Comentários no Evangelho de João

Comentários em João 8.37,38

Jo 8.37

"Bem sei que sois descendência de Abraão; contudo, procurais matar-me, porque a minha palavra não está em vós." (Jo 8.37). Os judeus haviam argumentado com Jesus que eram livres por serem filhos de Abraão. No entanto Jesus contra argumentou com eles que eles não eram livres, antes escravos do pecado. Depois de salientar que só a verdade tem o poder de libertar, sendo consumado este processo quando a verdade passa pela interveniência de Jesus, o Senhor concordou que de fato os judeus descendiam de Abraão. No entanto este não era o ponto. A descendência natural não é determinante para alguém entrar no reino de Deus. Pelo contrário Jesus expôs a verdadeira intenção dos judeus, eles queriam matar a Jesus. E esta intenção era evidência que as palavras de Jesus não estavam neles. Quão terrível é estar diante de gente cuja intenção seja prejudicar o seu semelhante! É notável a sina do homem perdido. Não basta tão somente viver em pecado, é preciso fazer calar toda voz consciente de seu estado de ser. Isto demonstra que existe uma luta mortal das trevas contra a luz que culminou com a crucificação de Jesus Cristo. Foi por isso que Jesus salientou aos judeus que quando Ele fosse levantado ficaria evidente a todos ser Jesus o Eu Sou, o Deus eterno, o criador dos céus e da terra (Jo 8.28). Jesus não só estava expondo a intenção de seus opositores em o matar, como também evidenciando que não resistiria a esta hora, antes aceitaria passivamente ser conduzindo para a cruz como um cordeiro que segue ao matadouro. Jesus estava determinado a não resistir ao mal porque este era o caminho que traria salvação a todos os homens. Ao seguir em direção a morte, Jesus estava trilhando o caminho de toda a humanidade, contudo sem ter pecado algum. No entanto sua morte era a evidência da incompreensão dos judeus quanto a sua verdadeira identidade, mesmo tendo Jesus revelado quem Ele era.

Jo 8.38

"Eu falo das coisas que vi junto de meu Pai; vós, porém, fazeis o que vistes em vosso pai." (Jo 8.38). Esta afirmação de Jesus é uma das mais enigmáticas. E por que faço esta observação? Note que Jesus disse duas coisas distintas. A primeira Jesus mencionou a fonte de sua inspiração, o por quê Ele traz uma nova doutrina. Neste caso temos de nos perguntar que fonte Jesus utilizou-se para ver as coisas pertinentes ao Pai celestial. Muitos podem concluir que Jesus estava trazendo a sua memória enquanto homem das lembranças de sua pré-existência. Este raciocínio não está levando em conta que Jesus esvaziou de sua divindade, portanto não poderia recorrer a sua memória divina. Fechada esta porta de revelação então como Jesus podia saber o que o Pai eterno faz e agir em conformidade? A fonte primária de Jesus é o Antigo Testamento. Basicamente Jesus está dizendo aos judeus que seu conhecimento adquirido acerca de Deus o Pai foi extraído da Torá. Para entendermos o que estamos argumentando vamos reduzir o Antigo Testamento ao Tabernáculo de Moisés. E por que vamos fazer esta redução? Por que Deus disse a Moisés que o Tabernáculo no deserto era o divino lugar da habitação de Deus na terra. Considere literalmente o tabernáculo como uma biblioteca de 39 livros. Neste caso hipotético se você quisesse ler a palavra de Deus teria de entrar dentro do tabernáculo e aprender naquela localidade. Com isso queremos dizer que tudo que está fora dos limites do tabernáculo não é mais habitação de Deus. Jesus está dentro do tabernáculo nesta ótica. Os judeus estão onde? Por óbvio fora do tabernáculo. E o que tem fora deste lugar? O mundo. E qual a condição do mundo? Está em trevas. Qual a fonte do aprendizado dos judeus? O mundo. Quem ensina eles então? O maligno. Com isso conseguimos entender a segunda afirmação de Jesus: quem aprende do mundo aprende, na verdade, do deus deste século, do diabo e de Satanás.

É muito importante compreendermos esta geografia divina. Deus havia dito a Israel que habitaria no templo, portanto todo lugar fora do templo seria o descampado, o mundo onde jaz o maligno. Por que é importante ter esta referência? Porque Jesus estava conversando com os judeus em oposição a estes. Jesus é a porta dos céus, o caminho que conduz a Deus. Os judeus não conheciam nem esta porta, nem este caminho. Então pergunte a si mesmo: – De onde os judeus aprendiam? Se não era de Jesus, por óbvio aprendiam do lugar onde estavam, isto é, no mundo onde jaz o maligno. Por consequência eles aprendiam do próprio maligno, ainda que não tivessem esta consciência. Do mesmo modo todo ensino que nos chegam a mente, formam nossas convicção, se tornam a nossa crença, todo este ensino, se não proceder da Bíblia vem do maligno. Veja como Tiago distingue as fontes de onde procede nosso conhecimento: "Esta não é a sabedoria que desce lá do alto; antes, é terrena, animal e demoníaca. A sabedoria, porém, lá do alto é, primeiramente, pura; depois, pacífica, indulgente, tratável, plena de misericórdia e de bons frutos, imparcial, sem fingimento." (Tg 3.15,17). Ou a nossa sabedoria vem do alto e é pura por excelência, ou vem deste mundo e é terrena, animal e demoníaca. É preciso entender bem este ponto: ou aprendemos de Deus ou do diabo. Tudo depende de onde extraímos nosso conhecimento: ou aprendemos da Bíblia ou deste mundo; ou andamos com base nos conselhos de Deus ou deste mundo. Foi este o dilema que Jesus escancarou diante dos judeus. Eles tinham de adquirir consciência da fonte que buscavam para conduzir a vida deles. Do mesmo modo nós também temos de saber se vamos dedicar tempo para aprender de Deus ou vamos seguir o curso deste mundo. E como sabemos qual sabedoria temos seguido? Considerando nosso estilo de vida, se a Bíblia o molda ou não.

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