Reflexões

Chamados a comunhão com o Filho de Deus

Fiel é Deus, pelo qual fostes chamados à comunhão de seu Filho Jesus Cristo, nosso Senhor. (I Co 1.9)

Nossa vida se dá em dois planos: natural e espiritual. No plano natural, pertencemos a raça humana, somos descendentes de Adão. Nestes termos temos um sério problema, visto ser Adão nosso representante legal e sua fatídica decisão de comer do fruto proibido no jardim do Éden trouxe-nos severas consequências, dentre elas, a corrupção de toda a humanidade e, a maior de todas, a morte.

Devemos nos lembrar de que Adão foi criado à partir do pó da terra. Primeiro seu corpo foi formado, então Deus soprou sobre ele, tornando-o alma vivente. Este sopro divino tocando-o, equipou-lhe com o espírito humano, por meio do qual Adão podia relacionar-se com Deus. Com a queda este relacionamento se perdeu, porquanto Adão e, por conseguinte, toda a humanidade, se viu morto em seus delitos e pecados. Seu espírito morreu e se tornou um ser carnal, cuja perspectiva existencial se tornou terrena, animal e, por conta da influência do príncipe deste século, diabólica. Em síntese a humanidade se tornou inimiga de Deus, porquanto não se achou mais nenhum indivíduo que buscasse a Deus.

Com a vinda de Jesus, o segundo Adão, nascido sem pecado, condição esta que perdurou em toda sua existência até a morte de cruz, o Senhor se tornou nossa ascendência. Se antes éramos umbilicalmente ligados a Adão, agora somos espiritualmente unidos ao Senhor. Se antes havíamos nascido segundo a vontade da carne, agora fomos gerados pela incorruptível palavra de Deus. E, por conta desta magnífica obra de redenção, fomos chamados a entrar em permanente e eterna comunhão com o Filho de Deus, Jesus Cristo, nosso Senhor e Salvador. E como isto se dá? Deixemos o apóstolo Paulo nos instruir a respeito:

Não sabeis que sois santuário de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós? (I Co 3.16)

Voltemos aos planos da existência, o natural e o espiritual. Nascido de novo, permanecemos no mundo natural, com nosso corpo, alma e espírito. Ocorre que neste novo nascimento, por termos recebido um espírito novo, nosso espírito humano pode agora se unir ao Espírito Santo, se tornando um com Ele, como está escrito:

Mas aquele que se une ao Senhor é um espírito com ele. (I Co 6.17)

Esta união faz com que sejamos também um com o Senhor Jesus Cristo e, por conseguinte, com Deus o Pai, porquanto o próprio Senhor Jesus fez questão de esclarecer esta dimensão:

a fim de que todos sejam um; e como és tu, ó Pai, em mim e eu em ti, também sejam eles em nós; para que o mundo creia que tu me enviaste. (Jo 17.21)

Devemos entender isto: O Pai e o Filho são um, de uma mesma substância, o que também o é com o Espírito Santo. Cada um é em si uma pessoa, contudo são o mesmo Deus, razão de João ter escrito: “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus” (Jo 1.1). Jesus, enquanto Filho do homem, recebeu em si mesmo a plenitude do Espírito Santo como podemos ler: “Pois o enviado de Deus fala as palavras dele, porque Deus não dá o Espírito por medida” (Jo 3.34).

Agora, vamos refletir a respeito: Jesus Cristo, o Filho de Deus, santo em todo seu ser, recebeu o Espírito Santo de forma ilimitada, sem medida. Jamais conseguiremos compreender a dimensão desta verdade. Mas agora Jesus está ressurreto, assentado a destra do Pai, tendo enviado o Espírito Santo para habitar em nós, sua igreja. Somos, portanto, o próprio corpo de Cristo, sendo Ele o cabeça da igreja Se pudéssemos dimensionar quanto de cristãos seriam necessários para que juntos pudéssemos ter a dimensão total da presença do Espírito Santo que havia em Jesus quando aqui viveu na carne, seria necessário todos os crentes de todas as eras e, ainda assim, não seria possível, porquanto, todos nós formaríamos tão somente o corpo, sendo o próprio Senhor o cabeça deste corpo. Assim, se fosse possível dar uma estatística disso, poderíamos dizer que todo o corpo de Cristo ficaria com algo como 10% do Espírito Santo e Jesus Cristo, o Cabeça com 90%. Obviamente estes percentuais são só para nos dar certa dimensão do quão tremendo é esta condição de sermos habitação do Espírito de Deus.

Se na individualidade somos habitação, como corpo ainda mais, porquanto do mesmo modo como somos um com o Espírito de Deus, somos um enquanto corpo de Cristo, membros uns dos outros. Assim, se somos chamados a comunhão com o Filho de Deus, esta comunhão necessariamente é extensiva a cada um dentre todos os membros do corpo de Cristo. Esta é a razão do apóstolo Paulo ter escrito:

Rogo-vos, irmãos, pelo nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que faleis todos a mesma coisa e que não haja entre vós divisões; antes, sejais inteiramente unidos, na mesma disposição mental e no mesmo parecer. (I Co 1.10)

E, mais adiante, concluiu:

Acaso, Cristo está dividido? Foi Paulo crucificado em favor de vós ou fostes, porventura, batizados em nome de Paulo? (I Co 1.13)

Ao fazer menção que Cristo não pode estar dividido, Paulo assume a ideia de corpo de Cristo, com o Senhor como o cabeça. Não há como o Senhor se dividir em si mesmo, tudo é um só. Como poderíamos nós então viver em contendas uns com os outros? Mais a frente Paulo escreve:

Quando, pois, alguém diz: Eu sou de Paulo, e outro: Eu, de Apolo, não é evidente que andais segundo os homens? (I Co 3.4)

Consideremos esta pergunta: que tipo de vida queremos para nós mesmos: andar segundo o Espírito de Deus ou segundo os homens? O que caracteriza o andar conforme os homens senão contendas, divisões, fofocas, murmurações e coisas semelhantes? Nós temos de considerar como conduzimos nossos relacionamentos entre os irmãos e irmãs na igreja. Se formos considerar nossa natureza terrena, haveremos sempre por achar motivos para contendas, seja de que natureza ou de que grau ela venha a se constituir, mas como homens espirituais, santuários de Deus, temos de adotar a atitude de mantermos uns pelos outros o respeito mútuo. Que seja esta a nossa escolha.

Leave a Comment