Comentários no Evangelho de João

Comentários em João 9.3-5

Jo 9.3

"Respondeu Jesus: Nem ele pecou, nem seus pais; mas foi para que se manifestem nele as obras de Deus." (Jo 9.3). O pecado é o caminho escolhido pelo homem para viver do seu próprio jeito. A resultante deste caminho é a morte (Rm 6.23). No entanto quando Jesus é anunciado por João Batista, os homens são advertidos: "Arrependei-vos, porque está próximo o reino dos céus." (Mt 3.2). Ao anunciar o arrependimento como linha de corte entre o império das trevas e o reino dos céus, João Batista traçou a fronteira entre a vontade dos homens e a de Deus. O reino de Deus não funciona pelas mesmas lógicas da queda do homem. E, para explicar este ponto, Jesus tomou um cego de nascença para demonstrar a grandiosidade da graça de Deus. Considere a linha história de qualquer indivíduo. Ela é formada de altos e baixos; de sucessos e fracassos; de conquistas e derrotaa; de alegrias e dor; de vitalidade e enfermidade. Dependendo do estágio que o indivíduo se encontra, ele poderá estar esperançoso ou frustrado com sua existência. Esta linha histórica segue o fluxo do plantio e da colheita; da responsabilização individual do feito humano. No entanto quando há uma interveniência do reino dos céus, esta linha histórica se torna absolutamente irrelevante. Isto porque a interveniência divina tem o sentido do céu para a terra. Por isso lemos: "E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai." (Jo 1.14). Observe que o Verbo estava inicialmente com Deus, nos céus dos céus. Então aprouve a Ele se encarnar, se fazer homem. E o que Ele trouxe consigo? A graça de Deus. Ou seja, Jesus não veio para questionar a resultante do pecado, os altos e baixos existenciais. Antes Jesus veio para reconectar o homem com Deus, para reestabelecer a aliança perdida. E quando Jesus entra na vida do indivíduo, seu contexto existencial nada mais é que o pano de fundo que dá lugar a esta entrada gloriosa.

Jo 9.4

"É necessário que façamos as obras daquele que me enviou, enquanto é dia; a noite vem, quando ninguém pode trabalhar." (Jo 9.4). As obras de Deus estão colocadas em contraste com o pecado humano. Para entender o pano de fundo do argumento de Jesus precisamos compreender a condenação que paira sobre a humanidade. A tendência do homem natural é refletir a história retirando Deus do contexto. Este olha para o mundo caído, vê o pecado se multiplicando, com ele a injustiça e clama pela manifestação da ira de Deus. No entendimento desta pessoa o pecado precisa ser levado a juizo e julgado. Todo pecador precisa pagar pelo seu pecado cometido. É certo que Deus odeia o pecado e haverá o dia do juízo final, quando todo homem prestará conta do pecado cometido, das obras realizadas e, se não tiver seu nome no livro da vida será lançado no lago de fogo e enxofre, que é a segunda morte. Ocorre que neste juízo final o propósito não é condenar o pecador, mas qualificar e quantificar a penalidade. Isto porque o homem natural já está condenado por Deus. E como sabemos disso? Por que o salário do pecado é a morte. Deus não precisa de um outro plano para sentenciar o homem porque a esta sentença foi dada no jardim do Éden: – Se comer do fruto proibido morre. Portanto o simples fato do indivíduo morrer em algum ponto de sua existência prova que Deus já colocou em execução sua sentença, já evidenciou a condenação que paira sobre a humanidade. Com isso queremos dizer que o processo de execução da penalidade já iniciou no mesmo dia da queda, pois Deus expulsou o primeiro casal do jardim do Éden. Desde aquele dia a humanidade se tornou um grande vale sobre o qual paira a sombra da morte. Com isso se Deus tem de agir, o intuito precisa ser o de salvar, porque a condenação já existe. É irrelevante o porque o cego está cego, a questão que se apresenta é: como Deus vai manifestar sua graça?

Jo 9.5

"Enquanto estou no mundo, sou a luz do mundo." (Jo 9.5). Como podemos entender o conceito entre luz e trevas? Considere dois planos: o divino e o humano. Quanto ao mundo natural, o ser humano perpetua a raça por procriação. Os livros de história conta esta saga destacando os líderes que foram relevantes para a sua geração. No mundo antigo temos, por exemplo, Alexandre, o Grande; na história recente Napoleão Bonaparte. Estes são dois líderes conquistadores que empreenderam guerra, conquistaram territórios, experimentaram o ocaso e, depois deles, a história continuou com outros personagens. Não se tem conhecimento que estes homens agiram por orientação divina, como foi o caso do rei Davi e do apóstolo Pedro. Os personagens bíblicos fizeram questão de ressaltar que o sucesso do empreendimento deles se deve a interveniência divina na vida deles. Isto significa que temos líderes que agiram por sua própria conta, outros que assumiram ser Deus a fonte de instrução para suas conquistas. Quando colocamos os personagens bíblicos em evidência, encontramos, como pano de fundo que permeia a ação deles o propósito divino de preparar a história para a vinda de Jesus e o próprio nascimento de Jesus Cristo como consumação de todas as profecias. Com isso fica demonstrado que Deus se revelou ao homem por meio do seu Filho unigênito. Portanto Jesus é a referência divina entre os humanos. Ele veio comunicar ao mundo visível e sensorial as realidades invisíveis. Jesus veio para inserir a existência em um plano extremamente elevado à medida que anuncia não ser a morte natural o fim da trajetória do homem, mas apontar a vida eterna. Nesta perspectiva Jesus estabelece contraste entre o conhecimento natural e o espiritual. Como Deus é o ponto de referência e Deus habita na luz, por contraste tudo o mais está envolto em trevas e precisa da revelação divina para sair de seu estado de torpor. Portanto a vinda de Jesus traz consigo a revelação dos bastidores divino na história humana.

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