Comentários no Evangelho de João

Comentários em João 8.52,53

Jo 8.52

"Disseram-lhe os judeus: Agora, estamos certos de que tens demônio. Abraão morreu, e também os profetas, e tu dizes: Se alguém guardar a minha palavra, não provará a morte, eternamente." (Jo 8.52). Paulo escreveu que o homem natural não compreende as coisas de Deus porque lhes parece loucura (I Co 2.14). E esta é a condição destes judeus. Eles estão diante de Jesus Cristo, o Verbo de Deus. Eles estão diante daquele que criou os céus e a terra. Eles estão diante do Senhor da glória, do único que ouviu diretamente as palavras de Deus, o Pai e veio a este planeta para as transmitir. E o que fazem estes judeus com tudo o que ouviram? Eles desprezam Jesus e sua palavra. Eles estavam o tempo todo ouvindo para encontrar uma única frase que fosse para provar que Jesus estava errado e eles certos. Eles não estavam de modo algum disposto a ouvir a verdade porque se habituaram com a mentira. Ouvir a verdade exige mudar a mentalidade e disso eles não queriam abrir mão. É por isso que, ouvindo Jesus falar de eternidade eles rejeitaram frontalmente as palavras de Jesus. E qual argumentos eles usaram para esta insensatez? O fato de Jesus ter dito que a crença nele livra o indivíduo da morte. Nesta palavra de Jesus os judeus concluíram ser o ensino de Jesus maligno porque se Abraão morreu como pode alguém asseverar que é possível não morrer. Paulo lidou com esta mesma questão levando-o a ensinar a igreja que crente não morre, ele dorme. E por que o crente está dormindo, não morto? Pela simples razão dele estar apoiado na promessa de Jesus que ressuscitará, que a morte não é o fim, que não há condenação sobre ele. Só quem verdadeiramente crê na palavra de Jesus e aceita-a como sendo verdadeira terá uma visão diferente do evento chamado morte, distinta da maioria da humanidade que só enxerga em sua frente um cemitério cheio de lápides.

Jo 8.53

"És maior do que Abraão, o nosso pai, que morreu? Também os profetas morreram. Quem, pois, te fazes ser?" (Jo 8.53). Os judeus viam a história de Abraão e dos profetas como resultantes de legados deixados por eles. Nos dias atuais muito se tem dito sobre a importância de deixar um legado neste mundo. Por detrás desta percepção está o desejo do indivíduo de viver neste mundo de modo significativo, impactando sua geração pelo empreendimento que se propõe desenvolver. De fato somos chamados a viver significativamente. Mesmo Jesus disse que veio para trazer vida eterna e abundante. Eterna porque a vida de Deus é perpétua, jamais se extingue, abundante porque esta vida de natureza divina preenche completamente o propósito existencial que move o homem. Se tanto Jesus quanto os judeus fazem menção de legados, qual a diferença entre ambas as perspectivas? Para os judeus a morte é fim de caminho, no entanto para Deus a morte é só o início da jornada. Se para o homem natural deixar um legado significa viver na expectativa de ser lembrado por gerações, para Jesus dar fruto representa colher neste mundo benefícios que repercutirão por toda a eternidade. Se para o indivíduo aquilo que traz plena realização é fazer o que ama, para o cristão o que tem sentido é fazer a vontade de Deus. Qual é a diferença entre um e outro? Fazer o que se ama não é necessariamente executar a vontade de Deus. Isto porque quem só faz o que ama tem seu olhar voltado para dentro de si mesmo, enquanto quem busca a vontade de Deus está procurando sua própria identidade. E qual a relação entre identidade e vontade de Deus? Nossa identidade decorre de nossa filiação divina porquanto fomos criados para sermos a imagem de Deus. Por certo se nascemos para termos este relacionamento íntimo com Deus de Pai para Filho, então nada mais justo que a nutrição de nosso coração seja agradar a Deus. Portanto como filhos nos perguntamos o que Deus quer de nós e, por esta pergunta, se começa o propósito de andar com Deus.

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