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A importância em distinguir o membro em particular do corpo de Cristo

Ora, vós sois corpo de Cristo; e, individualmente, membros desse corpo. (I Co 12.27)

Caro amigo! Dileta amiga! Neste texto vamos falar acerca do corpo de Cristo. Parece tão elementar este assunto que nem caberia em um texto. Ledo engano! Ainda que possa parecer simples, a identidade do corpo de Cristo confunde muitos cristãos, razão porque devemos deter neste assunto.

Antes de tratar deste tema, gostaria que você fizesse uma rápida visualização. Pense por um instante no momento em que você está chegando à sua igreja. Neste dia, em especial, você chegou alguns minutos depois do culto começar, assim, ao cruzar os umbrais da porta se depara com uma multidão assentada, ouvindo o pastor fazendo a abertura do culto. Quando você se depara com esta cena, o que você vê? O que está diante de você? Será que você está vendo homens, mulheres, jovens e crianças sentados de costa para você e mais à frente, o púlpito com musicistas de um lado, o pastor no centro com microfone na mão, tecendo alguns comentários? É esta a cena que veio em sua mente quando se imaginou cruzando os umbrais da porta de sua igreja? Vamos comparar esta cena, ou outra que tenha vindo em sua imagem mental com o que Barnabé viu quando chegou em Antioquia.

A notícia a respeito deles chegou aos ouvidos da igreja que estava em Jerusalém; e enviaram Barnabé até Antioquia. Tendo ele chegado e, vendo a graça de Deus, alegrou-se e exortava a todos a que, com firmeza de coração, permanecessem no Senhor. (At 11.22,23)

Jerusalém tomou conhecimento que uma nova igreja surgia em Antioquia, enviando Barnabé para fazer a devida avaliação do crescimento desta igreja. Não diz especificamente para onde se dirigiu Barnabé, mas pela fala que transmitiu tudo indica que foi a algum lugar onde pessoas estavam reunidas por causa da fé em Cristo Jesus. Chamo sua atenção sobre o impacto que esta congregação causou sobre a percepção de Barnabé, pois ele viu não uma multidão qualquer, mas a própria expressão da graça de Deus. Está incluso nesta expressão pelo menos duas verdades: – toda aquela congregação outrora fora perdida, sucumbida ao poder das trevas, agora se via liberta e regenerada, tornada santa em Cristo Jesus. Que outro nome não se pode dar a esta multidão senão a própria expressão da graça de Deus.

Aqui há uma verdade subliminar que precisa ser apreendida. Se aquela congregação era a manifestação da graça de Deus, uma multidão diferente daquela, que estava do lado de fora da porta, envolvida no seu dia a dia, completamente alheia o que se passava naquele lugar, não fazia parte da graça de Deus. Esta outra multidão, longe dos olhos de Barnabé era como um povo que anda em trevas, que vive em região e sombra da morte. Paulo ainda acrescenta:

Portanto, lembrai-vos de que, outrora, vós, gentios na carne, chamados incircuncisão por aqueles que se intitulam circuncisos, na carne, por mãos humanas, naquele tempo, estáveis sem Cristo, separados da comunidade de Israel e estranhos às alianças da promessa, não tendo esperança e sem Deus no mundo. (Ef 2.11,12)

Nós precisamos ter em mente que o mundo se divide nestas duas esferas, na verdade três, se levarmos em conta que Paulo faz uma distinção entre gentios e judeus. Assim todo o planeta terra têm somente três tipos de gente: os judeus, que são portadores das promessas de Deus do Antigo Testamento, ainda que tenham rejeitados a Cristo, os gentios que são todos os povos que não são judeus, e a igreja. Agora, observe atentamente isso. Tanto os gentios quanto os judeus são carentes de salvação de igual modo e, quando cada um  deles se convertem reconhecendo a Cristo Jesus como Senhor e Salvador, passam a fazer parte do mesmo corpo de Cristo. Leia por você mesmo:

aboliu, na sua carne, a lei dos mandamentos na forma de ordenanças, para que dos dois criasse, em si mesmo, um novo homem, fazendo a paz, (Ef 2.15)

Atente ao que Paulo diz: “dos dois”, isto é, tirando gente de entre os judeus e os gentios, todos estes que se convertem, se tornam um novo homem. Portanto a igreja é uma criação distinta de gente justificada e regenerada, sendo agora uma nova criatura em Cristo Jesus, um novo homem, uma nova criação divina. E por que é tão importante perceber esta clara distinção? Por que Israel é polo de contenda entre os povos exatamente como Paulo afirma no contexto, porquanto para que um novo homem fosse criado dentre estes dois grupos de pessoas, foi preciso derribar “a parede da separação que estava no meio, a inimizade” (Ef 2.14). Mas principalmente para deixar claro, olhando a luz de nosso país, que temos no Brasil dois grupos de gente: os justificados e regenerados, formando a igreja e os que não o são e estão perdidos em seus “delitos e pecados” (Ef 2.1).

E aqui quero fazer uma reinterpretação de um texto do Antigo Testamento que causa muita confusão, razão por ter destacado Israel. Leia por você mesmo: “Feliz a nação cujo Deus é o SENHOR, e o povo que ele escolheu para sua herança” (Sl 33.12). Este texto só se aplica a Israel no Antigo Testamento e, desde que Israel rejeitou a Cristo, a nenhuma outra nação, porquanto desde a morte, ressurreição e ascensão de Jesus, com o consequente derramar do Espírito Santo no dia do Pentecoste, o único povo que é feliz por ser escolhido de Deus é a igreja. Assim, não podemos dizer que feliz é o Brasil que tem Deus como o Senhor porque não o tem, como nenhuma outra nação o pode ter. Somente a igreja tem a Jesus como seu Senhor e Salvador. E, neste caso, não podemos levar em conta as estatísticas do IBGE para afirmar pelo quantitativo dos que se declaram cristão, se isto por si só faz uma nação bem aventurada, porque não o faz, será apenas um número maior ou menor de salvos em uma nação. Uma coisa é completamente distinta da outra, como a água o é do óleo.

Feito esta distinção entre ser ou não igreja, distinguindo o salvo do que não é salvo, vamos agora nos deter em descobrir como é constituída uma igreja aos olhos do Novo Testamento. Igreja, no grego, tem o significado de congregação, uma “comunidade composta por cristãos, que forma um corpo social organizado, instituído por Jesus Cristo”. É importante notar a palavra “organizada” na definição. Barnabé quando chegou em Antioquia encontrou uma comunidade organizada, porquanto identificada como partidária de uma mesma fé, a fé em Cristo Jesus. Isto porque temos de levar em conta que a igreja tem uma expressão universal, que são os salvos de todos os tempos reunidos em torno de Cristo Jesus, sejam os que já morreram em Cristo, sejam os que adoram a Cristo nos dias atuais e os que ainda virão a ser alcançados por Cristo. Por outro lado e, de importância vital, temos a igreja local, que é uma comunidade que se reúne de forma organizada com base na mesma fé em Cristo Jesus. É desta comunidade que vamos tratar aqui.

Esta comunidade, conhecida por igreja por ser uma congregação de pessoas de mesma fé, é conhecida também nas escrituras como sendo corpo de Cristo. Para entender isso devemos nos lembrar de João Batista. Por conta do pedido da filha de Herodias, o rei Herodes mandou decapitar João, trazendo sua cabeça em uma bandeja, entregando a jovem, que por sua vez, levou a cabeça de João Batista para sua mãe (Mt 14.11). Se a cabeça estava na bandeja, o que ficou no cárcere? Por certo foi o corpo de João Batista. Portanto quando estamos mencionando corpo de Cristo, estamos falando de toda parte que compõe o corpo, menos a cabeça. E por que esta radical distinção? Leia por você mesmo: “… Cristo é o cabeça da igreja, sendo este mesmo o salvador do corpo” (Ef 5.23),

Uma vez que conseguimos distinguir bem quem é o corpo e quem é o cabeça, podemos visualizar esta entidade criada pelo Senhor. Volte sua imaginação para sua igreja local. Imagine você cruzando os umbrais da porta. Agora você tem diante de si não mais pessoas sentadas e outras no púlpito, mas tente imaginar todos ali um sobre o outro, como se formassem um corpo humano, cada um ocupando parte deste espaço. Então você olharia para cima até enxergar o último membro e o que teria senão a forma de um corpo humano. E onde estaria a cabeça? Por cima das nuvens, nos céus. É como a cena do filme João e o pé de feijão. Um grão plantado na terra sobe até acima das nuvens onde há outro reino. Isto é a igreja, um corpo que começa se formando à partir da terra, um sobre o outro até onde é possível crescer nesta dimensão e, quando se olha para cima e nada mais enxerga, se tem a cabeça, que é Cristo, assentado a destra de Deus. Creio que você me pergunta: – como a igreja pode se constituir em um corpo, conectado a uma cabeça que está no alto dos céus? Leia por você mesmo:

Para onde me ausentarei do teu Espírito? Para onde fugirei da tua face? Se subo aos céus, lá estás; se faço a minha cama no mais profundo abismo, lá estás também; se tomo as asas da alvorada e me detenho nos confins dos mares, ainda lá me haverá de guiar a tua mão, e a tua destra me susterá. (Sl 139.7-10)

Se estamos falando de um corpo sem a cabeça porque ela é distintamente identificada como sendo o próprio Cristo, então, por ser corpo, há de se ter uma pele unificando-o, esta “pele” é o próprio Espirito de Deus, que habita individualmente em cada remido do Senhor e, quando todos congregam em um mesmo lugar, este Espírito Santo forma um único corpo, cujo cabeça está no céu, ligado pelo mesmo Espirito Santo. É por conta desta verdade que lemos: “porque o amor de Deus é derramado em nosso coração pelo Espírito Santo, que nos foi outorgado” (Rm 5.5). A dinâmica do mover do Espírito que leva nossa expressão de amor a Deus, o Pai por causa de Cristo, o Senhor, volta para nós em profusão de amor do Pai para nós mediado pelo Filho, o Senhor.

Por fim uma observação não menos importante, mas essencial. Eu, sozinho, não sou corpo de Cristo, mas membro individual deste corpo. O corpo só começa a se formar quando dois ou três estiverem reunidos em nome de Cristo Jesus, porquanto é neste momento que uma congregação está sendo formada em dado lugar. E por que é tão importante perceber esta distinção? Pense por um instante na grandeza de Deus, agora pense no que este Deus grandioso quer fazer conosco. Agora pense em nós, corpo de Cristo, como um grande templo para receber a glória deste Deus, o que resulta? Leia por você mesmo:

no qual todo o edifício, bem ajustado, cresce para santuário dedicado ao Senhor, no qual também vós juntamente estais sendo edificados para habitação de Deus no Espírito. (Ef 2.21,22)

Nós somente seremos capazes de nos tornarmos um edifício bem ajustado se estivermos reunidos em um mesmo lugar para que, por meio desta congregação que se identifica por uma mesma fé em Cristo Jesus, cresça (em número e qualidade) para ser santuário dedicado ao Senhor e, assim, sermos capazes de absorver a grandiosidade de Deus em nosso meio como habitação de Deus que somos no Espírito. Resumindo: – quanto mais salvos se reunir como congregação em um mesmo lugar, maior a manifestação da graça de Deus neste lugar ao ponto de todos serem cheios do mesmo Espírito Santo.

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