Generosidade: fundamento e regulador da prosperidade

39 O verdadeiro princípio da colheita abundante

E digo isto: Que o que semeia pouco pouco também ceifará; e o que semeia em abundância em abundância também ceifará. (II Co 9.6)
mas para igualdade; neste tempo presente, a vossa abundância supra a falta dos outros, para que também a sua abundância supra a vossa falta, e haja igualdade, como está escrito: O que muito colheu não teve de mais; e o que pouco, não teve de menos. (II Co 8.14,15)

Para entendermos o princípio da colheita abundante precisamos retornar ao que Paulo dissera antes. Quando nós dissociamos o princípio da semeadura com o contexto, a interpretação dada faz ênfase na prosperidade material do ofertante. A conclusão lógica é quanto maior for à oferta, maior o retorno. No rastro deste retorno os pregadores tendem a motivar o ofertante com visualização de todos os benefícios que as riquezas lhe traz: belíssima residência, carro último modelo, roupas das melhores marcas, férias requintadas, pouco trabalho, muito usufruto. Alguns pastores, para dar ênfase à  esta prosperidade chegam a dizer que tem ojeriza de pobre, certo sentimento de aversão, uma antipatia gerada pela intuição de que pobreza é maldição. Vê o pobre com desdém, como um tipo de gente que se acomoda com sua má sorte. A pergunta que devemos nos fazer é se a palavra de Deus realmente abona este tipo de concepção da colheita abundante. Será realmente que a palavra de Deus condena o homem que se acha no direito de reter para si riquezas, para liberar ela ao ofertante? Ao ímpio é tido por um ato de loucura acumular bens, mas o cristão lhe é permitido? Este tipo de conclusão é muito estranho e destoante, não conduz com o espírito do evangelho. É como se a oferta permitisse ao cristão criar bolsões de riquezas em meio a miséria, por certo, à medida que aumenta seu patrimônio, também este necessariamente se isola da comunidade, procurando comprar para si residências em condomínios fechados, pois como prosperam cada vez mais no sentido de acumular riqueza, tem de lidar com o que o Senhor Jesus disse: “Não ajunteis tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem tudo consomem, e onde os ladrões minam e roubam” (Mt 6.19).

Precisamos entender o princípio da colheita abundante com o contexto em que está inserido o texto. Sabemos que cada um de nós que recebemos a Cristo como Senhor e Salvador, nos tornamos membros do corpo de Cristo. Está escrito: “vós sois o corpo de Cristo e seus membros em particular” (I Co 12.27). Assim, todos nós, ricos e pobres, judeus e gentios, estamos ligados a um mesmo corpo e este fato se dá em razão de termos o mesmo Espírito Santo. Leiamos com atenção o ensino de Paulo: “todos nós fomos batizados em um Espírito, formando um corpo, quer judeus, quer gregos, quer servos, quer livres, e todos temos bebido de um Espírito” (I Co 12.13). Paulo declara enfaticamente que o rico e o pobre, o empregador e o empregado, o empreendedor e o funcionário, todos, em sendo cristãos, pertencemos a um mesmo corpo, temos um mesmo Espírito. Sabemos também que servimos todos a um mesmo Deus, está escrito: “há um só corpo e um só Espírito, como também fostes chamados em uma só esperança da vossa vocação; um só Senhor, uma só fé, um só batismo; um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, e por todos, e em todos” (Ef 4.4-6). Precisamos ter esta verdade muito clara, o mais rico dentre os cristãos compartilha o mesmo Espírito Santo com o mais pobre dentre eles, isso é indubitavelmente verdadeiro. Sabemos que o mesmo Deus que o rico e o pobre, o empreendedor e o funcionário servem, é Deus justo e verdadeiro, que não pode mentir. Ninguém jamais ousaria colocar a palavra de Deus em dúvida, o homem mente, Deus jamais. Está escrito: “Sempre seja Deus verdadeiro, e todo homem mentiroso, como está escrito: Para que sejas justificado em tuas palavras e venças quando fores julgado” (Rm 3.4).

Agora, se Deus é perfeitamente justo e temos no corpo de Cristo o rico e o pobre, porque a riqueza está tão desproporcionalmente distribuída? Foi Deus injusto para com o pobre em detrimento do rico? De modo algum! Deus jamais cometeria semelhante injustiça. Então porque aquele ofertante que muito deu, colheu em abundância? Para quem ele deu? Paulo fez questão de ressaltar: o ofertante deu ao cristão agravado pela pobreza (II Co 8.4). Por que o cristão ofertou? Paulo responde com segurança: como prova sincera de seu amor (II Co 8.8). O que acontece com este cristão que tão generosamente oferta de sua riqueza para o pobre? Paulo responde, sua colheita é proporcional à sua oferta (II Co 9.6). Até aqui tudo parece concordar com os teólogos da busca incessante das riquezas materiais. O problema é que o texto em II co 9.6 está distante de II Co 8.14,15, portanto o pregador pode perder facilmente a conexão e descontextualizar a aplicação do texto. Neste caso ele encontra na colheita abundante como prova soberana que Deus está a liberar o acumulo de riqueza para o bem estar do cristão enriquecido pelas bênçãos de Deus. Mas é isso que diz o contexto? Alto lá! Generosidade é antídoto para a avareza e avareza significa retenção de riqueza para benefício próprio. Vamos entender a luz da palavra porque Deus dá abundante colheita para o ofertante.

O Senhor Deus tem um princípio importante: Ele concede generosamente ao corpo de Cristo todo o suficiente para suprir todas as necessidades deste mesmo corpo. Está escrito: “O meu Deus, segundo as suas riquezas, suprirá todas as vossas necessidades em glória, por Cristo Jesus” (Fl 4.19). O problema é que Deus não distribui estas riquezas equitativamente, a todos ao mesmo tempo, antes ele dá a alguns porque encontra nestes coração generoso para repartir com o que precisa, conforme o mesmo principio da colheita: “mas para igualdade; neste tempo presente, a vossa abundância supra a falta dos outros, para que também a sua abundância supra a vossa falta, e haja igualdade, como está escrito: O que muito colheu não teve de mais; e o que pouco, não teve de menos” (II Co 8.14,15). O que o Senhor está a demonstrar é que o ofertante recebe abundante colheita, proporcional ao que ofertou porque ele tem um coração generoso, vai continuar ofertando do que recebe, visto que seu coração generoso não lhe permite fechar seus olhos para a necessidade do corpo de Cristo. Simplificando, um cristão teria direito a ter um relógio de ouro, quando todos os cristãos do corpo de Cristo em que ele está inserido, tivesse a mesma possibilidade dele. Enquanto isso não acontece, provável, seu relógio de ouro (um símbolo de ostentação patrimonial) pode ser nada mais do que a expressão concreta e cristalização do ronco do estomago do cristão que passa fome neste mesmo corpo. Neste caso este relógio, apresentado aqui como um símbolo, nada mais é que a demonstração que o ofertante endureceu seu coração, porquanto não levou em conta que aquilo que ele tem, Deus lhe deu como canal para atender aquele que, por muitos motivos, tem dificuldade de receber direto da parte de Deus. Em síntese, quando colhemos muito, a primeira pergunta que devemos fazer é: Senhor, quem recebeu de menos para que eu possa compartilhar?

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“Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus nosso Senhor.” (Rm 6:23)

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