Comentários no Evangelho de João

Comentários em João 10.24-26

Jo 10.24

"Rodearam-no, pois, os judeus e o interpelaram: Até quando nos deixarás a mente em suspenso? Se tu és o Cristo, dize-o francamente." (Jo 10.24). Diante de tudo que Jesus disse e como os judeus não chegavam a nenhuma conclusão entre si, resolveram questionar diretamente Jesus. Eles queriam saber se Jesus era o Cristo. Este nome veio a ser anexado como sobrenome ao nome de Jesus, sendo, portanto, conhecido no mundo como Jesus Cristo. O termo "Cristo" é transliterado no grego como Khristós e no hebraico como Māšîaḥ. Esta expressão hebraica, por sua c, é transliterada para o português como "Messias". Cristo significa "Ungido". No Antigo Testamento tanto homens como objetos eram ungidos para uso exclusivo de Deus. Por exemplo, Deus ordenou Moisés ungir Arão (Lv 8.13) como sumo sacerdote do templo e Samuel ungir Davi como rei de Israel (I Sm 16.23) e Elias ungir Eliseu como profeta em seu lugar (I Rs 19.16). Israel esperavam por estes três personagens: pelo profeta, sumo sacerdote e rei, como enviado de Deus para, respectivamente, lhes anunciar a palavra de Deus; lhes ministrar a presença de Deus; e liderar a nação no concerto das nações. O que Israel não compreendia era que este ungido tinha, primeiro, de sofrer, morrer e ressuscitar na qualidade de Cordeiro de Deus (Mt 20.18,19). Assim, quando os judeus pressionaram Jesus para se declarar como sendo o Cristo, o Messias, o que de fato eles queriam era um libertador para os livrar do domínio do império Romano. Portanto eles esperavam pela revelação daquele que se assentaria no trono do rei Davi. Esta é a tendência natural do ser humano, mesmo de muitos cristãos. Mesmo sendo o primordial a vida eterna, os olhos das pessoas logo se voltam para o aqui e agora, para a comida na panela, para as atividades do dia a dia. É comum, para justificar este posicionamento, a pessoa dizer da importância de sustentar a família. Via de regra a multidão busca a Deus para resolver seus problemas terrenos.

Jo 10.25

"Respondeu-lhes Jesus: Já vo-lo disse, e não credes. As obras que eu faço em nome de meu Pai testificam a meu respeito." (Jo 10.25). Sabe o dito: – Para bom entendedor meia palavra basta? Jesus tinha dado inúmeros sinais de que ele era o Cristo, contudo os judeus ainda assim não creram em Jesus. A resposta de Jesus aos judeus é altamente esclarecedora sobre como devemos nos relacionar com Deus. Por exemplo, Jesus esteve em Nazaré, cidade em que foi criado. Ele entrou no templo, foi lhe dado ler o livro de Isaias e Jesus abriu na seguinte passagem: "O Espírito do Senhor está sobre mim, pelo que me ungiu para evangelizar os pobres; enviou-me para proclamar libertação aos cativos e restauração da vista aos cegos, para pôr em liberdade os oprimidos, e apregoar o ano aceitável do Senhor." (Lc 4.18,19). Findo a leitura Jesus asseverou o cumprimento daquela palavra naquele instante. Qual deveria ser o correto procedimento de seus conterrâneos? Dar glória a Deus pelo cumprimento da profecia e, à partir daquele texto aprofundar seu conhecimento acerca da identidade de Jesus. Isto porque a Bíblia explica a própria Bíblia. Não é isso que normalmente fazem as pessoas. Ao invés de aprofundar seu conhecimento nas escrituras preferem discutir entre si, tentando aprender de Deus por meio da razão natural, não por meio da revelação. Jesus havia dito aos judeus que suas obras atestavam sua identidade. Este é o jeito divino de se revelar aos homens: vincular o mundo fisico ao espiritual, porquanto na ordem da criação o visível veio a ser feito das coisas que ainda não existiam. Outro aspecto importante das obras de Jesus a ser considerado. Digamos que você tenha sido testemunha ocular do milagre da multiplicação dos pães e peixes. Ao final sobraram 12 cestos cheios, portanto o milagre podia ser comprovado pelas evidências. No entanto é por meio da testificação divina que o milagre toca o coração, não por provas físicas. É por isso que podemos ler a Bíblia, saber dos milagres e crer.

Jo 10.26

"Mas vós não credes, porque não sois das minhas ovelhas." (Jo 10.26). A conversa de Jesus com os judeus foi confrontativa. Ele riscou uma linha entre o reino de Deus e o império das trevas. E situou os judeus que os ouvia do outro lado. E qual foi a linha delimitaria? Crer ou não em Jesus. É por isso que Jesus é visto como pedra de esquina rejeitada pelos construtores. Antes desta confrontação Jesus instruiu acerca do aprisco das ovelhas. Em dado momento Jesus disse que suas ovelhas o conheciam, bem como sua voz e de modo algum ouviriam a voz do estranho. Ao declarar que aqueles judeus não criam em Jesus, por dedução se entende que eles estavam dando ouvido ao estranho. É interessante notar que os judeus são depositários das alianças divinas: "São israelitas. Pertence-lhes a adoção e também a glória, as alianças, a legislação, o culto e as promessas" (Rm 9.4). Portanto quando citamos os judeus não estamos falando de todos, mas dentre eles um grupo específico, aqueles que estavam falando com Jesus. Paulo fez esta distinção: "Porque não é judeu quem o é apenas exteriormente, nem é circuncisão a que é somente na carne. Porém judeu é aquele que o é interiormente, e circuncisão, a que é do coração, no espírito, não segundo a letra, e cujo louvor não procede dos homens, mas de Deus." (Rm 2.28,29). Outra questão que precisa ser levantada é isso: diante de Jesus estão judeus incrédulos. Eles não eram ovelhas de Jesus, portanto não reconheciam a voz de Jesus. Como sair desta condição? É preciso voltar para a instrução de Jesus para descobrir como se tornar sua ovelha. Do ponto de vista humano é se dispor a ouvir Jesus com intenção de compreende o que ele diz. Basicamente é preciso ouvir e persistir ouvindo até entender. Isto significa permanecer na palavra: ler, meditar e repensar até compreender. O erro daqueles judeus é que ouviam, não entendiam e, ao invés de perguntar para Jesus discutiam entre eles.

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