Comentários no Evangelho de João

Comentários em João 7.40-44

Jo 7.40

"Então, os que dentre o povo tinham ouvido estas palavras diziam: Este é verdadeiramente o profeta;" (Jo 7.40). Observe agora a reação das pessoas depois de Jesus ter dado todas as instruções. Concluíram que Jesus era verdadeiramente profeta, isto é, que o conhecimento que Jesus tinha transmitido tinha vindo da parte de Deus, não era uma invenção humana. Aquela multidão, mesmo não tendo ainda consciência de como internalizar o conhecimento dado por Jesus e mudar sua forma de viver, tinha a percepção mental da importância dos ensinos e estavam dispostas a conhecer mais acerca do assunto. Como normalmente as pessoas fazem? Elas recebem um insight poderoso, aquilo as desperta para algo importante, mas logo em seguida deixam cair no esquecimento, não investigam mais. Jesus comentou deste fato na parábola do semeador. O indivíduo ouve a palavra, a recebe com vívido interesse, no entanto no momento seguinte o maligno vem e tira aquela palavra do coração da pessoa porque ela não compreendeu o que foi dito. Este estava diante de um tesouro, contudo o desprezou. E qual deveria ser a atitude correta? A primeira coisa a fazer é anotar o insight que recebeu. Compre um caderno de notas de um tipo que, quando você for comprar outro, só mude a cor, não o modelo. Tenha este caderno de anotação em modelo padrão. Qual a ideia aqui? Hoje você tem um caderno numerado 001, com uma página anotada. Amanhã você tem 999 cadernos de anotações. Então você sabe calcular o quanto de informação entrou no seu cérebro. Estando anotado poderá recapitular tantas vezes quanto quiser. O importante é não deixar o maligno roubar a ideia, o insight que recebeu. O segundo passo depois deste, pesquise mais sobre a ideia que anotou e continue escrevendo suas observações no mesmo caderno. Tenha em mente esta firme determinação, fazendo este compromisso com você: – Eu não vou mais permitir o maligno roubar uma ideia do meu coração, vou anotar tudo.

Jo 7.41

"outros diziam: Ele é o Cristo; outros, porém, perguntavam: Porventura, o Cristo virá da Galileia?" (Jo 7.41). Jesus havia terminado de expor a palavra de Deus e a multidão que ouviu começou a indagar acerca do conteúdo. O primeiro grupo entendeu que Jesus era o Profeta prometido por Moisés, agora um segundo grupo conclui que Jesus é o Cristo, isto é, o Messias, o Redentor prometido. O terceiro grupo questiona se o Messias poderia ser alguém vindo da Galiléia. Quero fazer uma pergunta para você: – Qual é a diferença entre você e esta multidão em relação a este evento? Jesus se levantou no último dia da Festa dos Tabernáculos e falou. Este evento aconteceu a mais de 2.000 anos. No entanto o evento foi relatado e você o está lendo agora. Isto significa que você está participando tão intensamente do evento como se lá estivesse. Você pode não saber como era o local, como as pessoas se vestiam, se era inverno ou verão. Mas você sabe que eles estavam em Jerusalém, no Templo. Você sabe que Jesus de Nazaré tinha terminado de falar. Você conhece o conteúdo da fala de Jesus, pois foi registrado pelo apóstolo João. Você sabe, inclusive, o que o povo comentou depois de Jesus ter falado. Se pergunte então: – Qual é o seu comentário a respeito deste assunto? Que pergunta você teria para fazer se pudesse estar lá? Como Jesus deixou o outro Consolador e Ele está aqui com você, que pergunta você faria ao Consolador acerca de tudo que se passou? Quem é Jesus para você? O Profeta ou o Messias? Faça uma reflexão acerca de si mesmo? Você está pensando sobre o que Jesus falou e acerca de quem é Jesus ou é um leitor passivo? Quanto tempo, depois de ler este verso, este assunto vai ficar em sua mente consciente? Você lê a Bíblia e está sendo instigado a pensar? Ou você só reflete no assunto no exato instante que lê e, depois, só vai lembrar de novo no dia seguinte, quando lê mais uma porção da Bíblia? Note: os judeus discutiam questões que só eram possíveis conhecendo o Antigo Testamento.

Jo 7.42

"Não diz a Escritura que o Cristo vem da descendência de Davi e da aldeia de Belém, donde era Davi?" (Jo 7.42). A discussão entre o povo tentava descobrir quem Jesus era. Para uns Jesus era o Profeta anunciado por Moisés, para outros o Cristo, o Messias, o Redentor de Israel. O primeiro grupo baseava na lei de Moisés, os primeiros cinco livros da Bíblia, o Pentateuco. O segundo grupo buscava suas respostas nos profetas, em especial o profeta Miqueias. Vamos colocar as coisas no devido esquadro. Jesus é o enviado de Deus. Ele não caiu de paraquedas na terra, antes sua vinda foi meticulosamente anunciada por uma série de indicativos ou sinais para que, quando Jesus viesse, não houvesse dúvida alguma de sua identidade. Estes escritos foram reconhecidos e consolidados no Cânon do Antigo Testamento em número de 39 livros. Aquela multidão nutria consigo a expectativa da vinda de Jesus e buscava os indicativos desta vinda nestes livros, uns dando preferência a lei outros aos profetas. Jesus veio e declarou que voltará. Do mesmo modo como fez no Antigo Testamento deixou pelo menos dois grandes escritos acerca de sua vinda no Novo Testamento: um em Mateus capítulo 24, outro no Apocalipse. Com isso podemos fazer um comparativo entre nós e aquela multidão. Nós conhecemos acerca da segunda vinda de Jesus tanto quanto aquele povo, que chegou a citar especificamente um verso da lei e outro dos profetas? Nós discutimos entre nós estes textos proféticos demonstrando que estamos buscando os indícios que Jesus está voltando? Nós nos preparamos conscientemente para a segunda vinda de Jesus? Aqueles judeus, mesmo tendo zelo por esta busca, ainda assim rejeitaram Jesus porque mantiveram-se incrédulos para com os escritos que liam. O mesmo pode acontecer nos dias atuais, a igreja institucionalizada estar envolvida com seus próprios eventos que deixa de lado sua mais preciosa meta, estar ataviada com uma noiva ao Esposo, clamando juntamente com o Espírito: – Ora, vem Senhor Jesus!

Jo 7.43

"Assim, houve uma dissensão entre o povo por causa dele;" (Jo 7.43). João enfatizou a discussão travada acerca de Jesus. Este detalhe é muito importante porque as pessoas discutem assuntos que dominam seu coração. Os judeus estavam sob o domínio do império romano. Eles eram conscientes de sua descendência de Abraão. Eles moravam na terra prometida, onde manava leite e mel e tinham consciência da glória dos reinos de Davi e Salomão. Lhes era inconcebível permanecer debaixo do jugo romano. Eles tinham esperança na chegada do Messias, pois o Cristo os libertaria dos romanos assim como Moisés fez no Egito. Quer Jesus fosse Profeta ou Messias, eles confiavam que o Redentor os libertaria do jugo romano. Havia muita verdade nas expectativas dos judeus, mas outras precisavam ser ajustadas à luz da palavra de Deus. O erro deles foi se aferrar em uma interpretação equivocada. Contudo o mérito deles estava no conhecer sua história, ter esperança nas promessas de Deus e fazer deste assunto o conteúdo da discussões deles. Agora faça um paralelo com o cristianismo atual. Em geral os crentes participam de, pelo menos, um culto semanal. Alguns frequentam a escola bíblica, uns poucos lêem a Bíblia com regularidade, menos ainda estudam a palavra de Deus com método. Contudo praticamente ninguém discute com outro as promessas de Deus. Os cristãos estão se comportando como ilhas, totalmente passivos quando o assunto é a Bíblia. Com esta atitude pensam que sabem alguma coisa, mas se entrar em discussão descobrirá que são pouco seus argumentos. Se formos medir o interesse pelas coisas de Deus pela quantidade de discussões, podemos quase assegurar que temos um ambiente apóstata. Por que este diagnóstico? Porque discutimos aquilo que nutrimos interesse. Não basta pensar acerca da Bíblia, precisamos colocar para fora o que está em nossa mente porque esta é a única forma de avaliar a fé que temos. Caso contrário quando esta fé for exigida podemos descobrir que não temos nada.

Jo 7.44

"alguns dentre eles queriam prendê-lo, mas ninguém lhe pôs as mãos." (Jo 7.44). A exposição de Jesus transtornou completamente os poderosos. Estes se viram ameaçados em seus domínios, querendo prender Jesus para continuarem mantendo o férreo poder sobre a mentalidade do povo. Contudo a intenção deles não foi levada a cabo porque querer não é necessariamente traduzido em fazer acontecer. Considere por um instante o volume de coisas que passa em sua mente diariamente que o move a querer algo. Quantas destas coisas se concretizaram em efetivação? Bem poucas. Do mesmo modo estava Jesus ensinando no templo. O povo ouviu Jesus com aguçado interesse. Muitos se convenciam acerca do conteúdo dos ensinos de Jesus, contudo uma parte não só se mantinha arredio, como também, se pudesse, faria Jesus se calar para sempre. No entanto Jesus disse:: "Por isso, o Pai me ama, porque eu dou a minha vida para a reassumir. Ninguém a tira de mim; pelo contrário, eu espontaneamente a dou. Tenho autoridade para a entregar e também para reavê-la. Este mandato recebi de meu Pai." (Jo 10.17,18). O medo de perder a vida é comum a grande parte dos seres humanos. Há uma grande preocupação para com a segurança pessoal, principalmente em regiões onde conflitos estão conflagrados e qualquer um pode morrer por bala perdida. No entanto, mesmo em meio a ambiente onde viceja o medo, ainda assim a vida está nas mãos de Deus, ninguém pode tirá-la se não for permitido do alto céus. No entanto a chave desta verdade está em algo que só os humanos possuem: consciência. Para que este poder seja ativado o crente precisa ter consciência que ele existe e, acima de tudo, que está restrito a esta existência. Note que não puderam prender Jesus naquela hora, mas foi possível depois, no Getsemani. Contudo Jesus estava preparado tanto para uma situação quanto outra. Não ter medo não significa evitar a morte, mas ter consciência que ela virá tão somente quando a hora chegar e este tempo está nas mãos de Deus.

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