Comentários no Evangelho de João

Comentários em João 8.25-27

Jo 8.25

"Então, lhe perguntaram: Quem és tu? Respondeu-lhes Jesus: Que é que desde o princípio vos tenho dito?" (Jo 8.25). O diálogo dos escribas e os fariseus com Jesus é uma conversa de surdos. Por que esta analogia? Surdo é aquele que não ouve, por óbvio. Conversar como surdo é dirigir a palavra ao outro sem dar atenção ao que se está ouvindo; é conversar mediado pelo preconceito. Permita-me dar exemplo. Digamos que você está conhecendo uma pessoa agora. Você pergunta a ela: – O que você faz? Ela responde: – Sou político. Tão logo você ouve a palavra político, este termo aciona um gatilho no seu cérebro e todo conceito que você tem de político lhe vem a mente. Então você imediatamente pensa consigo: – Esta pessoa mente e é corrupta. A partir deste momento não importa mais o que a pessoa diga, você não está ouvindo ela. Se ela acrescentar: – Sou político honesto, neste caso o termo honesto não faz sentido nenhum na sua mente porque você ficou congelado na palavra político. Jesus estava dizendo o tempo todo que tinha vindo do céu, mas na cabeça dos escribas e fariseus, Jesus era filho de José, portanto a alegação de Jesus era uma impossibilidade tão grande, um disparate de tal proporção que eles não mais ouviam o que Jesus falava. Por mais que a voz de Jesus entrasse nos ouvidos deles, eles estavam surdos ao significado da exposição de Jesus. O apóstolo Paulo chama este tipo de embotamento da artimanha do deus deste século em cegar o entendimento dos incrédulos. Por que Paulo usa o termo cegar e não fazer surdo? Cada palavra tem seu significado próprio, no entanto quando uma palavra é cercada de preconceito ela tem o poder de fazer ignorar o significado de outras palavras. No exemplo citado a palavra político tem o poder de marcar um indivíduo como corrupto mesmo sem conhecer a historia dele. Esta é a força do preconceito, anular a dignidade do outro, tornando o indivíduo surdo a tudo quanto o outro diz. Foi o que fizeram com Jesus.

Jo 8.26

"Muitas coisas tenho para dizer a vosso respeito e vos julgar; porém aquele que me enviou é verdadeiro, de modo que as coisas que dele tenho ouvido, essas digo ao mundo." (Jo 8.26). Basicamente Jesus está dizendo que há tempo para todo propósito: haverá o tempo do juízo, quando todas as obras humanas serão julgadas, e há o tempo da graça, quando o evangelho será pregado. O Pai eterno é determinante para definir em qual momento a humanidade está. Neste tempo presente Jesus está anunciando o evangelho, sendo esta a sua missão nestes últimos dias. É importante que consideremos estes dois tempos determinados por Deus. Se Jesus tivesse vindo para cobrar nossos pecados por certo o dia do Senhor já teria se instaurado. Este é um dia designado em dado tempo futuro quando a ira de Deus será derramada contra todo pecador. Com a chegada do dia do Senhor inicia-se a septuagésima semana de Daniel. É nesta época que o Senhor falará diretamente ao coração do povo judeu para que eles reconheçam o Messias que eles próprios crucificaram. Então nesta época será derramado o Espírito de súplicas por encontrar os judeus quebrantados não só por sua difícil situação perante as nações como também por se despertarem para a verdadeira identidade do Messias. Enquanto este dia não chega o Senhor anuncia salvação para todo aquele que nEle crê não pereça, mas tenha a vida eterna. E esta mensagem de salvação Jesus recebeu direto do Pai eterno para comunicar ao homem. Esta mensagem estava registrada na própria vida de Jesus Cristo, porquanto nascendo inocente, veio a ser morto por causa doo pecador. Com o destino terreno de sua própria vida Jesus demonstrava o grande amor de Deus, de não querer a perdição de ninguém, mas que todos sejam salvos em Cristo Jesus.

Jo 8.27

"Eles, porém, não atinaram que lhes falava do Pai." (Jo 8.27). Jesus veio do céu para comunicar a mensagem da parte de Deus, o Pai eterno. No entanto, por mais que expunha sua missão, os judeus não conseguiam compreender as palavras de Jesus. Por que isso aconteceu? Primeiro por causa das expectativas que os judeus tinham consigo. Vamos voltar alguns passos atrás para entender estas expectativas. Jesus multiplicou os pães e, em seguida, se retirou. Os judeus vieram atrás de Jesus. Quando o encontraram perguntaram onde Jesus tinha estado. Ao que Jesus lhes respondeu: "… Em verdade, em verdade vos digo: vós me procurais, não porque vistes sinais, mas porque comestes dos pães e vos fartastes." (Jo 6.26). Esta é a principal razão porque temos dificuldade de entender as palavras de Jesus. Nossa busca é em uma direção, as palavras dele é em outra. Considere por um instante seu cérebro. Nele giram seus pensamentos. Se os analisarmos veremos que estes pensamentos estão centrados em questões que a gente julga ser importante para nós. Quando lemos a palavra de Deus nossa mente tende a buscar respostas que venham ao encontro daquilo que pensamos. Então se Jesus fala do céu, estamos querendo compreender como as palavras de Jesus se aplica a terra. Se Jesus fala de vida eterna, queremos saber como podemos ter o que comer no dia de hoje. Se Jesus fala de anjos, estamos preocupados como resolver uma pendência com nossos vizinhos. Em síntese, se Jesus nos exorta a primeiro buscar o reino dos céus, o que de fato nos preocupa é como vamos vestir, comer e beber. O resultado é a impossibilidade de compreendermos do que realmente Jesus está falando. Por isso Paulo fala da dificuldade do homem natural compreender as coisas celestiais, pois lhe parece loucura.

Leave a Comment