Comentários no Evangelho de João

Comentários em João 10.17,18

Jo 10.17

"Por isso, o Pai me ama, porque eu dou a minha vida para a reassumir." (Jo 10.17). Jesus fez menção do amor do Pai por Ele em função da obra que Jesus veio realizar. Para compreendermos este amor precisamos retornar ao princípio de tudo, a criação dos céus e da terra. Quando Deus optou por criar havia uma única restrição: Deus não poderia criar seres impecáveis porque se o fizesse estaria criando outro Deus. Os seres racionais criados teriam, por consequência, opção de permanecer em estrita obediência a Deus ou desobedecer sua vontade. Como Deus é soberano, havia provisão para ambas as escolhas. Se a criatura optasse pela obediência viveria, senão morreria. A história é conhecida, o primeiro casal desobedeceu a Deus trazendo a morte para toda a humanidade. Este seria o fim da história se não fosse a firme determinação do Filho de Deus assumir o lugar do pecador, se fazendo criatura, isto é, servo, na forma de homem. Jesus, ao adotar esta atitude, chamou para si a ira de Deus por dispor a realizar o único sacrifício que poderia aplacar a justiça divina. Dar a vida não era tudo quanto Jesus tinha de fazer, antes este sacrifício tinha de ser produto de uma existência vivida em perfeita harmonia com seu Pai celestial. Foi por isso que Jesus realizou seu ministério terreno de três anos, não só para trazer as palavras de Deus, mas dar prova de uma vida indissolúvel diante de Deus para se qualificar como Cordeiro de Deus. Morto na cruz, seu sacrifício foi considerado satisfatório para Deus, sendo prova para nós o fato de Jesus ter ressuscitado ao terceiro dia e, depois, elevado aos céus, ocupando o trono a destra de Deus. Jesus permanecerá nesta posição até Deus, o Pai colocar todos seus inimigos debaixo de seus pés. A resultante de toda esta trajetória foi fazer-se ainda mais amado pelo Pai porque Jesus, em tudo, fez a vontade de Deus.

Jo 10.18

"Ninguém a tira de mim; pelo contrário, eu espontaneamente a dou. Tenho autoridade para a entregar e também para reavê-la. Este mandato recebi de meu Pai." (Jo 10.18). O dom mais precioso é a vida. No entanto precisamos qualificar esta vida. Por certo a vida natural tem algum valor, contudo logo ela é ceifada pela morte. O inteligente a ser feito é buscar a vida eterna. Isto porque quando consideramos nossa vida natural chegamos a mesma sensação que Moisés teve: "Pois todos os nossos dias se passam na tua ira; acabam-se os nossos anos como um breve pensamento" (Sl 90.9). É muito comum ouvirmos este tipo de observação: – já estamos em março, o ano está voando. Esta expressão demonstra sabermos quão curta é a vida natural, quão necessária é a vida eterna. Jesus tinha consciência da verdadeira fonte da vida. João falou a este respeito dizendo: "A vida estava nele [em Jesus] e a vida era a luz dos homens" (Jo 1.4), por isso Jesus tinha autoridade para morrer e ressuscitar se assim o quisesse. Quando ele se transfigurou diante dos discípulos estava demonstrando que poderia voltar aos céus se o quisesse, pois mesmo sendo verdadeiro homem, em todas as suas faculdades, era também Deus, em toda sua glória. O diferencial de Jesus foi seu reconhecimento que, ao assumir forma humana, ele se dispôs a submeter-se a Deus, o Pai. E, nesta submissão, Jesus exerceu a autoridade que lhe foi concedida de dar sua vida para resgatar todo aquele que nele crer. Para este propósito Jesus assumiu a condição de Cordeiro de Deus. A morte de Jesus foi uma confluência de fatores, cada um pode ser considerado isoladamente na sua responsabilidade: Satanás intentou matar Jesus e conseguiu; os homens julgaram Jesus e executaram a sentença: Deus abandonou Jesus e o deixou morrer; Jesus mesmo entregou sua vida para ser morto. Todos agiram no papel que lhe cabia, sendo responsável por seus atos. Deus o Pai, aceitou o sacrifício de Jesus o ressuscitando dentre os mortos.

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