Comentários no Evangelho de João

Comentários em João 8.54,55

Jo 8.54

"Respondeu Jesus: Se eu me glorifico a mim mesmo, a minha glória nada é; quem me glorifica é meu Pai, o qual vós dizeis que é vosso Deus." (Jo 8.54). Todos nós precisamos de algum tipo de reconhecimento sobre aquilo que fazemos porque fomos constituídos para sermos a imagem de Deus. É nesta perspectiva que Jesus diz ser inútil Ele proclamar sua própria glória. E por que Jesus tinha esta consciência? Porque Jesus se fez Homem. Quando Ele assumiu este papel a primeira coisa que Jesus teve de abrir mão foi de sua divindade. E por que Jesus fez isso? Porque para se tornar Homem Jesus teve de fazer a opção de se fazer servo. E por que esta é a condicionante da natureza humana? Porque Deus, ao criar o homem não só o fez a imagem de Deus como também o colocou na terra para sujeitá-la, portanto o homem é o mordomo de Deus neste planeta. Como Jesus se fez Servo, tudo que Ele fizer, na qualidade de Homem, precisa ter a aprovação divina. É por isso ser tão importante fazer a vontade de Deus. Jesus demonstrou como este relacionamento com Deus reflete em Deus glorificar o homem na terra. Jesus disse que para orar o crente deveria fazer no secreto do seu quarto para Deus o recompensar publicamente (Mt 6.6). Paulo, quando trata dos papeis exercidos pelo crente, sempre faz esta conexão: – Faça com o homem na terra como se tivesse fazendo ao Senhor nos céus. Jesus andou em seu ministério terreno com esta consciência, dai sua declaração: – O Pai é quem me glorifica. No momento mais crucial de sua vida Jesus clamou: – Meu Deus, meu Deus, por que me desamparaste? Naquele instante Jesus recebia sobre si a carga de ira divina destinada ao pecador. No entanto Deus aceitou o sacrifício de Jesus, pois ao terceiro dia Deus tirou Jesus do túmulo, glorificando-o na posição mais elevada do universo, fazendo Jesus sentar-se a destra de Deus. Ao confiar plenamente em Deus Jesus demonstrou que a obediência e submissão a vontade de Deus é o caminho para sermos exaltados por Deus.

Jo 8.55

"Entretanto, vós não o tendes conhecido; eu, porém, o conheço. Se eu disser que não o conheço, serei como vós: mentiroso; mas eu o conheço e guardo a sua palavra." (Jo 8.55). Jesus havia dito que os judeus afirmavam que o Deus de Abraão era o Deus deles, contudo Jesus contrapõe dizendo que eles não conheciam o Deus de Abraão. E, por não conhecer este Deus eles mentiram para eles mesmos. Jesus, por outro lado, não só conhecia a Deus como também guardava os mandamentos divinos. Se perguntarmos para as pessoas: – Você crê em Deus? A grande maioria vai responder incisivamente: – Sim, eu creio em Deus. Se fizermos outra pergunta em seguida a esta: – Quem é este Deus que você crê? Descreva-o. Então as respostas podem se apresentar muito estranha. Uns dizem: – Eu creio em Deus como uma força do bem; como uma energia positiva; como um duro juiz; como uma entidade superior distante e passiva; como Pai de todos, mesmo do incrédulo. Tiago coloca este tipo de crença genérica, baseada na presunção concebida pelo próprio indivíduo como sendo do mesmo tipo da crença dos espíritos caídos. Escreveu Tiago: "Crês, tu, que Deus é um só? Fazes bem. Até os demônios crêem e tremem." (Tg 2.19). O ponto nevrálgico é este: Crer em Deus é consequente, precisa necessariamente ser traduzido em mudança de atitude. Em outras palavras: individuo que verdadeiramente crê em Deus precisa andar com Deus de acordo com a lei divina. Foi esta a contraposição posta por Jesus. Ele não só cria em Deus, como guardava os seus mandamentos e, por isso, só fazia o que via Deus fazendo. Para ter este tipo de conduta é preciso conhecer Deus pessoalmente. E o ser humano só pode ter este tipo de conhecimento se Deus se revelar a si mesmo, visto Deus ser invisível aos sentidos humanos. E foi para que o homem pudesse conhecê-lo que Deus se revelou fazendo conhecido por meio da Bíblia e, no caso concreto, por meio do mistério da vida terrena de Jesus Cristo com sua consequente morte na cruz.

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