Comentários no Evangelho de João

Comentários em João 8.28

Jo 8.28

"Disse-lhes, pois, Jesus: Quando levantardes o Filho do Homem, então, sabereis que Eu Sou e que nada faço por mim mesmo; mas falo como o Pai me ensinou." (Jo 8.28). Que palavra estranha! E por que estranha? Jesus fala em temas que parecem desconexos entre si. Ele faz referência de si como Filho do Homem, portanto coloca em foco sua condição humana, não a divina. Ao citar a si como Filho do Homem invoca o esvaziamento de sua divindade. Jesus cita que o Filho do Homem será levantado. Esta expressão é uma menção velada a sua crucificação, quando ficou pendurado entre os céus e a terra. Portanto Jesus faz referência a sua morte por meio da cruz. Ele diz que seus interlocutores vão levantar Ele, portanto Jesus está constatando a sua rejeição da parte do seu povo. Como a morte de cruz é considerada morte maldita, inclusive e principalmente por Deus, Jesus está considerando, inclusive, que será abandonado por seu próprio Pai celestial. Até aqui sua fala é compreensível, pois Jesus profetizou sua morte. E é deste neste ponto em diante que tudo fica estranho, inesperado, surpreendente. Na continuidade de sua fala Jesus diz que vai morrer na cruz e o modo como esta morte vai se dar permitirá seus interlocutores saber que Jesus é o Eu sou. Esta expressão é a forma de Jesus designar a si mesmo como sendo o Deus que apareceu a Moisés e se autonomeou como sendo o Eu sou. Este é o mais precioso nome entre os judeus, o nome revestido do mais alto grau de temor que é devido a Deus. Em resumo, Jesus está dizendo que a morte do Filho do Homem na cruz revelará que Ele é Deus tanto quanto é Homem. Por óbvio só a morte de Jesus em si não revela este mistério, porquanto este é o fim de todo ser humano. O que revelou a deidade de Jesus foi sua ressurreição três dias após sua morte. É como se Jesus dissesse aquele povo: – Vocês vão me rejeitar me matando, mas observem o que vai acontecer três dias depois. Vocês vão ficar tão surpresos que mudarão de opinião a meu respeito.

Jesus estava falando de sua morte na cruz ao fazer referência de ser levantado. Até este ponto a fala de Jesus se equipararia a de muitos judeus que morreram crucificados pelos romanos. Mesmo ao lado de Jesus foram crucificados dois ladrões. Em dado momento é dito que os dois zombavam de Jesus crucificado, no entanto um deles foi observando Jesus com maior atenção e percebeu que Jesus estava enfrentando o momento da morte com muita serenidade. Ele deve ter ouvido o momento que Jesus disse a João para cuidar da mãe de Jesus, Maria. Este ladrão não só para de zombar, como também repreende o outro ladrão que está crucificado. Este ladrão reconhece merecedor da morte por causa dos seus feitos, no entanto percebe que Jesus não fez nada de errado, não havia praticado nenhum mal (Lc 23.41). O problema da maioria das pessoas incrédulas é de não olhar o tempo suficiente para a cruz com o propósito de entender o que está acontecendo neste evento. Jesus disse que quando Ele fosse levantado, sua morte seria reveladora e podemos perceber esta distinção pelo testemunho deste outro crucificado. Deste outro só sabemos que esteve ao lado de Jesus na sua morte, mas não há um evangelho do ladrão na cruz. A única coisa relevante dele é que ele pediu para entrar no reino de Deus, ao que Jesus prometeu que ainda naquele dia ele estaria com Jesus no paraíso (Lc 2.43). Jesus só podia fazer esta promessa se ressuscitasse, portanto ainda na sua morte Jesus provou por suas palavras que era e é o Eu sou, o Deus de Israel. E foi pouco depois desta fala que Jesus disse: – Está consumado! Em grego teletestai. Em seguida Jesus inclinou sua cabeça, rendendo o seu espírito (Jo 19.30).

Jesus rendeu seu espírito ao Pai eterno. O que parecia ser o fim de uma história de vida, era só o começo da redenção humana. Há um dito popular que não procede. Este diz: – Nunca ninguém voltou da morte para contar como é. Diferente de todos os homens, Jesus voltou. Ele ressuscitou ao terceiro dia e, com este evento ficou revelado ser Jesus o Eu sou. Não há como entender este raciocínio sem antes compreender que o salário do pecado é a morte. A maioria da humanidade considera a morte como contingência da existência, não como uma expressão da ira divina. É por isso que a ressurreição de Jesus Cristo é impactante. Paulo escreveu a este respeito: "acerca de seu Filho, que nasceu da descendência de Davi segundo a carne, declarado Filho de Deus em poder, segundo o Espírito de santificação, pela ressurreição dos mortos, — Jesus Cristo, nosso Senhor" (Rm 1.3,4). Note a expressão: "foi declarado Filho de Deus em poder" vinculado à ressurreição dos mortos. Este fato fica ainda mais extraordinário quando temos conhecimento que Jesus foi julgado, sentenciado e libertado pelo próprio Deus, pois enquanto os homens deliberavam para acusar e crucificar Jesus, Deus estava ao mesmo tempo lançando sobre Jesus os pecados de toda a humanidade. Esta foi a sentença condenatória, por isso Jesus morreu. Mas ao terceiro dia, com sua ressurreição, Jesus foi declarado sem pecado, apto a reassumir sua glória eterna. Como seu ato foi voluntário, assim é também com todos os que creem nesta obra da cruz. E foi a perfeita obediência de Jesus que propiciou esta tão grande conquista. Por isso a ênfase que Jesus deu sobre o correlacionar sua atitude de servo com o reconhecimento da parte de Deus da perfeita execução da redenção.

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