Brincando com a morte

Brincando com a morte II

Autor: Berit Kjos

1. Dessensibilização e Brutalização

"Nos acampamentos de treinamento militar, a brutalização tem o objetivo de quebrar a moral e as normas existentes e fazer o soldado aceitar um novo conjunto de valores que envolva a destruição, a violência e a morte como um modo de vida", explicou o coronel Grossman. "No fim, você fica insensibilizado para a violência e aceita-a como normal e essencial para a sobrevivência… Algo muito similar… está acontecendo com nossas crianças por meio da violência na mídia — mas em vez de rapazes de 18 anos, agora começa com bebês de 18 meses. Nessa idade, uma criança pode assistir algo acontecendo na televisão e imitar aquela ação… Quando as criancinhas vêem alguém receber um tiro, ser esfaqueado, estuprado, surrado, humilhado ou assassinado na televisão, para elas é como se aquilo estivesse acontecendo de verdade." [1] Ele deu este exemplo:

"A revista da Associação Médica Americana publicou o estudo definitivo sobre o impacto da violência na televisão. Ela comparou duas nações ou regiões que eram demográfica e etnicamente idênticas; somente uma variável era diferente: a presença da televisão. 'Em todo país, região ou cidade com televisão, há uma explosão imediata da violência nos parques infantis e dentro de 15 anos o índice de homicídios dobra. Por que quinze anos? É o tempo que leva para que a brutalização das crianças entre três e cinco anos atinja a 'idade primordial para o crime'. [2]

A Fundação da Família Henry J. Kaiser publicou outro estudo revelador no ano passado: "43% das crianças com até dois anos assistiam televisão em um dia típico e… 26% tinham um televisor em seu próprio quarto. Tempo médio gasto diante da televisão: duas horas por dia." [4]

Não é para se admirar que nossas escolas pré-primárias estejam mudando!

"Acessos de raiva não são novidade nos jardins de infância e na primeira série", escreveu Claudia Wallis, em uma matéria na revista Time em dezembro passado, "mas o comportamento de uma menina de seis anos de idade nesta primavera em uma escola em Fort Worth, Texas, fez até mesmo os funcionários mais experientes quererem correr para longe." Ela descreveu a crise:

"Quando mandaram que ela largasse um brinquedo, a garotinha começou a gritar. Quando pediram que se acalmasse, ela derrubou sua carteira e a virou de pernas para o ar, rastejou até a mesa da professora, deu chutes e tirou todas as coisas para fora das gavetas. Então as coisas começaram realmente a se deteriorar. Gritando, a menina se levantou e começou a arremessar livros contra seus coleguinhas aterrorizados, que tiveram de sair da sala para se proteger."

"Apenas um dia ruim na escola? Mais como uma má temporada. O incidente do esvaziamento das gavetas seguiu inúmeros outros atos intoleráveis por algumas das criancinhas que estudam nas escolas de Forth Worth em todo o distrito. Entre eles: Uma criança de seis anos que disse para a sua professora: "Cale a boca, sua prostituta", uma criança da primeira série que em um ataque de raiva tirou sua roupa e a lançou contra o psicólogo da escola e criancinhas histéricas do jardim de infância que mordem seus professores com tanta força que deixam marcas dos dentes."

"Estou claramente vendo um crescente número de crianças do jardim de infância e da primeira série do curso primário chamando nossa atenção por comportamento agressivo', diz Michael Parker, diretor do programa de Serviços Psicológicos no Distrito Escolar de Forth Worth." [4]

O grupo de defesa das crianças Partnership for Children [Parceria Pelas Crianças] confirma essa observação. Um relatório preliminar de seu estudo ‘mostra que 93% das 39 escolas que responderam à pesquisa disseram que as crianças do jardim de infância hoje têm ‘mais problemas emocionais e de comportamento’ do que eram vistos cinco anos atrás. Mais da metade das creches reportaram que ‘incidentes de raiva e fúria’ tinham aumentado nos últimos três anos. Estamos falando de criancinhas aqui — uma de três anos em um exemplo — que pegou um garfo e usou-o para esfaquear outra criança na testa.” [4]

"A violência está envolvendo as crianças cada vez mais novas", disse Ronald Stephens, diretor na Califórnia do Centro Nacional de Segurança das Escolas. "Inicialmente, eram as faculdades que criavam essas escolas [para alunos desordeiros e insubordinados], depois as escolas de nível médio. Agora, é na pré-escola. Quem teria imaginado anos atrás que isso estaria acontecendo?” [4]

Na verdade, o coronel Grossman imaginou. Ele citou um estudo produzido pela revista da Associação Médica Americana sobre o impacto da violência mostrada na televisão:

"Centenas de sólidos estudos científicos demonstram o impacto social da brutalização pela mídia. A revista da Associação Médica Americana concluiu que 'o aparecimento da televisão nos anos 1950 causou uma subseqüente duplicação do índice de homicídios, ou seja, a exposição da infância à televisão no longo prazo é um fator causal que está por trás de aproximadamente metade dos homicídios cometidos nos Estados Unidos, ou aproximadamente 10.000 homicídios por ano." [10 de junho de 1992]"

Logicamente, se as crianças passassem menos tempo diante da televisão, teriam mais tempo para aprender sobre Deus e as maravilhas de Sua criação. Considere estas tristes estatísticas:

"Mais da metade das crianças entre 2 e 7 anos e 82% das crianças e adolescentes entre 8 e 18 anos vivem em lares em que existe pelo menos um console de videogame." [5]

"A criança mediana assiste televisão 27 horas por semana (praticamente quatro horas por dia)."

"A criança mediana recebe mais comunicação da televisão do que dos pais e professores juntos."

"60% dos homens na televisão estão envolvidos em violência… 11% são assassinos."

"20% dos alunos do ensino médio que vivem em bairros de classe média apóiam atirar contra alguém 'que tenha roubado algo de você'."

"Após a televisão ter chegado a um cidadezinha canadense em 1973, um aumento de 160% na agressão, tapas, empurrões e mordidas foi documentado entre os alunos da primeira e segunda séries do curso primário." Nenhuma mudança foi vista em duas comunidades de controle."

"Quinze anos após a introdução da televisão nos EUA, o número de homicídios, estupros e assaltos duplicou." [2]

Notas finais

2. Dave Grossman, "Trained to Kill", em
http://www.killology.com/print/print_trainedtokill.htm

3. Arnot Mc Whinnie, "Youths forced boy to jump over cliff," The Scotsman, 3-3-04,
em http://thescotsman.scotsman.com/index.cfm?id=248892004

4. Claudia Wallis, "Does Kindergarten Need Cops?" Time Magazine, 7 de dezembro de 2003.

FONTE: http://www.espada.eti.br/db088.asp

 

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