Comentários no Evangelho de João

Comentários em João 1.43-51

Jo 1.43

"No dia imediato, resolveu Jesus partir para a Galileia e encontrou a Felipe, a quem disse: Segue-me (Jo 1.43). Ao escrever seu evangelho João praticamente nada disse sobre o nascimento de Jesus, senão abordando a conexão do nascimento com a existência eterna do Verbo de Deus e, depois, avançando rapidamente para o ministério terreno de Jesus. As cenas do Jordão se passam no primeiro ano e, já neste ano o Senhor dá início a escolha de seus apóstolos. Ainda que Jesus tenha profetizado a Pedro, Felipe é o primeiro a ser chamado como seu discípulo. É importante fazer esta distinção porque nem todas as pessoas que se aproximavam de Jesus responderam prontamente a seu chamado. Talvez se Simão tivesse recebido a mesma chamada naquele instante não teria respondido prontamente como fez Felipe, antes Simão recebeu uma profecia acerca de si mesmo para, por ela, refletir como se desenvolveria seu relacionamento com Jesus. Chama atenção o fato de Jesus estar se deslocando para a Galileia. Jesus veio até João, foi batizado nas águas no rio Jordão, depois foi guiado pelo Espírito Santo para o deserto onde foi tentado por Satanás após quarenta dias de Jejum. Então seguiu para a Galileia recrutando discípulos no caminho, iniciando com Felipe até completar os doze apóstolos. Jesus permaneceu na Galileia até a morte de João Batista. Pense Jesus caminhando para a Galileia como uma tocha de fogo ambulante, pois Isaías profetizara acerca desta peregrinação de Jesus dizendo: "Terra de Zebulom, terra de Naftali, caminho do mar, além do Jordão, Galileia dos gentios! O povo que jazia em trevas viu grande luz, e aos que viviam na região e sombra da morte resplandeceu-lhes a luz." (Mt 4.15,16. Esta visão de luz não é possível ser discernida no mundo natural, mas seguramente era a visão que tinham os seres espirituais invisíveis aos olhos humanos.

Jo 1.44

"Ora, Filipe era de Betsaida, cidade de André e de Pedro" (Jo 1.44). Este lugar é um pequeno vilarejo às margens oriental do rio Jordão, onde o rio desemboca no mar da Galileia. Há de se perguntar porque é tão importante fazer referência a cidade de nascimento destes três homens. Entre os humanos, sempre que uma criança nasce se faz dela o registro em cartório constando o nome dos pais e da cidade onde nasceu. Ocorre que este é o mesmo procedimento feito nos céus, como podemos ler: "O Senhor, ao registrar os povos, dirá: Este nasceu lá" (Sl 87.6). Aliás, não só o lugar de nascimento é registrado nos céus como tudo quanto fazemos na terra. No juízo final, quando mencionado acerca do julgamento de todos os ímpios é dito: "… Então, se abriram livros. Ainda outro livro, o Livro da Vida, foi aberto. E os mortos foram julgados, segundo as suas obras, conforme o que se achava escrito nos livros" (Ap 20.12). Assim, ao registrar o lugar de nascimento de Filipe, Pedro e André, o autor do evangelho expressa os cuidados divinos por cada um de nós, pois nada passa despercebido aos olhos de nosso Pai Celestial.

Jo 1.45

"Filipe encontrou a Natanael e disse-lhe: Achamos aquele de quem Moisés escreveu na lei, e a quem se referiram os profetas: Jesus, o Nazareno, filho de José" (Jo 1.45). Nos impressiona o nível de conhecimento que estes homens tinham acerca da vinda do Messias. Por todo o Antigo Testamento há referências acerca do Cristo e estas referências eram objeto das conversas entre eles. Não só trocavam impressões entre eles como também mapeavam as profecias para guiar a busca deles pelo Messias. Fazendo um paralelo com o nosso tempo, hoje devíamos estar estudando o Apocalipse de João com o mesmo afinco deles. Devíamos estar discernindo os tempos à luz da palavra de Deus. Para aqueles homens o "Messias" era o designativo dado ao homem escolhido por Deus para exercer um dado ofício que fora atribuído por Deus a este indivíduo. Na mentalidade judaica este "Messias" deveria ser o descendente do rei Davi cuja missão seria assumir o trono de Israel e implantar o reino de Deus. Antes mesmo do reinado existir em Israel Ana, mãe de Samuel, já fizera está provisão profética: "Os que contendem com o Senhor são quebrantados; dos céus troveja contra eles. O Senhor julga as extremidades da terra, dá força ao seu rei e exalta o poder do seu ungido" (I Sm 2.10). Ungido, ao final deste texto, significa "Messias". O profeta Isaías também reforçará a imagem escatológica da vinda deste "Messias" para julgar os povos e estabelecer a justiça: "mas julgará com justiça os pobres e decidirá com equidade a favor dos mansos da terra; ferirá a terra com a vara de sua boca e com o sopro dos seus lábios matará o perverso" (Is 11.4). Por causa de profecias como estás que o sofrimento de Jesus e sua crucificação era um acontecimento impensável para os discípulos. E é assim que se forma a cosmovisão bíblica onde, a partir de uma perspectiva inicial, vamos sendo confrontados com novos insights até compreendermos o plano de Deus. Uma verdade não anula outra, o problema está em encontrar o lugar para cada uma delas.

"… Achamos aquele de quem Moisés escreveu na lei, e a quem se referiram os profetas…" (Jo 1.45). Precisamos fazer conexão com Gn 3.15 e todo o Antigo Testamento para compreendermos a importância da vinda do Messias. Um homem, Adão, representante legal da raça humana, quebrou a lei divina arrastando toda humanidade para a morte. Desde Adão a morte passou a reinar sob o preposto maligno de Satanás. A morte será o último inimigo a ser vencido. Deus só poderia obter vitória neste cenário se preenchesse este requisito: um homem cumprir a lei divina, submeter-se a morte e vence-la com o poder da ressurreição. Está fora a promessa feita por Deus em Gn 3.15: enviar a semente da mulher para pisar a cabeça da serpente, ainda que viesse a ser morto por ela. Este homem teria de assumir dois ofícios principais: ser da linhagem real e da linhagem sacerdotal, isto é, ele teria de representar Deus diante dos homens (Rei) e representar os homens diante de Deus (Sumo Sacerdote). Os discípulos compreendiam em parte estes requisitos, o "X" da questão era como equacionar a morte neste quadro. O ministério terreno de Jesus teve por objetivo secundário dar entendimento a esta perspectiva, isto porque seu objetivo primário era dar cumprimento às profecias: morrer na cruz para ressuscitar no terceiro dia. Para aqueles discípulos aquela jornada só estava começando.

"… Jesus, o Nazareno, filho de José" (Jo 1.45). Filipe fora chamado a seguir Jesus. Mal cabia em si o desejo de Filipe em compartilhar sua chamada. Imediatamente foi em busca de Natanael e ao dar a conhecer acerca de Jesus, mostrou ter conhecimento do nascimento do Senhor. Não é dito quando nem onde ele soube da história de Jesus, mas é provável que ao ser chamado por Jesus, Filipe já tinha conhecimento suficiente para tomar decisão de seguir a Jesus. Por certo ele soubera que Jesus nascerá de uma virgem concebido pelo Espírito Santo; que era filho adotivo de José, da descendência do rei Davi. Soubera da fuga de Jesus e seus pais de Belém para o Egito e seu retorno para Nazaré. Ouvirá João anunciar Jesus como o Cordeiro de Deus. Paulo, o apóstolo, instruiu que a fé vem pela pregação e à medida que Filipe ia aprofundando seu conhecimento acerca de Jesus, sua fé foi crescendo, movendo-o a seguir Jesus.

Jo 1.46

"Perguntou-lhe Natanael: De Nazaré pode sair alguma coisa boa? Respondeu-lhe Filipe: Vem e vê." (Jo 1.46). Pode não parecer mas o preconceito é um dos maiores obstáculos para o conhecimento porque ele parte de um falso pressuposto, negando, com isso a possibilidade de existir a verdade no objeto de sua consideração. Natanael morava em Cana, aldeia próxima de Nazaré. Tomando sua cidade por referência, qualquer outra menor do que ela seria tão insignificante ao ponto de ser desprezada e menosprezada. Este tipo de afirmação parte de conhecimento empírico, não verificável, fruto da ignorância e da má vontade em abrir seus próprios horizontes. Alguém cera feita disse que todo ponto de vista é um ponto de obscuridade, assim é o preconceito para com o evangelho, ele cega o indivíduo para as extraordinárias riquezas divinas. O preconceito fecha portas, exclui pessoas do convívio, impede conhecer a história de vida das pessoas, embrutece o coração, tolhe a mente, isola a pessoa.

Jo 1.47

"Jesus viu Natanael aproximar-se e disse a seu respeito: Eis um verdadeiro israelita, em quem não há dolo!" (Jo 1.47). Temos necessidade de avaliar uns aos outros como forma de conhecer seu caráter, capacitações, habilitações, dons e talentos. Contudo, por mais aprimorados que sejam nosso arcabouço teórico, metodologias e ferramentas de análise, somos incapazes de avaliar o coração de nosso semelhante. Diferente é o Senhor Deus que diz de si mesmo: "Eu, o Senhor, esquadrinho o coração, eu provo os pensamentos; e isto para dar a cada um segundo o seu proceder, segundo o fruto das suas ações" (Jr 17.10). O salmista, escrevendo acerca de sua percepção do conhecimento que Deus tinha dele disse: "Os teus olhos me viram a substância ainda informe, e no teu livro foram escritos todos os meus dias, cada um deles escrito e determinado, quando nem um deles havia ainda." (Sl 139.16) para, ao final, ele próprio se abrir ao escrutínio divino: "Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração, prova-me e conhece os meus pensamentos" (Sl 139.23). E por quais qualificativos o Senhor considerou Natanael um israelita sem dolo? O salmista responde: "O que é limpo de mãos e puro de coração, que não entrega a sua alma à falsidade, nem jura dolosamente" (Sl 24.4)

Jo 1.48

"Perguntou-lhe Natanael: Donde me conheces? Respondeu-lhe Jesus: Antes de Filipe te chamar, eu te vi, quando estavas debaixo da figueira." (Jo 1.48). O mais interessante da resposta de Natanael é o fato dele ter concordado com a avaliação feita por Jesus por dois motivos: primeiro porque ele se via enquadrado nos critérios divinos, depois porque ele discerniu na avaliação de Jesus que o Senhor de fato demonstrava conhecê-lo no mais íntimo do seu ser. Não sabemos como Natanael cultivava sua vida interior, mas por meio do testemunho de Paulo acerca de si mesmo podemos ter um vislumbre de como Natanael se conduzia diante de Deus. Paulo disse: "pelo contrário, rejeitamos as coisas que, por vergonhosas, se ocultam, não andando com astúcia, nem adulterando a palavra de Deus; antes, nos recomendamos à consciência de todo homem, na presença de Deus, pela manifestação da verdade." (II Co 4.2). O verdadeiro homem de Deus preza por sua consciência e de seu semelhante, faculdade está que tem sido grandemente desprezada e, na maior parte das vezes absolutamente ignorada. E a sociedade é pródiga em convencer o indivíduo a ignorar a voz de sua consciência. Geralmente começa motivando-o a quebrar "tabus", que, segundo está percepção são práticas morais ultrapassadas. Por exemplo o fim do tabu da virgindade tem levado os casais a iniciarem o relacionamento pelo sexo, depois, se a pessoa não era aquilo que se esperava, parte para outra. Manter uma consciência pura diante de Deus e dos homens, como Paulo fazia, na maior parte das vezes exige da pessoa ir contra o curso deste mundo e Natanael era homem desta estirpe. Gente deste tipo está se tornando raridade, mas este é o grande desafio da vida cristã: viver para Deus e diante dos homens com a mesma integridade.

"… Respondeu-lhe Jesus: Antes de Filipe te chamar, eu te vi, quando estavas debaixo da figueira." (Jo 1.48). Natanael estava diante daquele que criou todas as coisas e tudo conhece. Há de se perguntar o que fazia Natanael debaixo da figueira que fez com que Jesus o visse. Ao profeta Jeremias o Senhor havia feito a seguinte promessa: "Eu é que sei que pensamentos tenho a vosso respeito, diz o Senhor; pensamentos de paz e não de mal, para vos dar o fim que desejais. Então, me invocareis, passareis a orar a mim, e eu vos ouvirei. Buscar-me-eis e me achareis quando me buscardes de todo o vosso coração. Serei achado de vós, diz o Senhor, e farei mudar a vossa sorte…" (Jr 29.11-14). Natanael foi visto por Jesus porque buscava a face de Deus debaixo da figueira. É importante observar que a figueira é um símbolo de Israel, portanto, figurativamente podemos dizer que quando Natanael colocou Israel em perspectiva como parte central do plano divino, ele encontrou também o Senhor de Israel. Do mesmo modo hoje o corpo de Cristo na terra é a igreja, assim, somente quando nos vemos integrados a este corpo é que de fato nossas orações começam a ser ouvidas na presença de Deus. Não há como desenvolver fé fora do âmbito das promessas divinas, assim como também não existe fé empírica, isto é, dissociada da palavra de Deus. Se quisermos sermos visto pelo Senhor precisamos aprender a orar dentro do escopo da vontade de Deus para conosco e em conformidade com a palavra de Deus.

Jo 1.49

"Então, exclamou Natanael: Mestre, tu és o Filho de Deus, tu és o Rei de Israel!" (Jo 1.49). O objetivo final de toda revelação e revelar Deus e é notável observar a conclusão de Natanael acerca de quem é Jesus tão somente pelo que ele ouviu. Para Natanael chegar a estas conclusões mais verdades ele devia ter conhecido a priori. Como ele poderia saber que Jesus era Rei de Israel? Saul, Davi e Salomão foram ungidos reis, do mesmo modo Natanael poderia ter compreendido que a descida do Espírito Santo em forma de pomba sobre Jesus prenunciava está unção. Para isso Natanael deveria ter feito nexo causal entre o testemunho de João Batista com as profecias do Antigo Testamento. Ele também poderia ter tomado conhecimento acerca dos fatos concernentes ao nascimento de Jesus, pois declarou ser Jesus o Filho de Deus. O fato é que aqueles homens ouviam a mensagem acerca de Jesus e conversavam entre si acerca dos fatos que se sucediam. Eles estavam em busca do Messias e tudo que era relativo a está busca estava no foco de atenção deles. Muitos do que vão a um culto ouvem a mensagem, mas em saindo do local, logo voltam suas atenções para as coisas deste mundo, não buscando aprofundar-se nos mistérios da palavra de Deus, um grande erro. Nós precisamos ouvir a pregação proativamente, isto é, ter a ministração como ponto de partida de nossa própria meditação, única forma de sermos despertos pela iluminação provida pelo Espírito de Deus. O reconhecimento da parte de Natanael de que Jesus também era Mestre mostra sua disposição para continuar aprendendo do Senhor.

Jo 1.50

"Ao que Jesus lhe respondeu: Porque te disse que te vi debaixo da figueira, crês? Pois maiores coisas do que estas verás." (Jo 1.50). Esta é uma observação interessante da parte do Senhor. Aparente Natanael fizera uma confissão completa acerca de Jesus, no entanto o Senhor faz questão de frisar que haveria muito mais por conhecer acerca dos atos maravilhosos que se seguiram no ministério terreno de Jesus. Muitas vezes avaliamos que o conhecimento que temos acerca do Senhor é suficiente até passarmos por provas difíceis, pois mesmo com este nível de confissão da parte de Natanael, quando da crucificação ele foi um dos que se dispersaram. A revelação que temos na mente precisa descer no coração para se transformar em convicção, caso contrário o conhecimento que temos se torna ineficaz para nos moldar na imagem de Cristo. Aqui o Senhor nos dá uma orientação de como devemos proceder para crescermos em maturidade: a obra de Deus não se restringe aos seus feitos passados, antes a revelação da palavra de Deus deve servir de estímulo para assentarmos nosso coração na obra de Deus.

Jo 1.51

"E acrescentou: Em verdade, em verdade vos digo que vereis o céu aberto e os anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do Homem." (Jo 1.51). Está promessa é magnífica. Antes façamos conexão com a notável confissão de Natanael: "Jesus Cristo é o Filho de Deus e o Rei de Israel, além de ser Mestre". Jesus agora complementa dizendo ser o Filho do Homem. Com isso o Senhor coloca no mesmo plano sua filiação divina e humana.Voltando a revelação dada pelo apóstolo João, Jesus é o Verbo feito carne e Jesus está confirmando sua dupla condição de ser ao mesmo tempo Deus e Homem. Isto nos faz conectar tambem o plano inicial divino de fazer do homem sua imagem, conforme sua semelhança. O autor aos Hebreus corrobora está verdade ao afirmar acerca de Jesus: "Ele, que é o resplendor da glória e a expressão exata do seu Ser [de Deus, o Pai]…" (Hb 1.3). Nos é impossível ter a correta noção do significado desta semelhança porque nunca homem algum viu a Deus (Jo 1.18), contudo Natanael recebe a promessa de ter esta magnífica visão de ver os anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do Homem como Aquele que está assentado no próprio trono de Deus, portanto o Soberano de todo o universo.

"… vereis o céu aberto e os anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do Homem." (Jo 1.51). Em dando está promessa para Natanael Jesus faz referência a visão que Jacó teve em Betel ao dormir no deserto certa noite, quando fugia de seu irmão Esaú (Gn 28.12). Naquela oportunidade Jacó ouvira Deus confirmar a promessa dada a Abraão e Isaque, reafirmando a promessa de dar-lhe a terra de Canaã. Ao despertar do sono Jacó reconhecerá aquele lugar como a própria casa de Deus e a porta dos céus. Em fazendo referência a está passagem Jesus estava assumindo para si o lugar divino que lhe era de direito, declarando implicitamente ser Ele próprio o único caminho para o homem conectar-se com Deus. Jesus estava também implicitamente revelando seu propósito de reconciliar o homem com Deus. Quando do nascimento de Jesus já houvera um vislumbre desta cena porquanto em certa vigília da noite os pastores foram surpreendidos com a glória do Senhor, aparecendo-lhes um anjo comunicando-os do nascimento de Jesus Cristo  na manjedoura. Em seguida a esta aparição os pastores viram uma multidão a milícia celestial louvando a Deus (Lc 2.8-14). É interessante notar que os anjos também foram surpreendidos com o nascimento de Jesus como o Filho de Deus encarnado. Isto porque Jesus foi feito por um tempo um pouco menor que os anjos (hb 2.7), mas o próprio Deus, o Pai ordenou-os que adorassem a Jesus, colocando-o enquanto homem no mesmo nível do Pai e do Espírito Santo (Hb1.6). Não sabemos se literalmente Natanael teve está visão dos anjos subindo e descendo sobre Jesus, mas certamente havera o cumprimento literal desta promessa quando do segundo retorno de Jesus, tempo este em que o Senhor reinará no reino milenar, sendo naquela oportunidade Jerusalém como centro do culto mundial a Deus.

E por que Jesus designa a si mesmo como o "Filho do homem? Esta expressão "Filho do homem" surge pela primeira vez em Jó 16.21. nesta ocasião Jó pede que lhe seja assegurado o direito enquanto homem contra o próprio Deus e do "filho do homem" contra o seu próximo. Jó utiliza destas conjugação de termos para fazer referência ao indivíduo ligando-o com sua descendência. O rei Davi utiliza-se deste mesmo recurso linguístico em uma pergunta retórica: "que é o homem que dele te lembres? E o filho do homem, que o visitas? (Sl 8.4). Davi repete está conjugação, por exemplo, no Sl 144.3. O profeta Isaías faz o mesmo em Is 51.12 e 56.2. Deus convoca o profeta Ezequiel com este termo dizendo: "… filho do homem, põe-te em pé, e falarei contigo" (Ez 2.1). Ao longo deste livro o Senhor continua designando o profeta por esta expressão "filho do homem". Seguindo adiante, é com o profeta Daniel que está expressão ganha contornos messiânicos, porquanto em certa visão celestial Daniel descreve o que viu usando deste termo: "Eu estava olhando nas minhas visões da noite, e eis que vinha com as nuvens do céu um como o Filho do Homem, e dirigiu-se ao Ancião de Dias, e o fizeram chegar até ele." (Dn 7.13). Com isso estamos a dizer que Jesus fez referência a si mesmo como o Filho do homem" com dois intuitos: o primeiro de fazer remissão a sua humanidade, pois deixou a sua glória como Filho de Deus e assumiu sua posição como Filho do homem, ou seja, concretizou a transposição do Verbo se fazendo carne. A segunda razão de Jesus fazer referência a si mesmo como Filho do homem decorre de ter assumido para si o lugar daquele personagem que o profeta Daniel viu em sua visão, isto é, colocou-se como o Messias esperado que haverá de assentar no trono de Deus. Quando está profecia se cumprir a Jesus ser-lhe-á "dado domínio, e glória, e o reino, para que os povos, nações e homens de todas as línguas o servissem; o seu domínio é domínio eterno, que não passará, e o seu reino jamais será destruído." (Dn 7.14)

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