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A conexão entre o evangelho, o discipulado e o reino de Deus

Daí por diante, passou Jesus a pregar e a dizer: Arrependei-vos, porque está próximo o reino dos céus. (Mt 4.17)

E, tendo anunciado o evangelho naquela cidade e feito muitos discípulos, voltaram para Listra, e Icônio, e Antioquia, fortalecendo a alma dos discípulos, exortando-os a permanecer firmes na fé; e mostrando que, através de muitas tribulações, nos importa entrar no reino de Deus. (At 14.21,22)

Caro amigo! Dileta amiga! Hoje vamos conversar sobre a conexão que existe entre o evangelho, o discipulado e o reino de Deus e, depois, vamos demonstrar quais habilidades devemos desenvolver para aumentar nossa convicção que caminhamos para este bendito reino celestial.

O evangelho tem por escopo as boas novas pré-anunciadas por João Batista e, depois, ministradas pelo próprio Senhor Jesus Cristo. Estas boas novas se traduzem na reconciliação entre Deus e os homens feita por intermédio do sacrifício vicário do Senhor Jesus na cruz do calvário. A pregação do evangelho consistia anunciar a Cristo, conclamando todas as pessoas ao arrependimento, para que pudessem entrar no reino dos céus.  

Por arrepender-se entenda como fazer uma meia volta, mudar completamente de atitude para com Deus e com os homens, reconhecer-se pecador e indigno, aceitando que ao morrer na cruz, Jesus estava assumindo legalmente o seu lugar, levando sobre ele os seus pecados. Assim, com a morte de Cristo você mesmo estava morrendo juntamente com ele, de modo que a ressurreição do Senhor lhe trouxe uma nova vida, regenerando-o, dando-lhe um novo coração e um novo espírito humano, tornando-o apto a ser morada de Deus, razão porque imediatamente a regeneração, o Espirito Santo passou a habitar em você.

Desde que exercemos nossa fé, recebendo a Cristo como nosso Senhor e Salvador, conforme expõe o apóstolo Paulo, “foi crucificado com ele o nosso velho homem, para que o corpo do pecado seja destruído, e não sirvamos o pecado como escravos” (Rm 6.6). Talvez você me pergunte: – mas quem e este velho homem?

Todos nós, que nascemos de mulher, recebemos uma qualidade de vida que se esgota com o passar dos anos. Esta vida é designada no Novo Testamento como psique, ou seja, vida que tem sua sustentabilidade na alma e que, cumprindo seu ciclo de existência, resulta na morte do indivíduo. A palavra de Deus descreve este resultado final como sendo o salário do pecado, que é a morte. Assim como Jesus se deixou batizar nas águas do rio Jordão, se identificando com nossa existência mortal, sua morte na cruz cumpriu este desiderato.

Ao ser levantado das águas, Jesus estava pré-anunciando sua ressurreição. Assim, por ser nosso representante legal diante de Deus, ao ressuscitar, nos permitiu assumir a Sua vida, nos fazendo nascer de novo. Assim, desde o instante em que recebemos a Cristo como Salvador, nos tornamos uma nova natureza, as coisas velhas deixaram de existir. Este evento de natureza espiritual deve ser apropriado por nós por meio da fé baseado nos ensinos que recebemos da parte de Deus por meio das escrituras sagradas, a Bíblia.

É em decorrência desta obra que gerou em nós uma nova natureza que temos a necessidade de nos tornar discípulos do Senhor. Por discípulo entenda como sendo alguém, que ouvindo a mensagem do evangelho e, por consequência, o convite para entrar no reino de Deus, se apresenta como apto e desejoso de aprender do seu mestre como conduzir sua existência até consumar sua fé. Como disse Jesus, quando o discípulo assume esta disposição, em sendo “bem instruído será como o seu mestre” (Lc 6.40). Por consequência ser discípulo de Jesus é imitar seu modo de viva em todos os aspectos da existência humana.

Se antes a existência findava com a morte física, agora, nesta nova realidade espiritual, a nova natureza recebida nos dá por direito e em realidade a vida eterna. Esta é a razão do Senhor Jesus fazer a seguinte apresentação de Si mesmo: “Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá” (Jo 11.25). Uma vez que rompemos o limite da morte, nossa atual existência nos conduz para o reino de Deus.

Colocando o reino de Deus como uma meta futura, o que estamos a declarar é que haverá um tempo em que as realidades como a conheceremos passarão por um profundo processo de mudança. Esta transformação não só afetará cada crente, como também o próprio planeta Terra e os céus. João traduz esta visão nos seguintes termos: “Vi novo céu e nova terra, pois o primeiro céu e a primeira terra passaram, e o mar já não existe” (Ap 21.1).

Este novo céu e Terra não serão um mundo estático, mas dinâmico. Muitos se perguntam como se dará a vida neste novo universo. Sabemos de antemão que as coisas preparadas por Deus para gozo eterno estão muito acima de nossa capacidade de compreensão. Contudo, se tão somente nos restringimos ao básico do básico, podemos retornar as páginas iniciais da Bíblia para termos um mínimo de noção como será. Isto porque quando Deus criou os céus e a terra como nós conhecemos, e o homem com sua mulher, ao final do processo, Deus mesmo declarou que tudo quanto fora criado era muito bom.

É por esta razão que, ao lermos o capítulo 4 e 5 do Apocalipse, que retrata os santos, a igreja de Jesus Cristo, contada desde o primeiro século até o último a ser alcançado nesta era, como na figura de anciãos, como se lê: “Ao redor do trono, há também vinte e quatro tronos, e assentados neles, vinte e quatro anciãos vestidos de branco, em cujas cabeças estão coroas de ouro” (Ap 4.4). Estes 24 anciãos são representativos de nossa posição celestial, pois haveremos de ser “raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus” (I Pd 2.9).

Do ponto de vista temporal, desde o momento em que recebemos a Cristo como Senhor e Salvador, até se consumar todas as coisas e adentrarmos na eternidade com corpos ressurretos, estamos trilhando uma jornada, percorrendo um caminho que é, por excelência, estreito, contudo nos fazendo andar em direção a este reino celestial que nos foi prometido.

Uma vez que assumimos nossa nova natureza e, compreendido que estamos caminhando em direção ao reino de Deus, nenhum conhecimento desta natureza terrena nos habilita a conduzir nossa existência em direção a estas novas realidades espirituais. Um exemplo de como a dimensão espiritual se sobrepõe àquela que conhecemos foi exposto pelo apóstolo Paulo nos seguintes termos:

Porque todas as coisas existem por amor de vós, para que a graça, multiplicando-se, torne abundantes as ações de graças por meio de muitos, para glória de Deus. Por isso, não desanimamos; pelo contrário, mesmo que o nosso homem exterior se corrompa, contudo, o nosso homem interior se renova de dia em dia. Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós eterno peso de glória, acima de toda comparação, não atentando nós nas coisas que se vêem, mas nas que se não vêem; porque as que se vêem são temporais, e as que se não vêem são eternas. (II Co 4.15-18)

Nesta instrução do apóstolo Paulo somos chamados a reconsiderar a totalidade do universo e de nossa existência como sendo o cenário por meio do qual Deus manifesta Sua glória. Paulo reconhece que, mesmo que nós já estejamos dotados da vida eterna, ainda assim temos de conviver com um corpo terreno, inapto para as novas realidades espirituais, por isso tendo a tendência de se corromper até se exaurir na morte natural.

Mesmo assim, há uma realidade interior que se sobrepõe a esta fraqueza corpórea, pois no íntimo do nosso ser temos uma nova natureza, a que Paulo nomeia como sendo um homem interior espiritual que faz do corpo humano sua habitação temporária. Assim, enquanto nossa psique humana tende a considerar somente a existência que se exaure na morte, este novo homem interior tem a perspectiva em si mesmo de vida eterna.

Esta é a razão de Paulo conclamar que não mais podemos atentar para as coisas terrenas, que são de natureza eminentemente temporais, mas para as que são eternas. Uma vez percebido esta nova dimensão que se sobrepõe a vida terrena, somos por esta percepção, despertado a desenvolver-nos consoante a estas novas realidades espirituais.

Assim, o verdadeiro discípulo do Senhor assentado aos pés de seu mestre Jesus Cristo, aprende de Deus a, em primeiro lugar, fortalecer sua alma. Isto porque nós temos a tendência de considerar tudo restrito a esta existência por nos faltar conhecimento de como agir segundo os princípios do reino de Deus. Um exemplo, quando somos agredidos temos a tendência de revidar, Jesus, contudo, nos ensinou que se somos feridos em uma face, devemos oferecer a outra. Este comportamento decorre de uma completa mudança de perspectiva de quem somos e qual é nossa missão neste mundo.

Devemos também desenvolver nossa fé para que não venhamos a nos deixar abater por qualquer circunstância que nos sobrevenha. A fé é um dom dado por Deus que nos capacita a enxergar as realidades espirituais e agir consoante a elas, porquanto o exercício desta fé nos leva a presença de Deus, nos posicionando como totalmente dependente Do Senhor e de Sua bendita graça.

Por fim, como estamos em uma caminhada em direção a consumação de todas as coisas, quando o reino de Deus será plenamente manifesto, todo este caminho percorrido ainda se dá em meio a condições extremamente adversas. Esta é a razão porque a caminhada que nos leva ao reino de deus exige que passemos por muitas tribulações.

As tribulações nada mais são que todo desarranjo que tira nossa perspectiva de eternidade e nos faz ficar inseguros quanto ao que fazer no tempo presente. É por isso que para sermos capazes de vencermos as tribulações precisamos nos equipar com o ensino da palavra de Deus, para termos uma fé firmada na rocha que é Jesus e, fortalecidos na alma, possamos prosseguir resoluto até nosso destino final, qual seja, estarmos para sempre na presença de Deus.

Encerro com uma aplicação bem simples de como, no mesmo ambiente, podemos processar os eventos na perspectiva terrena ou na celestial. Pedro, em vendo Jesus andando sobre as águas, pediu para ele próprio fazer o mesmo. Naquele instante o mar estava revolto, quase fazendo submergir o barco onde se encontravam. Pedro desceu do barco olhando para Jesus e, a semelhança do Mestre, andou sobre as águas. Contudo quando mudou seu campo de visão e passou a considerar tão somente o mar em seu entorno, começou a afundar. Foi quando voltou novamente seus olhos ao Senhor e clamou por socorro, sendo novamente posto de pé, voltando para o barco andando sobre as aguas.

Assim ser discípulos é, na verdade, desenvolver a habilidade de andar com o Senhor, quaisquer que sejam as tribulações que passe. Em desenvolvendo esta habilidade haverá de aumentar nossa confiança que de fato vamos entrar no reino de Deus como nos foi prometido na pregação do evangelho.

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