Generosidade: fundamento e regulador da prosperidade

44 Ofertando com alegria de coração

Cada um contribua segundo propôs no seu coração, não com tristeza ou por necessidade; porque Deus ama ao que dá com alegria. E Deus é poderoso para tornar abundante em vós toda graça, a fim de que, tendo sempre, em tudo, toda suficiência, superabundeis em toda boa obra, conforme está escrito: Espalhou, deu aos pobres, a sua justiça permanece para sempre. (II Co 9.7-9)

Se por um lado nossas ofertas não devam ser com tristeza ou por necessidade, por outro devemos expressar alegria na realização deste ato, pois quem assim oferta é o amado de Deus. Voltemo-nos a considerar a motivação para ofertar, havia um objetivo em foco – os recursos eram necessários para suprir as necessidades dos cristãos pobres de Jerusalém. Devemos observar que a alegria não era nutrida pelo ato de tirar o recurso do bolso para colocar na arca do tesouro pensando consigo qual seria o tamanho de sua colheita, antes o que estava em foco era o amor ao próximo. Esta dimensão tem estado ausente dos apelos, porquanto todos os textos citados na Bíblia são para fortalecer o conceito da recompensa, pouco se fala das necessidades que serão atendidas com os recursos. Não se ouve falar do estomago roncando, das almas perdidas, dos projetos missionários, se alguma coisa é mencionada, não se tem relatório dos resultados alcançados. O que se observa é culto após culto, ofertas sendo levantadas sem conexões com aqueles verdadeiramente necessitados. A consequência é o fortalecimento da convicção que o ato de ofertar mais beneficia quem o faz do que aquele que recebe.

Façamos uma digressão para entendermos a alegria do ofertante. Nós fomos criados por Deus tendo impresso em nosso coração o senso da eternidade (Ec 3.11), razão porque só conseguimos ser plenamente satisfeito se o Senhor Deus ocupar o centro de nossas atenções. Em sendo verdade esta impressão que carregamos dentro de nós, nosso maior objetivo deveria ser o de nos colocarmos no centro da vontade de Deus, onde reside tudo quanto há de bom, agradável e perfeito para nós (Rm 12.2). Nosso afeto, portanto, necessariamente tem por foco a presença do Senhor com todas Suas bênçãos decorrentes. Como Deus é Espírito (Jo 4.25), nós só podemos encontrá-lo onde Ele próprio tenha dito que possa estar. Por certo podíamos encontrá-lo facilmente no jardim do Éden, na viração do dia (Gn 3.8), infelizmente o pecado com a consequente queda nos separou de Deus (Is 59.2) e agora só podemos chegar em Sua bendita presença nas condições proposta por Ele. O Senhor Deus ordenou a Moisés que construísse um santuário para que o Senhor habitasse com Israel (Ex 25.8). No lugar mais importante do santuário, o lugar santíssimo, haveria de ser colocada a arca da aliança, tendo sobre ela um propiciatório feito de ouro batido. Este propiciatório correspondia a imagem de dois anjos, com suas asas um tocando o outro, ambos olhando fixamente para o centro da arca da aliança. Este seria o local por meio do qual Deus falaria com o Seu povo, porquanto nele a perfeita justiça do Senhor estaria preservada, porquanto a arca da aliança nos remete a mediação feita por Jesus Cristo na cruz nos reconciliando com Deus (Ex 25.22).

Os anos se passaram e chegamos no governo do rei Davi. Este se propôs a edificar para o Senhor um local como repouso para a arca da aliança (I Cr 28.2). Davi compreendera que toda e qualquer atividade que venhamos a realizar neste mundo só tem sentido quando centrada em Deus. Compreendera também que não há como desfrutar da presença de Deus senão mediante a adoração prestada ao Senhor. Ainda que seu desejo tenha sido a mais profunda expressão de seu coração, o Senhor lhe fez saber que o templo seria construído não por ele, mas por seu filho Salomão (I Cr 28.6). Ainda que fosse tolhido da oportunidade dele próprio construir o templo, o rei Davi não ficou inerte, antes se propôs a ofertar todo material necessário à sua construção. Ele deu o seguinte testemunho de si:

“Eu, pois, com todas as minhas forças já tenho preparado para a Casa do meu Deus ouro… e prata… e cobre… e ferro… e madeira… e pedras sardônicas, e as de engaste, e pedras de ornato, e obra de embutido, e toda sorte de pedras preciosas, e pedras marmóreas em abundância. E ainda, de minha própria vontade para a Casa do meu Deus, o ouro e prata particular que tenho demais eu dou para a Casa do meu Deus, afora tudo quanto tenho preparado para a casa do santuário” (I Cr 29.2,3).

Ato contínuo à oferta apresentada pelo rei Davi, todo o povo também moveu-se irmanado no mesmo propósito conforme lemos: “E o povo se alegrou do que deram voluntariamente; porque, com coração perfeito, voluntariamente deram ao SENHOR; e também o rei Davi se alegrou com grande alegria” (I Cr 29.9). Tanto o rei Davi quanto o povo tinha plena consciência que estavam ofertando de seu patrimônio e de sua renda para a construção do templo do Senhor, lugar este que manifestaria a presença de Deus junto ao Seu povo. Este ato voluntarioso era produto da profunda consciência que eles tinham do senhorio divino sobre todas as suas posses como está escrito: “Porque quem sou eu, e quem é o meu povo, que tivéssemos poder para tão voluntariamente dar semelhantes coisas? Porque tudo vem de ti, e da tua mão to damos” (I Cr 29.14). Este é o pleno sentido daquilo que Paulo mencionou como o “dar com alegria”. No grego o termo alegria é “hilaridade”, que tem o significado de prontidão para fazer qualquer coisa que seja necessário imbuído do espírito de voluntariedade e alegria, de real contentamento pelo que faz, não cabendo em si de alegria. Se fizermos algumas transposição da aplicação do feito de Davi com o que fazemos na oferta compreenderemos a razão de nossa alegria. Davi fora chamado para reunir material para edificar o templo do Senhor, nós temos a ordenação de ir por todo o mundo, pregando o evangelho a toda criatura com o objetivo de trazê-las para o reino de Deus. O templo de Israel era o lugar da habitação de Deus junto ao povo, cada alma que recebe a Jesus como Senhor se torna templo de Deus e habitação do Espírito Santo (I Co 3.16). Para que o templo fosse construído, material precisava ser ofertado, para que almas sejam alcançadas recursos precisam ser levantados. Como ninguém pode viver para si, senão para o Senhor (Rm 14.8), então temos na oferta uma oportunidade impar de nos juntar ao povo de Deus no esforço de realizarmos a vontade de Deus na terra. Esta é uma posição de honra que nos está concedida e todo aquele que se levanta a ofertar não pode fazer com outro espírito senão o de profunda gratidão por ter experimentado tão grande salvação e ser participante do Espírito Santo, irmanados em um mesmo corpo, o corpo de Cristo. 

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“Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus nosso Senhor.” (Rm 6:23)

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