Generosidade: fundamento e regulador da prosperidade

41 amando uns aos outros generosamente

E digo isto: Que o que semeia pouco pouco também ceifará; e o que semeia em abundância em abundância também ceifará. (II Co 9.6)
mas para igualdade; neste tempo presente, a vossa abundância supra a falta dos outros, para que também a sua abundância supra a vossa falta, e haja igualdade, como está escrito: O que muito colheu não teve de mais; e o que pouco, não teve de menos. (II Co 8.14,15)

Há um princípio importante no ensino das escrituras, o da fidelidade ao texto bíblico, “Porque nada podemos contra a verdade, senão pela verdade” (II Co 13.8). Por este princípio cada verdade enunciada nas escrituras tem o seu próprio papel, não podemos ressaltar uma verdade denegrindo a outra. Não é o que acontece na pregação da busca incessante das riquezas materiais. Ao enfatizar a busca pela riqueza mediante a oferta sob a benção da colheita abundante, os pregadores têm feito questão de frisar que pobreza é maldição da qual devamos exercer fé para nos vermos livre dela. O ensino notadamente tem por premissa a ascensão social, razão porque ele quase sempre vem acompanhado de ilustrações do valor e da importância da riqueza para o bem estar pessoal. Obviamente não há nenhum obstante do exercício da fé para esta ascensão, se torna um problema quando transformamos a pobreza em degrau para os nossos pés porque, neste caso, vemos o pobre como um ser destituído de seu valor intrínseco como ser humano. Se ser pobre o torna maldito, porque haveríamos de ter por ele compaixão? Por que o rico haveria de usar de sua prosperidade para ajudar o pobre? Que valor teria a generosidade aos que fazem da oferta com sua colheita abundante mecanismo para ascensão social? O que se percebe é que os pregadores com seus discursos, na ânsia de fazer alguém prosperar, está criando um ambiente de animosidade entre o pobre e o rico e, sob esta ótica, temos sido culpados de causar dissensão no corpo de Cristo.

O ensino de Paulo acerca de generosidade com a consequente colheita abundante está calcado no discernimento que somos corpo de Cristo, ligados todos pelo mesmo Espírito Santo. Esta unidade do corpo é tão significativa que faz da alegria e tristeza de um único membro ser sentida por todos os demais, tal como um espinho no pé traz dor a todo o corpo. Está escrito: “De maneira que, se um membro padece, todos os membros padecem com ele; e, se um membro é honrado, todos os membros se regozijam com ele” (I Co 12.26). O que Paulo está a demonstrar é que o sofrimento de um exige a mobilização de todos para atenuar a necessidade deste. É sob esta ótica que compreendemos um dos maiores mistérios da igreja primitiva, o de colocar todos os bens em mútuo benefício. Vamos ler mais de perto esta passagem:

E perseveravam na doutrina dos apóstolos, e na comunhão, e no partir do pão, e nas orações. Em cada alma havia temor, e muitas maravilhas e sinais se faziam pelos apóstolos. Todos os que criam estavam juntos e tinham tudo em comum. Vendiam suas propriedades e fazendas e repartiam com todos, segundo cada um tinha necessidade. E, perseverando unânimes todos os dias no templo e partindo o pão em casa, comiam juntos com alegria e singeleza de coração, louvando a Deus e caindo na graça de todo o povo. E todos os dias acrescentava o Senhor à igreja aqueles que se haviam de salvar. (At 2.42-47)

Podemos destacar a intensidade da comunhão dos primeiros cristãos em vários aspectos. Primeiro eles se destacavam na profundidade do entendimento da palavra de Deus. Temos de entender que estamos com a primeira geração daqueles que aprenderam diretamente do Senhor em Seu ministério terreno. A palavra de Deus naqueles dias agia no seu vigor máximo em função da intensa exposição de todo seu conteúdo centrado em Cristo conforme lemos: “Porventura, não ardia em nós o nosso coração quando, pelo caminho, nos falava e quando nos abria as Escrituras?” (Lc 24.32). Este vigor deveria ser o mesmo hoje, não há nenhuma perda de poder em Deus, mesmo porque o Espírito Santo veio para nós como outro Consolador (Jo 14.16), alguém que atua no mesmo nível do Senhor, tanto é verdade que em outro lugar lemos: “Assim, a palavra do Senhor crescia poderosamente e prevalecia. (At 19.20)”. Podemos dizer que a característica maior da igreja primitiva era esta capacidade de se deixar desnudar e se entregar totalmente à transformação produzida pela palavra do Senhor como está escrito: “todos nós, com cara descoberta, refletindo, como um espelho, a glória do Senhor, somos transformados de glória em glória, na mesma imagem, como pelo Espírito do Senhor” (II Co 3.18).

Como resultado desta intensa exposição à palavra com sua consequente submissão, a igreja primitiva perseverava na comunhão, no partir dos pães e na oração. Não uma comunhão restrita ao local de adoração, antes aquela nutrida pelo desejo sincero do profundo interesse um pelo outro em toda a extensão de suas necessidades. O temor de Deus que movia a igreja não era fruto tão somente do relacionamento que cada um tinha com o Seu Senhor, mas da profunda percepção de serem corpo de Cristo, pois “Pois todos nós fomos batizados em um Espírito, formando um corpo, quer judeus, quer gregos, quer servos, quer livres, e todos temos bebido de um Espírito” (I Co 12.13). O resultado deste discernimento no temor do Senhor era a gloriosa manifestação de Deus no meio do Seu povo por meio de maravilhas e sinais. Assim eles não podiam ter outra atitude senão a generosidade de uns para com os outros. Lhes era impossível vivenciar a comunhão sem que isso fosse extensivo a repartição de seus bens, por isso lemos: “Todos os que criam estavam juntos e tinham tudo em comum. Vendiam suas propriedades e fazendas e repartiam com todos, segundo cada um tinha necessidade” (At 2.44,45). A igreja primitiva, na verdade, compreendeu o que Paulo mais tarde ensinou: “mas para igualdade; neste tempo presente, a vossa abundância supra a falta dos outros, para que também a sua abundância supra a vossa falta, e haja igualdade, como está escrito: O que muito colheu não teve de mais; e o que pouco, não teve de menos” (II Co 8.14,15). Eles claramente se permitiram se tornar canais de bênçãos uns para os outros, o rico cuidando do mais pobre de forma a haver igualdade. Esta disposição de repartir seus bens nada mais era que prova sincera do amor de uns para com os outros decorrente do amor de Deus para com eles.

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“Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus nosso Senhor.” (Rm 6:23)

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