamento e a abnegação ascética. Em síntese se ganhava dinheiro porque se trabalhava, mas não podia gastar porque feria a consciência cristã pelo usufruto do lazer tendo em vista a necessidade dos pobres. A síntese do trabalho e poupança foi a formação do capital, visto que, quanto mais emprego fosse gerado, maior o número de beneficiários de sua própria riqueza. Esta força propulsora do trabalho e capital alavancou o capitalismo insipiente até surgir grupos não cristãos que discordavam da abstenção do gozo do fruto do trabalho por meio da poupança, gerando o que hoje chamamos o consumismo.

Exemplifiquemos o raciocínio. Digamos que você tenha uma renda de R$ 1.000,00. Deduzindo o dízimo de 10% e mais oferta, você fique com o resultado líquido de R$ 800,00. Neste caso este é o valor total de seu patrimônio. Se você converter parte deste recurso em uma bicicleta de R$ 500,00, seu patrimônio passa a se constituir de R$ 300,00 em dinheiro e R$ 500,00 em imobilizado (bicicleta). Se você transforma esta bicicleta em uma prestadora de serviço, digamos, entrega de pizza, a bicicleta se torna uma fonte de renda e geradora de emprego. Portanto sua aplicação está beneficiando outra pessoa. Agora se a mesma bicicleta for usada para seu lazer, neste caso o produto da sua renda se volta para seu próprio benefício. No início do capitalismo os cristãos estavam focados em transformar suas rendas em fontes de rendimentos para beneficiar outros, razão da rápida expansão da industrialização. O que esta lição nos ensina é que realmente ao ofertamos, teremos colheita na proporção de nosso plantio, a pergunta que devemos nos fazer é: qual a finalidade da colheita?

http://cezarazevedo.com.br/01-nao-podemos-desconsiderar-nossos-pressentimentos/

http://cezarazevedo.com.br/37-o-que-realmente-e-colheita-abundante/

http://cezarazevedo.com.br/39-o-verdadeiro-principio-da-colheita-abundante/

pensador

    http://cezarazevedo.com.br/plano-de-salvacao-por-pergunta/

    http://cezarazevedo.com.br/estudo-para-novo-convertido-0110/

    http://cezarazevedo.com.br/estudo-para-batismo-0110/

    http://cezarazevedo.com.br/ministracao-para-libertacao-interior-e-perdao/

“Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus nosso Senhor.” (Rm 6:23)

Leave a Comment