Comentários no Evangelho de João

Comentários em João 8.36

Jo 8.36

"Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres." (Jo 8.36). Jesus fez anteriormente menção que o homem é prisioneiro do pecado. E como o pecado se manifesta no homem? Podemos arrolar diferentes mecanismos que induz o homem ao pecado. Primeiro o nascimento natural, pois o homem já nasce com a natureza pecadora como podemos ler: "Eu nasci na iniquidade, e em pecado me concebeu minha mãe." A principal evidência deste fato é que, uma vez nascido, o indivíduo percorre uma vereda que resultará em morte. Este pecador é influenciado pelo curso deste mundo (Ef 2.2), estando por detrás dos bastidores o deus deste século (II Co 4.4). Esta influência é decorrente do fato do homem ter sido feito a imagem de Deus, portanto um ser influenciável. Este indivíduo age de acordo com sua própria vontade, dando livre curso aos seus pensamentos e a vontade de sua carne (Ef 2.3). Por fim o indivíduo é seduzido por sua carne, por sua natureza caída, por seus olhos, pelos seus sentidos naturais e pelos seus anseios, suas emoções mais profundas (I Jo 2.16). Como resultado da confluência de todos estes fatores o homem natural, dizendo de si mesmo: "Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem nenhum, pois o querer o bem está em mim; não, porém, o efetuá-lo. Porque não faço o bem que prefiro, mas o mal que não quero, esse faço." (Rm 7.18,19). É em contraste com este estado de coisas que Jesus surge como o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. Em síntese Jesus está dizendo que Ele corta o pecado em sua raiz fazendo a rota contrária deste quadro terrível. Primeiro Jesus promove o novo nascimento, criando no indivíduo uma nova natureza, a natureza divina. Jesus se torna o modelo de Homem que anda com Deus para influenciar nosso caráter. Jesus realiza em nós o querer e o efetuar conforme sua vontade. Por fim Jesus leva o crente a produzir o fruto do Espírito. Este é o escopo da libertação.

Como demonstramos o escopo da libertação promovida por Jesus envolve quatro elementos determinantes: Jesus gera em nós o novo nascimento; Jesus se torna o nosso modelo para andarmos com Deus; Jesus realiza em nós o querer e o efetuar segundo a sua vontade; Jesus produz em nós o fruto da justiça. Portanto o primeiro passo da libertação de Jesus é nos introduzir no reino de Deus, razão porque Jesus é a porta deste reino. Ele disse: "Eu sou a porta. Se alguém entrar por mim, será salvo; entrará, e sairá, e achará pastagem." (Jo 10.9). É interessante observar Jesus por meio desta figura de linguagem, porquanto diariamente entramos e saímos por diferentes portas para mudarmos de ambientes. Uma das portas mais significativas pelas quais passamos é àquela giratória colocada nos bancos. Quem cruza por esta porta passa por um detector de metal. O principal objetivo da porta giratória dos bancos é impedir alguém entrar armado, pois se presume que este possa estar intencionado em assaltar o banco. Assim também para cruzar por esta porta que é Jesus é preciso de arrependimento e crença na chegada do reino de Deus. O que implica dizer que a libertação é uma mudança de estado do ser. Literalmente nós, ao sermos libertos por Jesus, fomos "libertos do império das trevas e transportados para o reino do Filho do amor de Deus" (Cl 1.13 – parafraseado). Como entender esta transposição? Considere o seguinte: quando você recebeu Jesus como Senhor e Salvador você estava fisicamente em algum lugar do planeta Terra. Se um minuto antes você tivesse uma visão do lugar onde se encontrava teria uma visão completa do universo, isto é, do espaço sideral, das constelações, das estrelas, do sol e do planeta até chegar no ponto onde você estava naquele momento. Quando você recebeu Jesus você não só passou a enxergar o primeiro céu (a terra), o segundo céu (o espaço sideral), mas também o terceiro céu (o trono de Deus).

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