Comentários no Evangelho de João

Comentários em João 7.47-49

Jo 7.47

"Replicaram-lhes, pois, os fariseus: Será que também vós fostes enganados?" (Jo 7.47). Os guardas tiveram a coragem de expressar sua opinião diante das autoridades religiosas. Contudo imediatamente foram redarguidos. Nesta cena vemos cegos guiando cegos. Como isso pode acontecer? Digamos que você tem diante de si dois copos, um com água outro com pinga. Você tem certeza absoluta do conteúdo de um dos copos, é pinga. Você não sabe o que tem no outro copo, que é água. Mas você tem consigo que se alguém beber coisa incolor só pode ser pinga. Então a pessoa diz a você: – Este copo é de água? Sem provar, seguro de sua certeza você rebate de pronto: – Claro que não, quem enganou você? Nesta casa só entra pinga. E a contenda entre as duas opiniões começa. Alguém que assiste esta discussão pensa consigo: – Seria tão fácil resolver este assunto! Bastaria provar o líquido. De fato é simples assim, mas como você acredita que todo líquido incolor só pode ser pinga, é impensável aceitar alguém dizer do contrário. Então, antes da pessoa começar a falar você já corta o mal pela raiz: – É pinga! E tem mais, para fazer morrer o assunto, vou despejar este líquido no ralo, porque se não for pinga, é uma falsificação, nem cabe prova!. E, em um gesto brusco, derrama o líquido no ralo. Como o copo ficou vazio não há mais o que discutir. O assunto morreu. Assim as autoridades religiosas fizeram com Jesus, tentaram fazer desaparecer os argumentos de Jesus com uma frase de efeito: – Ele engana as pessoas, logo, se são inteligentes, devem fechar seus ouvidos para ele, criando o preconceito. Pense em quantos broqueios você conhece no âmbito religioso: – Crente é gente fanática! – Crente é sem noção! – Crente é retrógrado! – Crente é ser primitivo! – Crente é povo bitolado! – Crente é retardado! – Crente é estraga prazer! – Crente não sabe o que é viver! Todas estas frases são ponto de vistas que cegam o entendimento porque fecham a mente para a coisa mais importante: buscar conhecimento.

Jo 7.48

"Porventura, creu nele alguém dentre as autoridades ou algum dos fariseus?" (Jo 7.48). Todos somos sujeitos a autoridades de algum tipo. Estas autoridades, pela posição que ocupa, tende a influenciar nosso comportamento, seja pela admiração que temos por elas, seja por rejeitarmos o seu comportamento. Isto porque somos seres profundamente movido por referenciais, visto termos sidos criados a imagem de Deus. Com isso queremos dizer que se não tivermos clareza ser Deus nosso maior referencial, qualquer coisa pode ocupar este lugar. Aliás, este é o princípio da idolatria. É por conhecer esta condicionante humana que os líderes religiosos judaicos se consideravam como aferidor da fé do povo. Imagine você lendo a Bíblia e encontrando uma promessa de Deus para a sua vida. Você anota esta promessa, vai até seu pastor e pede para ele confirmar se é uma promessa digna de ser crida ou não. Somente se o pastor validar a promessa, você se libera para crer. Foi este o comportamento que os sacerdotes e fariseus esperavam dos guardas. Se nenhum deles tinham crido em Jesus, como o guarda ousaria crer? O apóstolo Pedro critica veementemente este tipo de imposição à liberdade de crer. Escreveu ele: "pastoreai o rebanho de Deus… não por constrangimento; … nem como dominadores dos que vos foram confiados, antes, tornando-vos modelos do rebanho." (I Pd 5.2,3). Por este conselho de Pedro se percebe que a relação pastoral pode facilmente se tornar em um impeditivo para a verdadeira fé. Esta inversão de valores ocorre sempre que o pastor deixa de ser modelo para se tornar em opressor. E como é ser modelo para os fiéis? Primeiro este pastor precisa ter ricas experiências com Deus como fruto de sua crença; depois este pastor precisa conduzir o membro de sua igreja a buscar a mesma experiência que ele tem com Deus. O principal papel do pastor é este, o de conduzir seu rebanho à presença de Deus para ser alimentado pelo próprio Deus.

Jo 7.49

"Quanto a esta plebe que nada sabe da lei, é maldita." (Jo 7.49). Em muitos lugares, se você quiser não se decepcionar, melhor não saber nada sobre os bastidores. Isto porque o palco pode ser uma experiência sumamente produzida, glamorosa, focada e preparada para atingir seu propósito. Se seu objetivo for extrair o melhor daquela apresentação, então atenha-se a este produto, mas não se intrometa com os bastidores. Todavia, mesmo que a pessoa ou grupo tenham a intenção de gerar a melhor das produções, em algum momento acabam se traindo nas falas. É possível perceber algumas deixas que não estão alinhadas com o propósito todo. Um exemplo bem simples: – O evento é uma pregação sobre o livro do Apocalipse. Você ouve e fica impressionado com o conteúdo profético da mensagem. Então, feliz por encontrar alguém falando do assunto, você vai até a pessoa e faz uma pergunta complementar. Na resposta dela você percebe que, mesmo tendo pregado sobre o assunto, não é algo que move o coração dela e a resposta é profundamente decepcionante. Agora considere a fala destes líderes religiosos. Eles chamam o povo de maldito. Vá até o sinédrio e os veja pregando, em momento algum esta visão preconceituosa é manifesta. O povo que ouvia entendia, por certo, que os religiosos queriam o melhor para eles, mas era nos bastidores que as máscaras caiam. Para estes religiosos a plebe era ralé, povo ignorante da lei, massa de manobra. Este tipo de pastor foi retratado pelo profeta: Ezequiel: "Filho do homem, profetiza contra os pastores de Israel; profetiza e dize-lhes: Assim diz o Senhor Deus: Ai dos pastores de Israel que se apascentam a si mesmos! Não apascentarão os pastores as ovelhas? Comeis a gordura, vestis-vos da lã e degolais o cevado; mas não apascentais as ovelhas. A fraca não fortalecestes, a doente não curastes, a quebrada não ligastes, a desgarrada não tornastes a trazer e a perdida não buscastes; mas dominais sobre elas com rigor e dureza." (Ez 34:2-4).

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