Comentários no Evangelho de João

Comentários em João 8.29,30

Jo 8.29

"E aquele que me enviou está comigo, não me deixou só, porque eu faço sempre o que lhe agrada." (Jo 8.29). Neste argumento Jesus destaca alguns aspectos importantes de sua vida terrena. Primeiro Jesus não veio por sua única exclusiva vontade, antes também foi uma deliberação de Seu Pai eterno. E qual é o contraponto do envio de Jesus? Considere o estado da humanidade e a santidade de Deus. Deus criou o homem a sua imagem, contudo este desobedeceu a ordem divina, incorrendo na sentença de morte. Do ponto de vista do relacionamento entre a criatura e o Criador todo o compromisso deixou de existir, Deus poderia tão somente aniquilar qualquer traço da existência humana e fazer outra coisa qualquer. É quando a obrigação termina que inicia a evidencia do amor. Isto é, Deus poderia ter deixado o homem fora dos seus planos eternos, no entanto aprouve enviar seu Filho como evidência do seu eterno amor. Considere por um instante sua rotina no calor do dia. Você está sentado, trabalhando, interagindo com a tela do seu computador, concentrado na execução de sua tarefa. Ou então você está vendendo algo ao seu cliente, atento, estudando como melhor abordá-lo para que ele leve sua mercadoria. O que você não está fazendo nestes momentos é pensar em Deus. Então, no meio desta rotina intensa surge Jesus Cristo para lhe falar que o Deus dos céus quer sua atenção. Sua primeira atitude é de surpresa, você não estava pensando nesta possibilidade. Aliás, quando você olha para o céu, tudo que vê são nuvens ou o infinito espaço sideral. Então Jesus entra no seu espaço físico e diz: – Tenho um recado do Deus dos céus para você. Por certo você ficaria surpreendido com este recado. Um monte de pergunta brotaria de seus lábios: – Quem é este Deus? Em que lugar do céu Ele habita? Por que eu nunca ouvi falar dele? O que Ele quer comigo? Esta sequência de perguntas e muitas outras que poderiam ser levantadas demonstram a ruptura entre o Criador e sua criatura em virtude da queda.

A perversidade que se faz presente nesta cena está na ignorância do ser humano acerca do Deus dos céus e da Terra, nesta desconexão com o Criador. Portanto Jesus foi enviado em um mundo não só ignorante quanto ao Deus dos céus, como também inóspito a Ele. Tanto é verdade que João escreveu a este respeito: "Veio para o que era seu, e os seus não o receberam." (Jo 1.11). Mesmo Jesus tinha plena consciência do incomodo que sua presença causava no seu povo, porquanto Ele constatou esta rejeição ao declarar: "Eu vim em nome de meu Pai, e não me recebeis; se outro vier em seu próprio nome, certamente, o recebereis." (Jo 5.43). Jesus, o enviado de Deus, foi rejeitado, do mesmo modo somos suas testemunhas, nem por isso seremos melhores aceitos do que Ele foi: "Irmãos, não vos maravilheis se o mundo vos odeia." (I Jo 3.13). O que podemos extrair desta sequência de constatações é acerca da natureza do mundo ímpio. Enquanto a pessoa não recebe Jesus como Salvador e não entra, por esta decisão no reino de Deus, ela permanece em oposição a Deus. Não podemos nos enganar neste particular, caso contrário nunca iremos entender a crescente onda de perseguição ao cristão e seus valores mais preciosos. Todos os que estão na luz com consciência da palavra de Deus sabe da oposição deste mundo caído contra a palavra de Deus. Estes entendem que se o grau de perseguição aos cristãos diminui, isto ocorre por misericórdia divina, não porque a natureza do coração humano teve alguma mudança significativa, pois a regra é de perseguição, nunca de apreciação aos valores cristãos. Voltando as palavras de Jesus, de fato Ele é o enviado de Deus, por outro lado Ele é mais rejeitado de todos os homens, razão porque lhe é de grande consolo saber que seu Pai celestial jamais o abandonou em sua missão até a morte na cruz.

Jo 8.30

"Ditas estas coisas, muitos creram nele." (Jo 8.30). Muitos julgam que o crer em algo significa acreditar cegamente, ignorando a voz da razão. Crer deste modo é ignorância, pois é incapaz de explicar sua fé. Em resumo ele diz: creio porque creio e isso me basta. E se você questionar a crença deste tipo de gente, ele se torna bruto e agressivo, porque o considera um inimigo, preste a lhe roubar seu bem mais precioso. E que bem é este que ele se apega com unhas e dentes? A sua própria ignorância. Nestas condições ele lança sua religião no poço das trevas, se tornando intratável. Diferente age quem aprende genuinamente de Deus. Note como João destaca um grupo de pessoas dentre todos os que ouviram os argumentos de Jesus. Estes creram em Jesus porque consideraram o que Jesus tinha falado e compreenderam que tinha fundamento. Vamos denominar a crença destes judeus como procedendo do desenvolvimento da capacidade cognitiva espiritual. Isto porque do mesmo modo como usamos a nossa inteligência para ligar dois conhecimentos distintos gerando um resultado, assim também os que de fato creem no Deus da Bíblia se torna capaz de ligar um texto das escrituras com outro texto e extrair de ambos conhecimento. Por exemplo: se eu perguntar o que você fez no domingo e você responder: – Eu fui almoçar com minha esposa no restaurante. Eu avalio que sua resposta é verdadeira, pois entendo que você tem renda para este tipo de coisa. Se eu perguntar onde fica o restaurante e você morar em Dourados.MS e responder que o restaurante fica em Pato Branco, no Paraná, a quase 700 km de distancia, vou ter de fazer uma pergunta adicional: – Como você saiu de Dourados e conseguiu almoçar em Pato Branco e retornar a Dourados no mesmo dia? Se você responder que foi com sua esposa pilotando o seu avião, sabendo eu que de fato você é piloto e dono de avião, de novo entendo que sua história é verdadeira. Foi deste modo que os judeus creram em Jesus, pois tiveram seus questionamentos respondidos.

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