Comentários no Evangelho de João

Comentários em João 10.27,28

Jo 10.27

"As minhas ovelhas ouvem a minha voz; eu as conheço, e elas me seguem." (Jo 10.27). Jesus distinguiu suas ovelhas daquelas que não são e o diferencial está na capacidade delas ouvir a voz do Senhor. A melhor forma de explicar esta capacidade é comparar a uma vara posta de pé. Esta vara dificilmente permanecerá parada de pé. A tendência é que ela cairá para o lado que se inclina. Paulo trata desta analogia em relação a carne e ao Espírito. Escreveu ele: "Porque os que se inclinam para a carne cogitam das coisas da carne; mas os que se inclinam para o Espírito, das coisas do Espírito." (Rm 8.5). As ovelhas de Jesus se inclinam para as coisas do Espírito. O que esta inclinação significa na prática? Para responder a esta pergunta é preciso compreender a natureza humana. Todo indivíduo nascido de mulher é carne, isto é, ele tem uma inclinação própria de sua condição natural. Sua tendência natural é se voltar para as coisas deste mundo, que giram em três direções: os cuidados da vida, o entretenimento e as fascinações das riquezas. Em síntese ele está voltado para a perpetuidade de sua vida e sua geração. Uma vez nascido de novo e entrado no reino de Deus por ter ouvido a voz do Senhor, este mesmo indivíduo passa a viver uma contradição: parte dele pretende continuar na sua condição natural. Outra parte, conhecedora da voz do Senhor, deseja andar com Deus. Esta guerra interior só é sanada quando este crente se coloca na liderança do Espírito de Deus. Paulo fez menção desta liderança: "Digo, porém: andai no Espírito e jamais satisfareis à concupiscência da carne." (Gl 5.16). Observe que andar sob a liderança do Espírito exige voluntariedade do crente. Esta disposição não é automática, nem casual. Se o crente não se dispor a seguir esta liderança ela não acontecerá. E é neste ponto que se distingue quem é e não é ovelha. Por isso Jesus disse que suas ovelhas conhecem a voz do Senhor porque elas estão dispostas a seguir sua liderança.

Jo 10.28

"Eu lhes dou a vida eterna; jamais perecerão, e ninguém as arrebatará da minha mão." (Jo 10.28). Depois de traçar a linha divisória entre seus ouvintes e suas ovelhas Jesus enfatizou como agem suas ovelhas. É preciso entender este contexto. Os judeus que ouviam Jesus eram frequentadores do templo de Israel. Eles passaram por todos os crivos que atestavam a fé deles. O equivalente hoje seriam os membros de uma igreja. O padrão esperado é este: a) o pastor prega uma mensagem; b) o pastor faz apelo; c) o indivíduo levanta seu braço e vem a frente; d) esta pessoa é aconselhada a se tornar membro da igreja; e) esta pessoa é batizada e integrada na comunhão dos membros daquela igreja: f) esta pessoa vai regularmente aos cultos da igreja. O resultado deste passo a passo é o individuo julgar ter vida eterna, porquanto fez tudo quanto lhe pediram para ser feito. Estes eram os judeus com quem Jesus conversava. Eles não eram batizados, mas circuncidados. Estavam seguro da posição deles até Jesus traçar esta linha delimitaria. Suas ovelhas não são aqueles que cumprem scrits humanos, mas os que ouviram a voz de Jesus, se arrependeram e entraram no reino de Deus. Estes são os que têm a vida eterna. Estes são os que nasceram de novo. Estes verdadeiramente são os filhos de Deus. Qual a diferença? Não foi o pastor quem morreu pelas ovelhas, mas Jesus Cristo. Na morte e ressurreição de Jesus houve uma troca com suas ovelhas. Elas, pela fé morreram para este mundo, dai a importância do arrependimento, para, do momento em que creram em diante, viver para Deus. O relacionamento é direto com o Senhor. O papel do pastor é apontar o caminho deste relacionamento, não de se comportar como um mediador entre Deus e o homem. Muitos dos que se acham ovelhas na verdade são responsivos ao que o pastor lhe diz, não ao que a palavra de Deus instrui. Por outro lado todo aquele que estabelece este relacionamento pessoal com Jesus estão seguros de sua posição.

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