Comentários no Evangelho de João

Comentários em João 8.18

Jo 8.18

"Eu testifico de mim mesmo, e o Pai, que me enviou, também testifica de mim." (Jo 8.18). O que significa testificar de si mesmo? Testificar no grego é "martureo" e significa aquele que dá o testemunho por experiência pessoal, em primeira mão. Jesus pode se enquadrar perfeitamente nesta definição porque Ele era o Verbo que estava com Deus, sendo Jesus Cristo o próprio Deus encarnado, a expressa imagem de Deus, o Pai. Portanto Jesus Cristo é o único ser em todo o universo que pode testemunhar quem Deus é. Todos os profetas, reis e sacerdotes do Antigo Testamento foram testemunhas da parte de Deus para anunciar a vinda de Jesus, o Filho de Deus. O autor aos Hebreus reconhece este posicionamento dos antigos, pois declarou que Deus falou por intermédio deles de muitas, mas agora nos falou por meio de Jesus Cristo (Hb 1.1,2). O verbo está no passado porque a crucificação, morte e ressurreição de Jesus é a expressão consumada desta fala divina. Note que Jesus Cristo não está mais na Terra. Ele subiu em glória para assentar-se à direita de Deus, o Pai eterno, até que todos os inimigos sejam colocados debaixo de seus pés (Hb 1.13). Contudo Jesus deixou na Terra a palavra de Deus, a Bíblia, asseverando este testemunho. Esta é a importância de lermos e meditarmos nas escrituras, porque aos adotarmos este procedimento estamos diante do fidedigno testemunho divino. E, para este propósito, somos assessorados pelo Espírito de Deus, o mesmo que inspirou os autores da Bíblia a escrevê-la. João fala deste testemunho tanto no âmbito dos céus, quanto da Terra: "Pois há três que dão testemunho [no céu: o Pai, a Palavra e o Espírito Santo; e estes três são um. E três são os que testificam na terra]: o Espírito, a água e o sangue, e os três são unânimes num só propósito." (I Jo 5.7,8). Entenda água como sendo a Bíblia e o sangue como a obra da cruz. Jesus esta no centro do testemunho celestial como o Verbo e na Terra como Cristo, e este crucificado.

Vamos tentar, porque só conseguimos triscar nesta verdade profunda sobre o testemunho celestial e terreno provido pelo Deus Trino. O cerne do testemunho celestial gira em torno da vinda de Jesus Cristo na terra (I Jo 5.6). Considere por um instante a origem e o destino do ser humano. Vamos colocar tudo em perspectiva. Existe os céus e a terra. Existe uma impossibilidade humana de sair da esfera terrestre, a ciência só consegue levar um ou outro astronauta para o espaço. Ainda que seja tecnicamente possível o vôo espacial, o homem não tem autorização divina para fazer qualquer coisa que seja fora do planeta terra. O salmista escreveu que os céus são os céus do Senhor, a terra Deus a deu ao homem (Sl 115.16). E do que foi feito o homem? Do pó da terra. Deus agiu como o oleiro, formatou um corpo humano para nós utilizando-se de elementos químicos terrenos. O que isso significa? Que desde nossa origem jamais, entenda isso, jamais um ser humano saiu da esfera deste planeta, em seu corpo físico, para ir a qualquer lugar que seja, no espaço sideral. Portanto o homem é ignorante das realidades celestiais. Estou reafirmando este ponto porque conhecimento dado a nós acerca dos céus está registrado na Bíblia, mas se excluirmos este livro da análise, não temos nada, ficaríamos na mais absoluta ignorância. Por conseguinte a vinda de Jesus na terra, sair de onde Ele estava, a direita de Deus, o Pai, e entrar no planeta terra é um evento de grandeza inimaginável. O ser humano, em geral, na sua condição de perdido, é tão ignorante a respeito deste fato que praticamente ignorou a visita que Deus fez na terra. Em sua imaginação obscurecida pelas trevas a humanidade criou para a si que existem seres alienígenas. Estes seres para a mente caída, estão esperando a humanidade "evoluir" no conhecimento para poder receber as naves espaciais cheias de seres E.T – Extra Terrestre.

Veja o absurdo desta mentalidade entenebrecida: se recusa a ouvir Jesus, o Filho de Deus, o Verbo eterno, mas esta pronta a dar boas vindas a qualquer outra figura que seu imaginário possa conceber, está apta a dar boas vindas a um E.T. No entanto Deus, o Pai eterno, para introduzir seu Filho unigênito no mundo trilhou antes o caminho da profecia. Com antecedência de centenas e, mesmo, de milhares de anos, anunciou a primeira vinda de Jesus Cristo na terra. E por que Deus, o Pai eterno fez este anúncio? Para dar o seu testemunho que seu Filho ia descer do céu para a terra. Lembra quando Jesus foi batizado nas águas do Jordão por João Batista? Deus, o Pai fez bradar sua voz no céu: Este é o meu Filho amado em quem me comprazo (Mt 7.17). Quem ouviu esta voz? Todos que estavam testemunhando o batismo de Jesus. Como nós sabemos? Por que recebemos o testemunho dos evangelhos de Mateus, de Marcos e de Lucas. E por que o Pai eterno bradou dos céus? Por amor a nós. Como quem diz: – Jesus é o meu Filho amado, a Ele ouvi! Quer mais graça que isto? O Deus do céu se preocupa em dar a conhecer ao homem caído na terra que o Deus do céu se importa com o homem. Jesus podia ter vindo como veio nos dias de Sodoma e Gomorra. Naquele dia Ele ficou na casa de seu amigo Abraão enquanto mandou os anjos averiguarem como estava a situação destas duas cidades. Avaliado, Jesus mandou fogo do céu e a destruiu. Na sua primeira vinda Jesus poderia ter feito o mesmo: ficar incógnito, mandar anjos avaliarem a situação e, depois, destruído o planeta como já fez no dilúvio. No entanto Jesus veio para dar testemunho das coisas dos céus e seu Pai eterno corroborou o testemunho que Jesus deu. Tudo por amor a nós.

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