Comentários no Evangelho de João

Comentários em João 8.17

Jo 8.17

"Também na vossa lei está escrito que o testemunho de duas pessoas é verdadeiro." (Jo 8.17). Vamos recapitular a situação. Os escribas e fariseus trouxeram uma mulher para ser julgada, condenada e apedrejada diante de Jesus. Eles argumentam que esta era uma exigência da lei de Moisés. Eles estavam utilizando-se daquele evento para tentar Jesus. Toda esta cena está revestida de um ambiente jurídico onde temos uma lei, uma causa a ser julgado, um juiz para dar o veredito e uma sentença a ser executada. A lei obriga alguém a executar algo. Quem é esta figura? Quem tem de fazer por imposição é o servo. Se há um servo, há um senhor. Neste ponto do argumento de Jesus, Ele usa a lei de Moisés para respaldar o seu argumento, ele chama os religiosos ao bom senso. A lei de Moisés prescreve que em toda e qualquer causa, necessário se faz a presença de duas testemunhas para dar declarar ser verdadeiro o fato (Dt 17.6). O que aprendemos neste contexto? Nós temos a tendência de subjetivar tudo que acontece em nossa volta. Os acontecimentos em nosso entorno ativam gatilhos em nossas memórias, trazendo lembranças passadas, muitas delas carregadas de sentimentos negativos. É por isso que facilmente nosso estado de espírito muda de alegre para triste e, depois, para depressivo. Este sequenciamento acontece porque nos isolamos dentro de nós, sem aferir a verdade dos fatos. No entanto a lei de Moisés prescreve que todo e qualquer fato só tem valor jurídico quando atestado por duas testemunhas. Isto significa que devemos buscar mais conselhos do que gostamos de considerar. Considere esta mulher aos pés de Jesus. Ela realmente estava adulterando. Este não era o ponto, pois Jesus não condenou a atitude dela, antes a perdoou e orientou ela não voltar mais a praticar este ato. Contudo esta mulher poderia perfeitamente ter entrado em depressão, se condenando pelo ato praticado como se isso pudesse expurgar de sua consciência o que tinha feito.

A mulher lançada aos pés de Jesus devia estar se sentindo o pior ser humano da face da terra. Vamos supor que o crime dela fosse outro, ela tivesse sigo presa em flagrante por roubo. Seu caso seria levado ao juiz que, considerando todas as evidências prescreveria a pena, digamos, de 12 anos de cadeia. Cumprida a pena esta mulher teria sua liberdade concedida, saindo da cadeia e voltando a sua rotina. Esta mesma mulher, 14 anos depois encontra alguém que conheceu sua história, mas não soube de sua prisão. Este vai até o delegado e faz a denúncia que encontrou a mulher que outrora havia roubado tal estabelecimento. O delegado, fazendo investigação descobre que realmente ela havia roubado, mas fora julgada, cumpriu sua pena e agora nada mais deve a sociedade. O que extraímos desta parábola? Que o crime, o ato praticado de roubo, este evento foi abolido da vida desta mulher como se ele nunca tivesse existido. O que queremos dizer é que dado evento existencial não tem o poder de nos definir, somos maiores que ele. É a nossa subjetividade que aumenta e potencializa o evento mais do que ele merece. Se Jesus perdoou aquela mulher, ela nada mais deve sobree seu pecado. O testemunho de Jesus devia ter sido suficiente para ela ter paz com Deus. No entanto Jesus foi além, pegou aquele pecado da mulher e levou com ele na cruz, morrendo em lugar dela. Tudo isso para dizer que a mulher estava liberta e livre. Nenhuma acusação pesava sobre ela. Este é o significado da justificação: Jesus morreu por causa de nossos pecados e ressuscitou para nos justificar perante Deus (Rm 4.25). Assim, se o testemunho do tribunal dando prova da pena ter sido cumprida é válido para dar liberdade ao homem, muito mais a obra de Cristo na cruz.

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