Comentários no Evangelho de João

Comentários em João 11.3

Jo 11.3

"Mandaram, pois, as irmãs de Lázaro dizer a Jesus: Senhor, está enfermo aquele a quem amas." (Jo 11.3). Aqui temos uma oração diante de uma necessidade imperiosa. Diferente de muitos que se socorreram em Jesus, Marta e Maria cultivam profundo relacionamento com Jesus. O Senhor, quando passava por aquela região, se hospedava na casa desta família. Jesus, enquanto verdadeiro Homem, não podia estar em todo lugar, por isso era preciso mandar chamá-lo. Certa feita Jesus comentou desta limitação: "Mas eu vos digo a verdade: convém-vos que eu vá, porque, se eu não for, o Consolador não virá para vós outros; se, porém, eu for, eu vo-lo enviarei." (Jo 16.7). Jesus tinha em si a plenitude do Espírito Santo, na verdade muito mais que isso, o Espírito sem medida. Se não passasse pela experiência da morte não poderia compartilhar de seu Espírito, por isso era preciso chamá-lo. Em oração, em certo sentido, ocorre o mesmo. Somos conduzidos a orar ao Pai celestial em nome de Jesus. Quando o fazemos o Espírito Santo que habita em nós já nos colocou na presença de Deus, por isso podemos levar todas as nossas necessidades a Deus. Foi o que fizeram Marta e Maria. No pleito delas, estas mulheres fizeram questão de ressaltar quem Lázaro era. Elas enfatizaram que Lázaro era amado do Senhor. Este modo peculiar de referenciar Lázaro não é uma prerrogativa dele. É aplicável a todo filho de Deus. Está escrito: "… e em amor nos predestinou para ele, para a adoção de filhos, por meio de Jesus Cristo…" (Ef 1.4,5). Desde o dia em que nos tornamos filhos de Deus somos objetos deste amor. Este amor é de tal intensidade que não existe nenhuma distinção entre nós e Jesus em relação a Deus, nosso Pai celestial. Sobre esta intensidade Jesus nos revelou em sua oração: "… para que o mundo conheça que tu me enviaste e os amaste, como também amaste a mim." (Jo 17.23). Por que é tão importante saber da intensidade deste amor? Porque nada nos afasta deste amor, nem a tribulação, nem a enfermidade.

Por que é tão importante saber do amor de Jesus? Porque situações como da enfermidade de Lázaro faz o cristão colocar em dúvida os cuidados de Deus. Temos a tendência de achar a adversidade como Deus se afastando de nós. Nestas horas, ao invés de ir pessoalmente a Deus, mandamos intermediários. É o tal: – Ora por nós. Precisamos entender que quanto maior for a necessidade, mais consciente precisamos estar do amor de Deus para conosco. Isto porque algo como enfermidade é produto da queda, no de entanto Jesus veio nos remir levando sobre si nossas enfermidades. Leia por você mesmo como Paulo enxergava estas coisas: "Quem nos separará do amor de Cristo? Será tribulação, ou angústia, ou perseguição, ou fome, ou nudez, ou perigo, ou espada? Como está escrito: "Por amor de ti enfrentamos a morte todos os dias; somos considerados como ovelhas destinadas ao matadouro". Mas, em todas estas coisas somos mais que vencedores, por meio daquele que nos amou." (Rm 8.35-37). Vamos entender está visão. As coisas citadas por Paulo são corriqueiras neste mundo. Antes de entendermos este quadro pintado por Paulo, vamos considerar nosso papel. Somos ovelhas de Jesus, animal dócil, que requer cuidados constantes de seu pastor. A jornada da ovelha é de morte eminente. E como se dá este processo de morte? Por meio das coisas citadas por Paulo: tribulação, angústia, perseguição, etc. Quando estas coisas nos atingem, sentimos que vamos morrer. A angústia, por exemplo, nos faz isolar dos outros, pois é como se o peso do mundo caísse sobre nós. Nestas horas dá vontade morrer. Por que sobrevém angústia sobre nós? Para nos fazer esquecer dos cuidados de Deus sobre nós. É nesta hora que a fé sobrepuja a angústia. Veja como o salmista se expressava: "Deus é o nosso refúgio e fortaleza, socorro bem-presente na angústia." (Sl 46.1). Por isso podemos contar com Deus mesmo em meio a enfermidade.

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