Comentários no Evangelho de João

Comentários em João 8.12

Jo 8.12

"De novo, lhes falava Jesus, dizendo: Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará nas trevas; pelo contrário, terá a luz da vida." (Jo 8.12). No início deste evangelho João associou a luz dos homens, que é Jesus, com a vida. Precisamos definir vida. Este termo está indelevelmente associado com a passagem do tempo. Viver implica em estado incessante de atividade. Considere você descansando, deitado em uma rede. No mínimo seu coração está batendo, o sangue está circulando em seu corpo; diversos pensamentos estão cruzando sua mente, seus olhos estão observando a paisagem, seus ouvidos estão apreciando seus ouvidos. Portanto viver é existir no tempo. Quando o primeiro casal foi expulso do Éden, eles, naquele mesmo dia tiveram de procurar algo para comer. Talvez encontrasse o fruto da manga para chupar, o alface para comer. Com o passar do tempo eles perceberam a necessidade de extrair a semente do fruto e plantar. Alguma técnica teve de aplicar para lançar a semente ao solo, aguá-la, remover as ervas daninhas, cultivando-as até que a planta entregasse seu fruto. Diante deste quadro eu faço uma pergunta a você? De onde Adão tirou a ideia de lançar a semente ao solo para, no futuro, colher o fruto? Leia por você mesmo: "E plantou o Senhor Deus um jardim no Éden, na direção do Oriente, e pôs nele o homem que havia formado." (Gn 2.8). Adão não fez outra coisa senão imitar Deus, portanto a ideia, a luz que iluminou o modo como Adão devia conduzir sua vida veio de Deus. Considere agora a mulher pega em flagrante adultério. Como proceder com ela? Na perspectiva dos religiosos esta mulher quebrou a lei. Esta lei fora dada por Moisés. Assim, os religiosos abriram o Antigo Testamento, leram que, tanto o homem quanto a mulher, quando pegos em adultérios, deveriam ser apedrejados. De onde veio à lei de Moisés? De Deus, do mesmo modo que a ideia de plantar para colher também veio de Deus.

Adão teve a ideia de plantar porque viu Deus formando o jardim do Éden. Os religiosos resolveram apedrejar a mulher porque leram na lei de Moisés que este era o procedimento para o adultério. Como a lei de Moisés veio de Deus, estes religiosos julgavam estar fazendo a vontade de Deus. O que Paulo, o apóstolo, diz destes religiosos? "Porque lhes dou testemunho de que eles têm zelo por Deus, porém não com entendimento." (Rm 10.2). Servir sem entendimento significa andar em trevas, esta era a condição destes religiosos: cegos conduzindo cegos, por isso eles tropeçavam na pedra de tropeço. Diante de Jesus eles incorriam na prática da injustiça. Estes religiosos estavam cobertos por aquilo que se chama justiça própria, vestes estas que, aos olhos de Deus, são trapos de imundícies: "Mas todos nós somos como o imundo, e todas as nossas justiças, como trapo da imundícia; todos nós murchamos como a folha, e as nossas iniquidades, como um vento, nos arrebatam." (Is 64.6). Note como é chamado o procedimento dos judeus, pois pensando que praticavam a justiça, estavam sendo machistas e discriminadores. Eles faziam vista grossa para o pecado do homem, mas submetiam a mulher a completa humilhação. Como diz o ditado popular: "a corda sempre arrebenta para o lado do mais fraco" Jesus veio para mudar este quadro, para trazer luz ao comportamento, mostrar a origem do mal e dar chance para o recomeço. O primeiro critério dado por ele foi este: – Faça um exame de consciência! Jesus manifestou esta necessidade ao se calar e escrever na areia enquanto a mulher era acusada. O segundo critério foi: – Examina a palavra de Deus! O terceiro critério foi: – Seja santo! Isto porque só quem não tinha pecado poderia atirar pedra. Quem se utiliza destes três critérios não atira pedras, antes tem misericórdia.

O que é andar em conformidade com a luz da vida? O que é andar em trevas? Por que precisamos de Jesus para ter luz? Precisamos nos fazer estas perguntas por que não estamos habituados a pensar espiritualmente. O contraste trevas e luz definem as condições do mundo. Naturalmente vemos o sol iluminando a terra, mas espiritualmente o diabo está cegando o entendimento dos incrédulos. Se dois indivíduos estiverem conversando, pode ocorrer de ter uma névoa negra sobre um, o outro estar envolto por luz divina. Quem observa esta cena não notará diferença alguma entre os dois. O pior, talvez nem eles notam diferença alguma entre eles. O palavreado é o mesmo, o assunto é comum a ambos, contudo um deles é habilitação do Espírito Santo, outro não. Um tem a vida eterna, para o outro, depois da morte vem o juízo. Um deles foi declarado santo e justo, o outro está morto em seus delitos e pecados. O drama é que os dois podem estar no mesmo plano espiritual. Isto porque se um está espiritualmente morto para Deus, o outro está dormindo, ou seja, não tem consciência de sua vitalidade espiritual. É por existir indivíduos assim que Paulo exorta: "Pelo que diz: Desperta, ó tu que dormes, levanta-te de entre os mortos, e Cristo te iluminará." (Ef 5.14). Esta exortação demonstra a necessidade do crente ter a determinada atitude de compreender as coisas divinas. É preciso certo nível de esforço; é preciso ver Jesus como um modelo a ser seguido. E qual é a cena mais relevante da vida terrena de Jesus? Seu sofrimento, crucificação, morte, ressurreição e ascensão aos céus. Diferente da trajetória de Jesus, qual a visão que temos da vida? Glamour, sucesso, prosperidade e realizações pessoais. De fato estes são objetivos existenciais dignos e necessários. O problema é que o mundo exclui da equação tudo que não está em conformidade com este padrão existencial.

O mundo cria dado padrão sem, contudo, ensinar o processo para chegar nele. Para o mundo é oito ou oitenta, ou está dentro do padrão, ou o indivíduo é execrado por não se enquadrar. Por exemplo: uma mulher acima do peso fica deprimida por não ter corpo esbelto; um homem, por estar desempregado, entra em depressão. Os que estão no topo do sucesso no padrão do mundo formam um grupo discriminatório. Isto porque eles acreditam que alcançaram elevado padrão de riqueza por não conviverem com gente de mentalidade pobre. Então se fecham em seu mundo formando o clube das mentes privilegiadas. Consideram-se dotados de um saber iluminado que precisa ser retroalimentado para se manter no topo. Assim, o mundo cria um padrão discriminatório, quem não se encaixa nele é abandonado à sua própria sorte. Jesus veio para mudar este quadro, por isso é a luz do mundo. Jesus valorizou tanto o sucesso quanto o caminho para alcançá-lo. Aliás, Jesus mostrou que o verdadeiro caminho da realização é aquele que palmilha a trilha da cruz. Jesus ensinou que o verdadeiro troféu do vitorioso é as suas cicatrizes. Quando Jesus encontrou-se com Tomé, este não acreditava em sua ressurreição. Jesus disse a Tomé: "… Põe aqui o dedo e vê as minhas mãos; chega também a mão e põe-na no meu lado; não sejas incrédulo, mas crente." (Jo:20.27). Paulo, nesta mesma toada, mostrou quão importante são as cicatrizes para o cristão: "Quanto ao mais, ninguém me moleste; porque eu trago no corpo as marcas de Jesus." (Gl 6.17). Com isso queremos dizer que todo verdadeiro cristão bem sucedido é alguém reconciliado com seu passado. E, por ser curado em suas emoções, quando alcança o sucesso, o compartilha com generosidade, não só relatando suas vitórias, como compartilhando suas dores. Quem venceu desta forma traz outros feridos junto consigo.

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