Generosidade: fundamento e regulador da prosperidade

43 Nem por tristeza, nem por constrangimento

Cada um contribua segundo propôs no seu coração, não com tristeza ou por necessidade; porque Deus ama ao que dá com alegria. E Deus é poderoso para tornar abundante em vós toda graça, a fim de que, tendo sempre, em tudo, toda suficiência, superabundeis em toda boa obra, conforme está escrito: Espalhou, deu aos pobres, a sua justiça permanece para sempre. (II Co 9.7-9)

Existe uma linha tênue entre a busca incessante das riquezas materiais e a generosidade como fundamento da colheita abundante. A primeira propõe que transformemos a oferta como fonte de ganho pessoal e bem estar, pois seu propósito está no acumulo de riqueza, em contradição com o ensino da palavra que nos faz buscar o reino de Deus em primeiro lugar. A generosidade entende que tudo provêm de Deus e somos responsáveis em gerenciar o que Ele tem posto em nossas mãos, sem jamais perder de vista que somos corpo de Cristo, portanto não podemos nos alegrar se alguém está padecendo necessidades. Temos dito que há uma tendência para destacar o texto da colheita abundante de todo o contexto, fazendo uma interpretação isolada, prometendo a todos o quão rico alguém pode se tornar mediante a oferta. Para mover os homens a darem cada vez mais, prometem-lhes casa, carro e tudo que se enquadra no melhor desta terra, esquecendo-se que vivemos em um mundo corrompido pelo pecado, que jaz no Maligno e que “tudo o que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não é do Pai, mas do mundo” (I Jo 2.16).

Voltemo-nos ao texto, o que realmente significa a oferta e a benção dela decorrente? Como devemos entender o princípio da colheita abundante? Observe que Paulo coloca como medida para ofertarmos a generosidade de nosso coração fundada na alegria de contribuir na casa do Senhor. A oferta não pode ser motivo nem de tristeza, nem de constrangimento, isto porque a palavra de Deus declara que podemos facilmente nos enganar com as pessoas, como foi o caso da pobre viúva, cuja oferta foi por todos reputado como insignificante, todavia aos olhos do Senhor Jesus, ela fora, naquela ocasião, a única que dera todo seu sustento (Mt 12.44), proporcionalmente falando, fizera muito mais do que todos à sua volta. A pobre viúva expõe o que está escrito: “do avarento nunca mais se dirá que é generoso” (Is 32.5). O que temos demonstrado que o ato da oferta potencializa a luta entre a carne e o Espírito visto termos duas naturezas, a do velho e novo homem. A velha natureza é movida por sentimentos, enquanto que a nova pela fé. Quando se oferta algo ao Senhor, a velha natureza reconhece neste ato não um serviço espiritual, mas um negócio do tipo ganha, ganha. Ela não aceita perder o que está sendo dado, antes quer encontrar meios de ser reposto para si o que entende lhe ser de grande valor. Ele não está interessado na alegria e no benefício que o outro terá com sua oferta, mas fazendo as contas das vantagens que este ato trará para si. Ao mover-se por seu interesse pelo ganho proveniente da oferta, ele demonstra não ser o amor ao próximo a causa primaria de sua oferta, antes sua própria avareza. Assim, sua motivação em ofertar está toda ela fundada no egoísmo, não na sua generosidade, portanto enquanto seu ganho pessoal não for assegurado, seu coração se reveste de tristeza.

Outro fator determinante na disposição de ofertar decorre do constrangimento em relação ao ato. A oferta hoje tem se tornado sinônimo de espiritualidade, a chave para abrir todas as comportas da riqueza material, o diferencial entre o cristão apático e o fervoroso de espírito. É preciso chamar atenção a este fato porque o ofertante pode estar sendo constrangido, isto é, forçado, subjugado, dominado, coagido, compelido, envergonhado ou embaraçado pelo pregador ou por seus irmãos à sua volta. E a razão principal deste constrangimento são os crescentes custos da manutenção da casa do Senhor. Precisamos entender uma coisa, em questão de finanças, todos estamos sendo provados de alguma forma. Antigamente, quando um pastor sentia que o orçamento de sua igreja não estava atendendo as necessidades, ele evitava por si mesmo, conclamar a igreja em aumentar seus dízimos e ofertas, visto que estaria pregando em benefício próprio. Este pastor tinha, então, o cuidado de convidar um pastor de fora, alheio a situação financeira de sua igreja, para que este ministrasse o ensino da palavra de Deus sobre o assunto. Com isso ele buscava evitar ser levado por seu próprio interesse na ministração da palavra de Deus. Hoje este cuidado não existe mais, antes os lideres ministeriais entendem que todos os custos da igreja devem ser suportado pelos membros daquela congregação, isto é estatutário, é uma responsabilidade inerente aos filiados daquela igreja. Obviamente este drama faz parte do contexto do chamamento à oferta, porquanto quem o faz, por mais discernimento e equilíbrio tenha, não deixa de estar fazendo apologia de suas próprias necessidades. Sobre esta questão Paulo escreveu:

Outras igrejas despojei eu para vos servir, recebendo delas salário; e, quando estava presente convosco e tinha necessidade, a ninguém fui pesado. Porque os irmãos que vieram da Macedônia supriram a minha necessidade; e em tudo me guardei de vos ser pesado e ainda me guardarei. (II Co 11.8,9)

Pois sois sofredores, se alguém vos põe em servidão, se alguém vos devora, se alguém vos apanha, se alguém se exalta, se alguém vos fere no rosto. (II Co 11.20)

Ao dar testemunho de si, Paulo faz observar que não é este o comportamento de outros líderes cristãos. Se por um lado ele busca precaver-se de jamais ser fardo para seus irmãos, outros não tem a mesma preocupação, colocando o povo de Deus em servidão, fazendo-os ofertar por constrangimento, não por voluntariedade. O que se pode observar é que toda a ambientação para se colher a oferta deve ser fundada no amor e na palavra de Deus, não no sentimento, nem na necessidade premente. 

http://cezarazevedo.com.br/01-nao-podemos-desconsiderar-nossos-pressentimentos/

http://cezarazevedo.com.br/42-aplicacao-do-principio-da-generosidade/

http://cezarazevedo.com.br/44-ofertando-com-alegria-de-coracao/

pensador

    http://cezarazevedo.com.br/plano-de-salvacao-por-pergunta/

    http://cezarazevedo.com.br/estudo-para-novo-convertido-0110/

    http://cezarazevedo.com.br/estudo-para-batismo-0110/

    http://cezarazevedo.com.br/ministracao-para-libertacao-interior-e-perdao/

“Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus nosso Senhor.” (Rm 6:23)

Leave a Comment