Comentários no Evangelho de João

Comentários em João 8.13,14

Jo 8.13

"Então, lhe objetaram os fariseus: Tu dás testemunho de ti mesmo; logo, o teu testemunho não é verdadeiro." (Jo 8.13). Jesus havia dito ser a luz do mundo, os fariseus contestaram esta reinvindicação de Jesus. Para os fariseus a única autoridade válida era Moisés. No entanto, quando trouxeram a causa da mulher adultera para Jesus julgar, eles haviam falseado a interpretação da lei para caber dentro da conveniência deles. O que se observa é foi a continuada tentativa dos judeus de fazer calar a voz de Jesus. Este questionamento demonstra a dificuldade das pessoas em lidar com a identidade de outro indivíduo. Quando Jesus disse: – Eu sou a luz do mundo, Ele estava colocando a si mesmo como referencial para possibilitar o homem chegar até Deus. Quando os judeus diziam ser falso este testemunho de Jesus, estavam defendendo a tese que somente o sinédrio tinha o poder de autenticar a palavra de Deus. Entre o sinédrio e Jesus estava o povo, objeto da disputa. Para os judeus o povo era massa de manobra para sustentar suas regalias; para Jesus o povo era ovelhas que precisava ser conduzida para a presença de Deus. Certa feita Jesus disse ser este povo como ovelhas sem pastor. O que uma ovelha busca? Pastos verdejantes e águas tranquilas. O que o ser humano busca: a presença e o poder de Deus. Onde ele encontra estes elementos: em Jesus Cristo, a expressa imagem de Deus. Então do que o povo precisa? De alguém que tenha a identidade divina para se identificar com esta pessoa, se tornando semelhante a ela. O que faziam os religiosos? Tentam destruir esta identidade para deixar em seu lugar somente um pensamento filosófico, altamente manipulável. Hoje as pessoas buscam encontrar sua própria identidade no seu corpo e se diferenciam uma das outras pelo modo de vestir, pelos bens, pelo status na sociedade. Elas estão tão habituadas a avaliar tudo pela aparência das coisas que não conseguem compreender a linguagem do coração.

Jo 8.14

"Respondeu Jesus e disse-lhes: Posto que eu testifico de mim mesmo, o meu testemunho é verdadeiro, porque sei donde vim e para onde vou; mas vós não sabeis donde venho, nem para onde vou." (Jo 8.14). Os religiosos estavam colocando em dúvida o testemunho de Jesus. Eles estavam fazendo referência ao dito de Moisés. Para compreender este dito é preciso atentar acerca de um dos dez mandamentos. No nono mandamento está escrito que não se pode levantar falso testemunho contra o próximo (Ex 20.16). Por conta deste mandamento Moisés acrescentou, dizendo: "Por depoimento de duas ou três testemunhas, será morto o que houver de morrer; por depoimento de uma só testemunha, não morrerá." (Dt 17.6). O princípio aqui instituído é que toda e qualquer acusação contra um indivíduo precisa ter, no mínimo, duas testemunhas. Qualquer um de nós pode se enganar acerca do procedimento ou do comportamento de uma pessoa. Por outro lado quando duas pessoas chegam a mesma conclusão, cada uma observando segundo sua perspectiva, há grande possibilidade do juízo acerca da outra pessoa seja verdadeiro. Com base neste entendimento ninguém pode emitir juízo de valor acerca de si mesmo. Se Jesus diz ser Ele a luz, Ele está dando testemunho de si mesmo. Pelo entendimento explanado acima, este testemunho de Jesus seria falso, ele não poderia falar de si mesmo. Jesus conhecia a lei. Não podemos pegar uma fala isolada de Jesus e, por ela, fazer juízo de valor sobre o entendimento de Jesus neste assunto. Primeiro Jesus reconheceu que Ele não poderia dar testemunho de si mesmo segundo a lei de Moisés (Jo 5.31). Segundo Jesus reconheceu que Deus, seu Pai eterno, dava testemunho dele (Jo 5.32). Terceiro Jesus reconheceu que João Batista deu testemunho dele (Jo 5.33). Portanto Jesus cumpriu, neste particular, o requisito da lei de Moisés.

Jesus reconheceu que, segundo a lei de Moisés, não podia dar testemunho de si mesmo. Contudo, como Jesus foi quem deu a lei a Moisés, se desse testemunho de si mesmo, este seria válido. E por que o testemunho de Jesus teria validade? Ele mesmo respondeu a razão, Ele sabia de onde tinha vindo e para onde ia, diferente dos religiosos que não sabiam nada destas coisas. Como é curiosa a relação que a pessoa nutre por sua origem! Ela declara: eu nasci nesta ou naquela cidade, ou família, ou pais. E muitos cultivam orgulho deste fato. O problema é que todo nascido de mulher termina seus dias com o advento da morte. O drama aumenta em saber que, depois da morte vem o juízo, quando serão julgados todos os que não tiverem seus nomes escritos no livro da vida. Estes serão lançados no lago de fogo. Neste sentido Jesus declarou que os religiosos não sabiam nem sua origem, nem seu destino final, pois se o soubessem estariam desesperados para mudar seu trágico destino. Jesus, verdadeiro Homem, por outro lado, sabia de sua origem e, por conhecê-la, nutria o intenso desejo de retornar para o lugar de onde veio. Se ampliarmos nossos horizontes haveremos de descobrir termos a mesma origem de Jesus. E como fazemos isso? Basta retroagirmos em nossa base genealógica. Viemos de nossos pais, que vieram de nossos avós. Este de nossos bisavós, que vieram de nossos tataravó, que … que vieram de Adão, e este de Deus (Lc 3.38). Esta é a nossa verdadeira origem, onde tudo se conecta. E por ser Jesus Cristo a principal pedra de esquina, Ele é o princípio e também o fim. Resignificando nossas vidas em Jesus, sendo Ele o caminho, a verdade e a vida, isto significa que nosso fim aponta para a porta ao final deste caminho, nos introduzindo na presença de Deus, nos dando a vida eterna.

Vamos nos concentrar agora sobre as implicações em saber de onde Jesus veio e para onde Ele vai. A primeira verdade que precisamos ter em mente é que Jesus Cristo é Homem como nós o somos. O que isso significa? Jesus teve o mesmo tipo de nascimento que temos, nasceu de mulher. Portanto Jesus teve um corpo humano submetido as mesmas condicionantes nossas. Ele dormia, como dormimos; se alimentava como nos alimentamos; tinha sede, como temos sede; cansava, como nós nos cansamos. Jesus nasceu bebê, como nós nascemos. Teve infância, adolescência e juventude, assim como nós. Jesus aprendeu a trabalhar com seu pai adotivo, se habilitando em marcenaria. Se estivéssemos vivendo nos dias de Jesus, haveríamos de pedir para ele construir um móvel para nós. Em tudo Jesus se assemelha ao nosso cotidiano. Perto dos trinta anos Jesus ouviu o chamado de Deus e foi para o rio Jordão, onde se deixou batizar por João Batista, seu primo. Por três anos e meio Jesus pregou a palavra de Deus do mesmo modo como muitos pastores fazem por toda a vida. Ocorre que a pregação de Jesus revoltou os religiosos, que em conluio com as autoridades romanas, prenderam, sentenciaram, torturaram e mataram Jesus Cristo. Ele morreu como nós também vamos morrer algum dia. Relatando deste modo a história de Jesus Cristo é igual de qualquer ser humano: nasce, cresce, amadurece e morre. Assim que os religiosos viam Jesus, como um igual a nós. Quem tem esta visão de Jesus de fato não sabe nem de onde Ele veio, nem para onde ele vai, porque a vida natural se resume a este ciclo miserável: nascer, morrer e ponto final. Quem vive dentro desta órbita tem a sua disposição sabedorias milenares para bem aproveitar sua existência e deixar um legado se for bem sucedido.

Em síntese, se Jesus seguisse o curso natural da existência, Ele teria nascido, crescido, amadurecido e morrido, deixando um legado. No entanto esta não foi sua trajetória, pois Ele não tem princípio nem fim, antes sempre existiu, pois antes de ser Jesus na terra, Jesus era o Verbo. Isto significa que Jesus teve vida eterna passada antes de existir neste mundo natural. Quando comentamos este fato você pode refletir consigo dizendo: – O fato de Jesus ser Deus o torna desconectado do que nós somos. Ledo engano. Assim como Jesus teve sua existência na eternidade passada, nós também fomos concebidos em algum ponto desta mesma eternidade, antes da fundação dos céus e da terra. Não só isso, mas Deus deliberou em concílio eterno tudo que nos diz respeito. Em algum ponto da eternidade passada o Pai eterno; o Filho, o Senhor; e o Espírito Santo, conversaram entre si, alinharam todos os detalhes sobre nós e um deles escreveu no livro da vida todos os dias de nossa existência. Este escrever não foi algo simples, isolado, antes o Senhor levou em conta todas as nossas interações, todos nossos relacionamentos, todas as nossas necessidades. Vamos entender um detalhe: Deus sabia que íamos precisar comer, portanto para prover o alimento o Senhor teve de construir o universo 13,5 bilhões de anos antes de plantar o alface na terra. Se Deus levasse o mesmo tempo da execução deste grandioso plano, isto significa que o Pai, o Filho e o Espírito Santo levaram outros 13,5 bilhões de anos concebendo o universo. Se considerarmos que cada uma Pessoa da Trindade deu sua opinião, então temos de multiplicar este tempo por três. Deus levou então 40,5 bilhões de anos para conceber a história de vida que temos hoje. Se somarmos ao tempo de existência do universo, nós já estamos no coração de Deus, no mínimo a 50 bilhões de anos.

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