Comentários no Evangelho de João

Comentários em João 6.48-51

Jo 6.48

"Eu sou o pão da vida." (Jo 6.48) Depois de Jesus ter feito a oferta da vida eterna para todo aquele que cresse em Jesus, Ele reafirma a si mesmo como sendo o pão da vida. Nesta expressão temos duas grandiosas reinvindicações feitas por Jesus acerca de si mesmo. São elas: – Eu Sou e, – o Pão da vida. Primeiro Jesus declara a sua identidade, então revela a sua bendita providência. Ao se declarar como sendo o Eu Sou, Jesus faz referencia ao nome divino que foi revelado a Moisés quando este se dirigiu ao Egito para libertar Israel da escravidão.  Moisés, diante da sarça ardente, maravilhado por Deus se fazer presente naquele lugar perguntou como Deus seria apresentado ao povo. Questionou Moisés:  Qual é o seu nome? (Ex 3.13). Por que é tão importante conhecer o nome de Deus? Considere um indivíduo qualquer ao nascer. Uma das primeiras providências é conceder-lhe um nome. Esta é a maneira dos pais criarem um vínculo com a criança para chamar ela ao convívio. O nome dado também distingue o bebê de todos os demais seres. Por fim o nome revela a identidade daquele filho ou filha. Foi o que Deus fez com Moisés ao revelar seu próprio nome. Primeiro Deus declarou sua identidade, se distinguiu dentre todos os deuses e abriu caminho para comunhão entre Ele e seu povo. Deus se revelou como sendo o EU SOU O QUE SOU, em síntese EU SOU, isto é יהוה em hebraico ou YHWH ou Jeová (Ex 3.14). Como entender este nome? Primeiro este nome revela que Deus é incognoscível, está além da capacidade humana compreendê-lo. Deus existe por si mesmo, é eterno em si mesmo, é onipresente, onipotente e onisciente. Ele é e nada mais precisa ser acrescentado em si mesmo. No entanto ao revelar- se como sendo EU SOU O QUE SOU, que também pode ser entendido EU SOU O QUE SEREI, Deus está dando a oportunidade do crente crescer no conhecimento de quem Deus é. Por mais estranho que isso possa parecer é como se Deus fosse a água que se amolda a todo tipo de copo. Em outras palavras Deus é aquilo que a fé do indivíduo alcança para que Deus seja. É como se Deus se limitasse a compreensão humana, razão porque na bem-aventurança Jesus declarou ser bem aventurado quem tem fome e sede de justiça porque este será farto (Mt 4.6). Por isso Jesus disse ser o pão da vida, tudo depende da fome que você tem de Deus para saber quão grande Ele é.

Jo 6.49

"Vossos pais comeram o maná no deserto e morreram." (Jo 6.49). Jesus retoma o argumento inicial dos judeus, reposicionando a história do Êxodo. Os judeus tinham questionado Jesus perguntando que sinal seria dado para que eles pudessem crer em Jesus (Jo 6.30). Na perspectiva deles o sinal dado por Jesus teria de ser igual aquele do Êxodo. Por quarenta anos aquele povo tinha sido alimentado no deserto com pão vindo do céu (Jo 6.31). Se estes judeus continuassem com seus argumentos poderiam ter lembrado Jesus que naqueles quarenta anos as vestes deles não envelheceram, nem seus pés incharam (Dt 8.4). Ocorre que a intenção original daquela multidão não era buscar de fato o pão do céu, porque se assim fosse teria sido suficiente Jesus se apresentar como sendo o pão de Deus (Jo 6.33), o pão da vida (Jo 6.35), o pão que desceu do céu (Jo 6.41). Se assim fosse eles teriam juntado a fome com a vontade e crido em Jesus. No entanto, no início daquele diálogo Jesus já havia revelado a verdadeira intenção dos judeus, de ter Jesus como provedor de suas necessidades naturais sem nenhum compromisso com o reino de Deus (Jo 6.26). Como sabemos disso? Por Jesus ter reposicionado o sentido histórico do Êxodo. De fato o povo no deserto comeram do maná, contudo morreram (Jo 6.49). Talvez você pergunte: – Mas toda a humanidade morre, mesmo os que creem em Jesus, ninguém pode evitar a morte física, então como a morte daquela geração no Êxodo representar a busca por necessidades naturais sem compromisso com o reino de Deus? Considere sua própria existência. Se você está lendo este texto significa que desde o dia do seu nascimento nunca lhe faltou nem o que comer, nem o que beber, nem o que vestir. E, neste sentido, até o fim de sua existência esta será a tendência de seus dias. Se Deus preservar sua vida de todo infortúnio você poderá vir a morrer naturalmente lá pelos 70, 80 ou alguns anos a mais (Sl 90.10). Todavia uma coisa é certa, um dia a morte vai chegar e, comparando sua existência com a eternidade, a avaliação de seus dias será como a relva que viceja, floresce, murcha e seca rapidamente (Sl 90.6). E pouco antes de sua morte física você poderá concluir que o maná que o alimentou por todos estes anos não serviu para nada, pois não tem o poder de fazer você viver eternamente. O anjo da morte aguarda pacientemente o seu último suspiro e depois?

Por que é tão importante Jesus ter resgatado a correta visão da história do Êxodo? Porque a força de uma sociedade está no ideal pelo qual ela luta. Os judeus queriam que Jesus fizesse com eles o mesmo que Moisés no deserto. Em síntese por 40 anos nunca lhes faltou o pão do céu e a roupa do corpo. No entanto o Êxodo foi sinônimo de incredulidade. O autor aos Hebreus fez referência a indignação divina contra aquele povo. Leia por você mesmo: "Por isso, me indignei contra essa geração e disse: Estes sempre erram no coração; eles também não conheceram os meus caminhos." (Hb 3.10). Nesta passagem o autor fez referência ao chamado dia da provocação (Hb 3.15). Que dia foi este? Foi o dia em que o relacionamento entre Deus e Israel mudou radicalmente. Eles tinham atravessado o mar Vermelho e viram os seus inimigos tragados pela morte (Ex 14.30). Eles haviam entoado o canto de livramento (Ex 15.1). Eles presenciaram as águas amargas se transformarem em doce, uma alusão a libertação da escravidão (Ex 15.25). Eles foram alimentados com maná descido dos céus (Ex 16.4). Eles tinham carne a fartar em meio ao deserto (Ex 16.12). E, mesmo diante de todos estes cuidados divinos, o que este povo fez? Abriram uma contenda contra Deus, acusando-o de os querer matar no deserto (Ex 17.3). Aquela atitude dos judeus foi a gota d´água, pois eles tentaram ao Senhor questionando se o Senhor estava ou não no meio deles (Ex 17.7). Para lhes dar água o Senhor feriu a rocha, uma alusão a morte de Jesus na cruz (Ex 17.6). Naquele dia, depois de ter recebido o maná do céu, o povo endureceu seu coração e  Deus jurou que aquele povo não entrariam na terra prometida (Hb 3.18). Percebem a seriedade de tudo isso? Conseguem ver a conexão entre este dia em que Israel provocou a ira de Deus com a ceia do Senhor, da qual participamos mensalmente? Leia por você mesmo: "Por isso, aquele que comer o pão ou beber o cálice do Senhor, indignamente, será réu do corpo e do sangue do Senhor." (I Co 11.27). No verso 30 deste capítulo é dito a consequência desta incrédula insensatez: muitos estão fracos, doentes e alguns chegam a dormir por faltar discernimento.

Alguém pode questionar esta conexão entre o maná do céu e a ceia do Senhor. O problema está em uma geração que se habitou a ler a Bíblia de forma seletiva, destacando todas as promessas e direitos, mas rejeitando todas as exortações e disciplinas. Aquele povo conhecia as escrituras ao ponto de usar o Antigo Testamento para questionar Jesus. No entanto o Senhor demonstrava que a leitura deles incorria em erros. O maná só perdurou no tempo da travessia do deserto. Esta travessia era para ser feita em dois anos, todavia foi acrescida de 38 anos até toda a geração saída do Egito morrer naquele ambiente inóspito. A incredulidade matou os judeus daquela época. Jesus estava trazendo o contexto histórico do maná para despertar a consciência daquele povo. Jesus foi taxativo: aquela geração de Israel comeu do maná, mas morreu na sua incredulidade. Assim têm sido muitos no seio da igreja: querem a benção de Deus, mas rejeitam a disciplina divina. Destes o autor aos Hebreus fez uma solene advertência: "Mas, se estais sem correção, de que todos se têm tornado participantes, logo, sois bastardos e não filhos." (Hb 12.8). Eis o centro da controvérsia: Jesus veio trazer a filiação divina, o povo queria continuar escravos de suas paixões. Jesus veio trazer vida eterna, o povo queria perpetuação da vida terrena. Jesus veio trazer o pão do céu, o povo demonstrava por suas palavras que "o destino deles é a perdição, o deus deles é o ventre, e a glória deles está na sua infâmia, visto que só se preocupam com as coisas terrenas" (Fl 3.19). Em síntese a manifesta incredulidade daquele povo os tornavam inimigos da cruz de Cristo (Fl 3.18), pois o evento base do argumentos deles trazia a tona o dia da provocação, quando a rocha foi ferida para saciar a sede de incredulidade daquele povo (Ex 17.6). O verdadeiro objetivo divino da provação do deserto era humilhar o povo para os levar ao arrependimento, pois não só de pão vive o homem, mas de toda palavra que procede de Deus (Dt 8.3). Quem não compreende isso terá na experiência da morte física o selo de sua incredulidade. Por isso Jesus foi tão enfático com a multidão: Israel comeu do maná no deserto e morreu.

Jo 6.50

"Este é o pão que desce do céu, para que todo o que dele comer não pereça." (Jo 6.50). Depois de Jesus enfatizar a geração morta no deserto por sua incredulidade, Jesus fez o contraponto em três aspectos. Primeiro Ele é o pão que desce do céu. Não há como considerar esta afirmação de Jesus sem considerar sua pré-existência. Todo homem nasce do ventre de mulher, como de fato se deu com Jesus, mas diferente de todos os homens, Jesus foi concebido pelo Espírito Santo no ventre de Maria. Deste modo Jesus é verdadeiro Homem e verdadeiro Deus. O autor aos Hebreus fez menção a esta concepção divina como um corpo que foi preparado para nele habitar a divindade (Hb 10.5). Paulo nomeou este evento como sendo o grande mistério da piedade (I Tm 3.16). Na verdade este mistério era totalmente incompreensível para aquela multidão porque para considerar este evento é preciso assumir a profunda humilhação a que Jesus foi submetido. Isto porque Jesus, como revelado por Paulo, não teve por usurpação ser igual a Deus antes a si mesmo se humilhou se fazendo servo, tomando forma de homem e sendo obediente até a morte de cruz (Fl 2:5-8). Assim qualquer que assumir ser Jesus o pão descido do céu precisa ficar face a face com sua humilhação. O segundo aspecto salientado por Jesus é da necessidade do crente se alimentar dEle. Com isso a fé em Jesus não é uma deliberação casual, mas uma confissão continuada. O pão comido se incorpora nas entranhas do nosso ser, tornando um com nossa carne. Do mesmo modo receber Jesus exige tornar nosso ser sua habitação, razão porque o autor aos Hebreus declarou que podemos ser considerados casa do Filho de Deus se guardarmos firme, até ao fim, a ousadia e a exultação da esperança (Hb 3.6). Ousadia em aproximar-se de Deus por meio de Jesus e firme na esperança de vida eterna por crer em Jesus. Esta exultação da esperança é o terceiro ponto exposto por Jesus. A fé depositada nEle nos traz vida eterna, mudando completamente o destino final de nossas almas. Em síntese Jesus demonstrou aos judeus que seu propósito último não era tão somente dar vida eterna ao crente, mas estabelecer um relacionamento eterno de comunhão entre Ele e este crente.

Jo 6.51

"Eu sou o pão vivo que desceu do céu; se alguém dele comer, viverá eternamente; e o pão que eu darei pela vida do mundo é a minha carne." (Jo 6.51). Jesus foi ampliando progressivamente a profundidade de seus argumentos. Ele havia se apresentado como o pão do céu (Jo 6.32), o pão de Deus (Jo 6.33), o pão que desceu do céu (Jo 6.41). Por se apresentar como sendo este pão que dá vida ao mundo (Jo 6.34), Jesus afirmou o óbvio: este pão é para ser comido (Jo 6.50). Ao fazer esta declaração Jesus está afirmando esperar de seus ouvintes que criem uma íntima e profunda conexão diária com Ele, visto ser o pão o mais básico de todos os alimentos. Voltemos a cena da padaria. Diariamente você se dirige a este estabelecimento para comprar pão com o propósito de alimentar você e toda a sua família. Ninguém, em sã consciência, compra o pão para estocar porque ele rapidamente perde sua consistência, antes este pão é de consumo imediato. Sabendo disso muitas padarias declaram os horários em que se encontram pãezinhos feitos na hora. Assim era o maná no deserto, caído na terra era recolhido para consumo imediato, o que fosse deixado para o dia seguinte apodrecia, a exceção daquele colhido na sexta feira, pois o sábado era o dia do descanso do Senhor. É nesta perspectiva que Jesus se declara sendo o pão que precisa ser comido. Se alguém compreende a proposta de Jesus deve se perguntar: – Como é possível comer este pão descido do céu? Vamos fazer uma série de analogias para compreender o ensino de Jesus. A água mata a sede, também o suco de laranja. A diferença entre a água e o suco é que o primeiro está em seu estado in natura, o suco é fabricado pelo homem. Mesmo que o indivíduo seja apaixonado por suco de laranja, é impossível usar somente deste recurso para matar a sede. Chegará o momento que naturalmente ele buscará por água, pois este é o líquido adequado para matar a sede. Por que então existe o dilema entre o suco e a água? Porque o suco tem sabores que estimulam o organismo, a água não. Ela é um líquido inodoro, incolor e insípido. Por insípido entenda como não tendo nenhum gosto.

Vimos o contraste entre o suco e a água. O primeiro, fabricado pelo homem, estimula o paladar, a água nenhum gosto tem. Façamos agora outra comparação entre coisas criadas por Deus. Leia por você mesmo: "Do solo fez o Senhor Deus brotar toda sorte de árvores agradáveis à vista e boas para alimento; e também a árvore da vida no meio do jardim e a árvore do conhecimento do bem e do mal." (Gn 2.9). Podemos comparar todas as árvores frutíferas como o suco, elas estimulam também o paladar. Por contraste podemos dizer que nem a árvore da vida, nem a do conhecimento tinham em si mesmo sabores. Destas duas a do conhecimento tinha o poder de estimular a mente, o que significa ser a árvore da vida absolutamente insípida. Isto porque, com a queda ela foi a única que o homem caído não levou consigo daquele jardim. Antes Deus selou o jardim, guardando-o por meio da espada de flamejante de um anjo (Gn 3.20). Voltemos a primeira comparação, entre o suco e a água. Todos sabemos que beber água é uma questão de consciência. Cientistas apontam para a necessidade de ser ingeridos dois litros de água por dia para que o indivíduo possa colher os benefícios deste líquido. Para que esta meta seja alcançada diversos artifícios são utilizados, como por exemplo, ter sempre a mão um pote de meio litro de água, renovando ele quatro vezes no dia. Alguns orientam que a água deve ser consumida em goles de 200 ml cada vez, então, além do pote é preciso um copo contendo esta medida para facilitar o controle. Um aplicativo poderia ajudar, pois basta apertar um botão para somar cada ingestão de água até alcançar a meta do dia. Todos estes procedimentos e cuidados reforçam a noção que beber água com regularidade é um ato de consciência. Se esta meta não for buscada, a tendência será o indivíduo optar pelo suco ou qualquer outro tipo de bebida fabricada pelo homem. Ou mesmo não beber nem água, nem suco, nem qualquer outra bebida ao longo do dia, senão o mínimo do mínimo necessário.

Como resolver o dilema entre beber água ou suco? Só por meio da conscientização da importância da água para o organismo. Isto porque nossa carne sempre vai escolher o que lhe é prazeroso, suco ou qualquer outra bebida fabricada. Voltemos ao jardim do Éden. Havia três tipos de árvores: frutíferas, da vida e do conhecimento. Esta última era proibida, as demais liberadas. Do ponto de vista natural a opção do primeiro casal seria pela árvore frutífera. É muito provável que a árvore da vida nenhum gosto tivesse, assim como é o caso da água. Portanto optar por comer da árvore da vida seria uma escolha consciente desta necessidade. Naturalmente a árvore da vida não seria uma opção alimentar, ainda que seus benefícios sejam evidentes. Tanto é que entre a árvore da vida e do conhecimento o primeiro casal optou pelo fruto proibido, ignorando a árvore da vida. Como sabemos disso? Para Deus a árvore da vida estava no meio do jardim (Gn 2.9), mas para a mulher quem estava no meio do jardim era a árvore do conhecimento (Gn 3.3). Com isso queremos dizer que somente por um processo de conscientização vamos comer o pão da vida, jamais faremos isso naturalmente. É por esta razão que o Apóstolo Paulo exorta a igreja a se apresentar seu corpo diante de Deus como um sacrifício vivo. Com isso Paulo está reconhecendo que nenhuma atividade espiritual será realizada naturalmente, antes é preciso um esforço consciente, disciplinado, persistente e contra as resistências interiores para se apresentar diante de Deus. É por isso que Paulo chama este culto prestado a Deus como sendo de cunho racional. Todo aquele que deseja se alimentar do pão descido do céu precisa estar cônscio que ele nunca vai encontrar no âmago do seu ser esta vontade. É uma escolha entre o suco e a água, o prazer o levará a optar pelo suco, mas a consciência dirá que melhor é a água. E só por muita força de vontade a água continuará sendo a opção preferencial. É por isso que encontramos nas escrituras exortações semelhantes a esta: "Por esta razão, importa que nos apeguemos, com mais firmeza, às verdades ouvidas, para que delas jamais nos desviemos." (Hb 2.1). Por apegar implica na formação do hábito de tomar para si a verdade como diretriz existencial.

Como demonstramos todo aquele que atende o convite de Jesus para comer do pão descido do céu, do pão que dá vida precisa tornar-se consciente da necessidade de se alimentar de Jesus e tornar esta atitude um hábito diário. Qual a importância da consciência em alimentar-se de Jesus diariamente? Porque Jesus, ao se apresentar como pão de Deus, está abrindo caminho para que nós possamos partilhar íntima comunhão com Deus. Esta é a correlação existente entre comer do pão e viver para sempre. Isto significa alcançarmos plena reconciliação com Deus por meio de Jesus Cristo. Este é um convite para participarmos dos negócios do reino de Deus como aconteceu com Abraão. Certa feita ele recebeu a visita do Senhor e mais dois anjos. Abraão se prostrou diante do Senhor, adorando-o pela alegria de poder permanecer na bendita presença de Deus (Gn 18.3). Abraão preparou uma refeição para tão ilustres visitas, trazendo-lhes pão e um novilho tenro e bom (Gn 18.4,7). Abraão permaneceu de pé enquanto o Senhor se alimentava com seus anjos (Gn 18.8), princípio espiritual que enfatiza da necessidade de primeiro buscarmos o reino de Deus e sua justiça, então tudo nos é acrescentado (M 6.33). Observe que, ao mesmo tempo em que Jesus é o pão descido do céu, Abraão tinha do pão em sua casa para apresentar ao Senhor. Podemos concluir ser Jesus toda a provisão para nossas necessidades, ao mesmo tempo em que demonstramos gratidão reconhecendo ser o nosso suprimento uma dádiva de Deus. A gratidão anda junto com a fé do mesmo modo que o serviço caminha de mãos dadas com a adoração. Por isso Jesus conclui sua fala correlacionando a provisão divina como sua obra na cruz. Por isso Jesus enfatiza que o pão de Deus é sua própria carne, pois o grande propósito de sua encarnação foi morrer na cruz em sacrifício por nossos pecados, satisfazendo toda justiça divina. Em síntese Jesus nos chama a eterna comunhão com Deus por remover completamente todo e qualquer impedimento por meio da cruz. Paulo coloca esta verdade nestes termos: "tendo cancelado o escrito de dívida, que era contra nós e que constava de ordenanças, o qual nos era prejudicial, removeu-o inteiramente, encravando-o na cruz" (Cl 2.14).

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