Brincando com a morte

Brincando com a morte III

Autor: Berit Kjos

2. Condicionamento Clássico

Você deve se lembrar dos cães de Pavlov. Semana após semana, aquelas cobaias de quatro patas nos laboratórios soviéticos eram alimentadas ao som de um sino e eventualmente aprenderam a associar o tinir do sino com a comida saborosa. Uma vez que estavam condicionados, os cães salivavam sempre que o sino soava. Esse estudo — junto com o processo da Dialética Hegeliana — ajudou a lançar o alicerce para a lavagem cerebral comunista. O coronel Grossman explicou a relevância para os dias de hoje:

"O que está acontecendo com nossas crianças é o inverso da terapia da aversão retratada no filme Laranja Mecânica. Naquele filme, um sociopata brutal, um assassino em massa, é preso por cintas a uma cadeira e é obrigado a assistir a filmes violentos, ao mesmo tempo em que uma droga que provoca náuseas é injetada em suas veias. Assim ele fica sentado e vomita à medida que assiste aos filmes. Após centenas de repetições, ele passa a associar a violência com a náusea e isso limita sua capacidade de ser violento…"

"Estamos fazendo exatamente o oposto. Nossas crianças assistem a imagens vívidas de seres humanos sofrendo e morrendo, mas aprendem a associar isso com seu refrigerante ou chocolate favorito, ou com o perfume da namorada."

"O resultado é um fenômeno que funciona de forma muito parecida como a AIDS, que chamo de AVIDS — Síndrome da Imunodeficiência à Violência Adquirida. A AIDS não mata ninguém; ela destrói o sistema imunológico da pessoa e então outras doenças que não deveriam matar tornam-se fatais. A violência na televisão por si mesma não mata ninguém. Ela destrói o sistema imunológico à violência e condiciona as pessoas a derivarem o prazer a partir da violência." [2]

3. Condicionamento Operante

O condicionamento operante está baseado na simples fórmula psicossocial: estímulo-resposta, estímulo-resposta… Um exemplo moderno desse procedimento é o uso de simuladores de vôo para treinar os pilotos. "Um piloto da aviação em treinamento senta-se diante de um simulador de vôo por várias horas", escreveu o coronel Grossman. "Quando uma determinada luz de alerta acende, ele é instruído a reagir de certa maneira. Quando outra luz de alerta acende, uma reação diferente é necessária. Estímulo-resposta, estímulo-resposta. Um dia o piloto está pilotando de verdade um avião de grande porte; o avião começa a cair e trezentas pessoas começam a gritar atrás dele… Mas ele foi condicionado a responder de forma reflexiva a essa crise específica."

O inverso desse princípio é usado para treinar nossos soldados e a força policial. De acordo com o coronel Grossman:

"A comunidade militar e policial fizeram do ato de matar uma resposta condicionada. Isso aumentou substancialmente o número de tiros no campo de batalha moderno. Enquanto que o treinamento da infantaria na Segunda Guerra Mundial usava alvos com miras, agora os soldados aprendem a disparar contra silhuetas humanas que aparecem em seu campo de visão. Isto é estímulo. Os treinandos têm somente uma fração de segundo para disparar contra o alvo. A resposta condicionada é disparar contra o alvo, que então cai. Estímulo-resposta, estímulo-resposta, estímulo-resposta…

Mais tarde, quando os soldados estão no campo de batalha ou um policial está fazendo a ronda e alguém aparece com uma arma na mão, eles disparam reflexivamente e atiram para matar; sabemos que de 75 a 80% dos disparos no campo de batalha moderno são o resultado desse tipo de treinamento estímulo-resposta."

"Agora, se você estiver um pouco perturbado com isso, o quanto mais ficará com o fato que toda vez que uma criança brinca com um videogame interativo de apontar e disparar, ela está aprendendo exatamente o mesmo reflexo condicionado e capacidade motora…"

"Esse processo é extraordinariamente poderoso e aterrorizador. O resultado é um número cada vez maior de pseudo-psicopatas fabricados no próprio lar, que matam reflexivamente e não demonstram remorso algum. Nossas crianças estão aprendendo a matar e a gostar da coisa; e então temos a audácia de dizer: "Meu Deus do céu, o que fizemos de errado?" [2]

Um relatório do Instituto Schiller mostra um lado ainda mais sombrio do problema:

"Recentemente, estudos médicos publicados indicam que os videogames violentos danificam o cérebro, possivelmente de forma permanente. Os videogames podem ser mais perigosos para sua saúde do que o cigarro e o álcool. Esse escândalo nacional tem sido acobertado para o benefício da indústria de videogames, que gera uma receita de 10 bilhões de dólares por ano, dos quais os jogos violentos com a classificação "M", de Mature (adultos), é o segmento que mais cresce. Aproximadamente 20 milhões de americanos, muitos menores de dezoito anos, brincam com esses jogos de classificação "M". Os estudos, que demoraram vários anos para ficar prontos, mostram que brincar repetidamente com videogames violentos dessensibiliza as atividades do cérebro envolvidas com o raciocínio e o planejamento, ao mesmo tempo em que ativa aquelas funções que respondem à violência. Os estudos incluem dados científicos que indicam que esses jogos podem na verdade causar comportamento destrutivo." [6]

Aqueles que têm obsessão por RPGs de apontar e disparar aprendem mais do que um instinto assassino. Muitos aderem ao ocultismo que dirige o mito que está por trás da violência.

'Peter', um ex-ocultista que tornou-se um cristão comprometido várias décadas atrás me ajudou a compreender o fenômeno. Hoje, ele serve ao Senhor advertindo e equipando os jovens vulneráveis para resistir e superar os perigos mortais dos RPGs ocultistas. [Leia o artigo “RPG e Ocultismo Popular”]

"- Você conhece os simuladores de vôo?", ele me perguntou. "- Eles simulam o interior de uma cabine de um avião em pleno vôo. Você pode aprender a pilotar um avião em um simulador de vôo. Mas em um simulador não há risco. Todo o perigo pessoal foi removido. Quando você brinca com esses jogos ocultistas, está fazendo a mesma coisa que faria em um simulador de vôo. Nenhum risco. Então, por que não experimentar a coisa real?"

Muitos jogadores fazem exatamente isso. "- Esses garotos são facilmente atraídos para grupos ocultistas por meio dos torneios de RPG", disse Peter. "- Quando os garotos fazem a transição da simulação — quando realmente experimentam o PODER que está disponível para eles por meio dos rituais que aprendem a realizar sob o disfarce de 'fantasia' — esse poder torna-se um vício e eles são fisgados. No entanto, eles não percebem isso."

"- Eu podia caminhar até qualquer um desses adolescentes que mostravam aptidão, colocava minha mão sobre seus ombros, olhava para os olhos deles e dizia: '- Já que você gosta tanto de se entreter com isto, que tal experimentar na vida real?' Ninguém nunca me respondeu que não."

Modelos de Comportamento

As crianças que assistem televisão e os jovens que brincam com RPGs violentos e com temática ocultista encontram muitos modelos de comportamento que moldam seus sonhos e valores. Os heróis fictícios ocultos nos populares desenhos animados japoneses, filmes violentos e com muito sangue sendo derramado e RPGs ensinam comportamentos e valores. Assim também os jovens matadores que ganham seu momento de fama na mídia por meio da fanfarra televisada. De acordo com o coronel Grossman:

"Pesquisas realizadas nos anos 1970 demonstraram a existência de 'grupos de suicidas' em que o noticiário local na televisão, ao reportar os suicídios de adolescentes, causava diretamente diversos suicídios similares de adolescentes que se deixam impressionar com facilidade. Existem na população crianças potencialmente suicidas que dirão para si mesmas: "Vou mostrar todas as pessoas que foram egoístas comigo. Também sei como fazer minha foto aparecer na televisão.' … Assim, temos os assassinos que gostam de imitar aquilo que vêem e que se tornam conhecidos em todo o país, como um vírus que se propaga e é noticiado no telejornal no início da noite. Independente do que alguém tenha feito, se colocar a foto da pessoa na televisão, você a transforma em uma celebridade e alguém, em algum lugar, passará a imitar aquela pessoa." [2]

Resistindo à Violência

O que os pais podem fazer para monitorar e restringir as mensagens violentas e ocultistas da mídia? Não existem respostas fáceis. Eles certamente não podem confiar nas legendas que aparecem no vídeo. Em seu artigo "Lazy cops on the video game beat", o colunista Brent Brozell escreveu:

"Dois pesquisadores da Universidade de Harvard, Kimberly Thompson e Kevin Haninger, descobriram recentemente que os pais dos adolescentes não podem confiar muito no sistema de classificação dos videogames criados pela Junta de Classificação do Software de Entretenimento (ESRB) uma organização auto-reguladora…

"Um problema mais grave para os pais é que os jogos que muitos adolescentes desejam e sobre os quais mais falam não têm a classificação "T" (para adolescentes), mas "M", supostamente para o público maduro. Esse é o território da extrema violência, do sexo e da obscenidade casual…" [8]

Imagens vis de 'entretenimento' moldam as mentes das crianças e dos jovens em todo o mundo! Você pode imaginar o que acontecerá com nossa nação e com toda a civilização quando esses jovens condicionados atingirem a idade adulta? Pode o mundo civilizado estar seguindo um caminho para a corrupção e o caos que fará a decadência da antiga Roma parecer branda em comparação? Mesmo se nossos próprios filhos se recusarem a participar neste mundo tenebroso e depravado da imaginação, eles viverão em um mundo que eventualmente será dominado por bárbaros e valentões.

Somente podemos tocar as crianças na esfera de influência que Deus nos deu. Mas não podemos ficar calados! Portanto, eis aqui algumas sugestões:

  • Ore! O Senhor é nosso pastor e nos mostrará o que podemos fazer para equipar a nós mesmos e nossa família cristã.

  • Seja vigilante. Explique o perigo dos RPGs para seus filhos. Compartilhe as estatísticas e as terríveis conseqüências do processo de condicionamento. Mostre-lhes as matérias no jornal que apresentam exemplos e advertências atuais e relevantes.

  • Revista-se da armadura de Deus. A maior arma contra os enganos do mundo é a Palavra de Deus. A armadura (Efésios 6:10-18) fornece a verdade vital que pode expor e resistir a qualquer uma das mentiras de Satanás.

  • Compreenda a natureza e as táticas de Satanás. As crianças precisam estar alerta para as estratégias atemporais e atuais do Maligno. Todos nós estamos envolvidos em uma guerra espiritual — e não podemos fechar nossos olhos para as realidades dos inimigos que nos atacam.

  • Agradeça a Deus. "Fiel é o que vos chama, o qual também o fará." [1 Tessalonicenses 5:23]

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