Comentários no Evangelho de João

Comentários em João 8.19,20

Jo 8.19

"Então, eles lhe perguntaram: Onde está teu Pai? Respondeu Jesus: Não me conheceis a mim nem a meu Pai; se conhecêsseis a mim, também conheceríeis a meu Pai." (Jo 8.19). Os escribas e fariseus ficaram curiosos com as palavras de Jesus. Se o Pai eterno dava testemunho de Jesus, onde estava o Pai, pois eles não o estavam vendo. Eu pergunto a você: – Se você fosse um judeu, vivendo na época de Jesus, como responderia a esta pergunta dos judeus? Onde estava o Pai eterno? O endereço divino no Antigo Testamento era o santíssimo lugar no templo de Moisés, depois de edificado, no templo de Salomão. Leia por você mesmo: "E me farão um santuário, para que eu possa habitar no meio deles." (Ex 25.8). Para que a manifestação da presença de Deus fosse visível no templo, Israel tinha de cumprir com todos os rituais necessários. Em dois momentos particulares esta glória foi manifestada, quando Moisés inaugurou o templo no deserto e Salomão quando fez o mesmo em Jerusalém. No caso de Salomão a glória foi tão poderosa que os sacerdotes tiveram que se retirar do templo para dar lugar a glória. No entanto Deus foi perdendo o prazer desta habitação por causa dos pecados de Israel. Foi quando Deus, o Pai eterno, preparou um corpo humano para seu Filho unigênito habitar na terra. Desde então o endereço de Deus na face da terra passou a ser o próprio Jesus Cristo, o Verbo de Deus encarnado. É por isso que Jesus contra argumentou que conhecê-Lo era o mesmo que conhecer o Pai, eterno. Eis a descrição do autor aos Hebreus acerca de Jesus Cristo: "Ele, que é o resplendor da glória e a expressão exata do seu Ser…" (Hb 1.3). Note que Jesus é verdadeiro homem, portanto em Jesus se cumpria o grandioso desígnio divino: – de fazer o homem a imagem, conforme a semelhança de Deus, dai esta perfeita identificação.

Jo 8.20

"Proferiu ele estas palavras no lugar do gazofilácio, quando ensinava no templo; e ninguém o prendeu, porque não era ainda chegada a sua hora." (Jo 8.20). É interessante que o lugar onde Jesus estava ministrando é assinalado. Ele estava onde se recolhia as ofertas do templo. Os sacerdotes dependiam da boa vontade de todos que ofertavam naquele lugar. Foi neste mesmo lugar que Jesus ensinava no templo. E o que aconteceu naquele dia? Lançaram uma mulher adultera aos pés de Jesus para ter como acusá-lo de alguma coisa. Em resposta Jesus não só estendeu o perdão àquela mulher, como ainda se declarou sendo a luz do mundo. Em dias de relacionamentos conflituosos, Jesus surge como porto seguro, que veio para trazer o verdadeiro significado da vida, não somente isto, mas dar nova vida a todo o que crê. E qual foi o resultado de tudo quanto o Senhor ministrou? Queriam prendê-lo, fazê-lo calar. Só não levaram a cabo seu intento porque havia o momento certo para as forças das trevas desencadearem toda sua fúria contra Jesus Cristo. É notável que o templo, o lugar erguido para ministração da palavra de Deus conseguiu colocar esta mesma palavra em segundo plano, se tornando, mesmo, inimigo dela. Mesmo a luz deste mundo estando presente no templo, ainda assim a cegueira espiritual se negava a contemplar esta luz. Assim tem sido nestes últimos dias: enquanto igrejas institucionais estão preocupadas em como pagar suas contas, os cuidados com o rebanho de Deus ficam em segundo plano. Muitos pastores planejam seus eventos buscando formas de motivar o povo a aumentar suas ofertas, não mais para alimentar suas almas. Alguns dão preferências para cantores de renome porque descobriram neste artifício um jeito de preencher os lugares, aumentando a probabilidade de auferir mais recursos financeiros. Decepção é quando o arrecadado mal paga a presença dos músicos convidados. Assim, entre o gazofilácio e Jesus, em muitos lugares os líderes religiosos estão ficando com o gazofilácio.

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