Brincando com a morte

Brincando com a morte I

Autor: Berit Kjos

Brincando com a Morte — Aprendendo a Amar o Mal e a Desejar Insaciavelmente a Violência

"Os policiais que estão investigando a matança na Universidade Virginia Tech estão procurando descobrir se o estudante Cho Seung-Hui estava imitando parte de um filme violento quando matou 32 pessoas. Os policiais acreditam que ele tenha assistido repetidamente Oldboy como parte de seu treinamento para o massacre. Esse filme sul-coreano contém cenas estilizadas de matanças e uma tentativa de suicídio e está repleto daquilo que um crítico chamou de 'violência emocional punitiva'… O vídeo que Cho enviou para uma rede americana de televisão enquanto extravasava sua fúria assassina, parece incluir fotografias dele imitando cenas do filme." [1] "Assassino Imitava Filme Violento"

"Após os disparos em Jonesboro, uma professora do nível médio me disse como seus alunos reagiram quando ela contou sobre os disparos na escola. 'Eles riram', ela me disse com espanto. Uma reação similar acontece o tempo todo nos cinemas quando há violência com muito sangue derramado. Os jovens riem, assobiam e continuam normalmente a comer a pipoca e a beber o refrigerante. Estamos criando uma geração de bárbaros que aprenderam a associar a violência com o prazer, como os romanos que se divertiam e comiam seus petiscos enquanto os cristãos eram mortos no Coliseu." [2]

"As pessoas que visitavam um ponto turístico perto de Glasgow, na Escócia, assistiram sem poder fazer nada enquanto três jovens com idades de 18, 17 e 15 anos forçaram um aterrorizado menino em idade escolar a pular de um precipício de 7,5 metros e então se cumprimentaram quando a vítima caiu nas rochas abaixo, foi a acusação lida em um tribunal ontem." [3]

"Estamos treinando nossas crianças para matar?" perguntou o tenente-coronel David Grossman, um especialista no estudo dos efeitos psicológicos do combate no ser humano. Há vários anos ele viaja por todo o mundo treinando equipes médicas, policiais e militares sobre as realidades da guerra. Ele afirma que os videogames que ensinam a apontar e disparar na verdade treinam os jovens jogadores a disparar com precisão e a matar alvos humanos, apesar da resistência natural colocada por Deus. As estatísticas dele validam suas aterrorizadoras conclusões:

"A taxa de homicídios per capita dobrou neste país entre 1957… e 1992. Entretanto, uma figura mais completa do problema é indicada pela taxa em que as pessoas estão tentando se matar umas às outras — o índice de agressões graves. Esse índice nos EUA saltou de aproximadamente 60 por 100.000 para mais de 440 por 100.000 por volta da metade desta década."

"A violência está crescendo em muitos países em que existem leis draconianas sobre armas… Há somente uma nova variável presente em cada um desses países, produzindo exatamente o mesmo fruto: a violência na mídia sendo apresentada como entretenimento para as crianças."

"As crianças não matam naturalmente. É uma habilidade aprendida. E elas a aprendem… com a violência como entretenimento na televisão, no cinema e nos videogames interativos."

"Matar requer treinamento porque há uma aversão inata a matar alguém da sua própria espécie… Dentro do cérebro há uma poderosa resistência colocada pelo próprio Deus contra matar um semelhante… Quando nós, seres humanos, ficamos dominados pela raiva e pelo medo, batemos de frente contra essa resistência do cérebro, que geralmente nos impede de matar. Somente os sociopatas — que por definição não têm essa resistência — não possuem esse sistema imunológico inato contra a violência…"

"Durante a Segunda Guerra Mundial, o general-de-brigada do Exército americano S. L. A. Marshall teve uma equipe de pesquisadores estudando o que os soldados faziam em combate… Eles descobriram que somente 15 a 20% dos homens com um fuzil se disporiam a atirar contra um soldado inimigo exposto. Os homens estavam dispostos a morrer e a se sacrificar por seu país, mas não estavam dispostos a matar. Esta é uma compreensão fenomenal sobre a natureza humana; mas quando os militares tomaram conhecimento disso, eles sistematicamente iniciaram um processo para tentar corrigir o problema."

"Os métodos de treinamento que os militares usam são a brutalização, condicionamento clássico, condicionamento operante, modelos e papéis… Exatamente como o Exército condiciona os soldados para matar, estamos indiscriminadamente fazendo a mesma coisa com nossas crianças, mas sem as salvaguardas." [2]

Notas Finais
1. Copycat: Killer Enacted Violent Film, Sky News, 19 de abril de 2007,
http://news.sky.com/skynews/article/0,,30000-1261563,00.html

2. Dave Grossman, "Trained to Kill", em
http://www.killology.com/print/print_trainedtokill.htm

FONTE: http://www.espada.eti.br/db088.asp

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