Comentários no Evangelho de João

Comentários em João 8.7-9

Jo 8.7

"Como insistissem na pergunta, Jesus se levantou e lhes disse: Aquele que dentre vós estiver sem pecado seja o primeiro que lhe atire pedra." (Jo 8.7). Jesus estava escrevendo na areia. Muito especulam o que Jesus teria escrito. Alguns dizem ser os pecados dos que ali estavam, contudo isso não condiz com o caráter da missão de Jesus. Jesus disse a Nicodemos: "Porquanto Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que julgasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele." (Jo 3.17). Portanto Jesus não escreveu nenhum pecado dos que ali estavam, antes o novo mandamento: – Ame! Como os religiosos insistiam na acusação, Jesus se levantou e disse que atirasse a pedra quem não tinha pecado algum. Jesus era o único a preencher este requisito. Ele nasceu santo porque foi concebido pelo Espírito Santo, tendo corpo preparado por Deus para receber a sua divindade esvaziada. Ainda assim Jesus não atirou pedra naquela mulher. Jesus desafiou aquele povo a jogar pedra se considerassem a si mesmo isentos de erros e pecados. É da natureza do ser humano destruir o sonho dos outros. Não é natural ao indivíduo dar palavras de ânimo e incentivo. Quando estamos envolvidos em um projeto e uma ideia é concebida, imediatamente ela é rechaçada, seja porque é considerado perda de tempo discutir o assunto; seja porque a avaliação é que o pai da ideia não tem competência para opinar; seja porque o proponente do projeto acha que sabe tudo. Neste sentido o chamado Vale do Silício tenta subverter esta ordem e ser conhecido como um ambiente de inovação. Porque eles aprenderam a suspender todo tipo de crítica, dando a cada um o direito e a oportunidade de manifestar suas ideias criativas. Quando esta oportunidade não existe, o quadro que encontramos é este: a mulher jogada no chão, acusada pelos religiosos sem misericórdia, preste a ser apedrejada por homens sem coração. Não são poucos os que se encontram neste estado, acuado, com medo, sem chance de relatar sua verdadeira história.

Jo 8.8

"E, tornando a inclinar-se, continuou a escrever no chão." (Jo 8.8). Jesus tinha escrito na areia: Ame! Voltou a escrever novamente para completar o primeiro e o segundo mandamentos: "… Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento. Este é o grande e primeiro mandamento. O segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Destes dois mandamentos dependem toda a Lei e os Profetas." (Mt 22 37-40). Esta era a atitude que Jesus esperava dos escribas e fariseus. Não só deles, mas de todos os seres humanos. E por que este foi o escrito de Jesus na areia e nenhum outro mais? Porque Deus é amor e por ser Jesus a expressa imagem de Deus. Precisamos ter firme em nossa mente a distinção entre o ministério de Moisés e de Jesus. João escreveu a este respeito no início deste evangelho: "Porque a lei foi dada por intermédio de Moisés; a graça e a verdade vieram por meio de Jesus Cristo." (Jo 1.17). São dois ministérios distintos: a lei tem por objetivo expor o pecado e conduzir o homem rendido a Deus. A graça veio para acolher o pecador e o transformar em uma nova criatura. Os religiosos estavam representando o papel da acusação, Jesus revelando o amor de Deus. Esta cena de Jesus escrevendo na areia tem passado despercebido pelos expositores da Bíblia. Grande parte dos comentaristas citam que Jesus nominou os pecados dos religiosos. No entanto o que devemos observar é que Jesus escreveu na areia com seu próprio dedo, assim como usou do seu dedo para escrever nas tábuas da lei dada por Moisés. O que difere um evento de outro é que Jesus estava inaugurando uma nova era, onde os crentes em Cristo Jesus não só seriam justificados, como também regenerados. Jesus estava profetizando que, desde a cruz em diante, os corações de pedra dos regenerados seriam substituídos por corações de carne, dai a importância de escrever na areia: – Ame como Deus ama!

Jo 8.9

"Mas, ouvindo eles esta resposta e acusados pela própria consciência, foram-se retirando um por um, a começar pelos mais velhos até aos últimos, ficando só Jesus e a mulher no meio onde estava." (Jo 8.9). Jesus tinha escrito na areia com o dedo de Deus. Ele escrevera: Ame como Deus o ama. Por certo estas palavras tocaram profundamente aqueles homens. A consciência deles fez explodir uma voz dizendo em seus pensamentos: – Estou sendo injusto com esta mulher! – A pedra que tenho na mão é, na verdade, representação do meu coração! Quantas e quantas vezes a consciência não manifesta sua posição na mente do indivíduo. E o que ele faz? Ignora sua voz interior. Se ela o conclama a buscar a Deus, ele vai no cinema. Tudo é lícito ser feito, contudo em tudo a voz da consciência dá seu parecer se é certo ser feito. O problema é que a pessoa não ouve sua consciência. Estes religiosos não sabiam fazer outra coisa senão acusar o próximo, considerando a si mesmo superior aos demais. No entanto quando era o momento de ouvir a voz da consciência, se retirava da presença de Deus para continuar sua insana vida insensível. Quão terrível é esta cena, alguém se retirar da presença do Senhor dos Senhores, do Rei dos reis, apenas porque não quer dar ouvido a voz de sua consciência e arrepender-se de seus maus caminhos. É por isso que tão pouco efeito tem a pregação acusatória, aquela que chega no indivíduo acusando-o de ser pecador, de expor as coisas sórdidas que a pessoa está fazendo. A verdadeira pregação é a que Jesus fez naquele momento: escreveu na areia. Jesus deu àqueles homens a oportunidade de pensar por si mesmo, por isso escreveu, não os acusou. Deixou-os ler os mistérios de Deus para saber qual decisão eles tomariam. Como eles insistiram em condenar a mulher, então Jesus lhes deu o único critério que os permitiriam atirar pedra: não terem pecado algum. Quem se habilita?

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