Comentários no Evangelho de João

Comentários em João 9.6,7

Jo 9.6

"Dito isso, cuspiu na terra e, tendo feito lodo com a saliva, aplicou-o aos olhos do cego," (Jo 9.6). Este é um procedimento estranho para um milagre. Como devemos considerar este procedimento de Jesus? Vamos primeiro qualificar quem está executando o procedimento. Jesus é o filho de Maria, mas também o Filho de Deus. Com isso queremos dizer que Jesus é pré-existente. Quando Ele intenta fazer alguma coisa seu campo de visão abrange a história na amplitude de todas as eras. Portanto quando Jesus cospe no chão para pegar um tanto de terra envolto no seu cuspe, Ele está amassando em suas mãos o barro, que é terra umedecida. Tendo toda a Bíblia como escopo de observação e sabendo que Jesus é Deus, este evento nos traz a memória a criação do homem. No Éden Deus pegou do pó da terra e esculpiu por ele o ser humano. Por analogia, quando Jesus tomou da terra misturada com cuspe Ele está reconstituindo fisicamente os olhos daquele homem. Este procedimento está em concordância com a informação que temos de ser este homem um cego de nascença (Jo 9.1), isto porque aquele homem deve ter nascido com uma deformação congênita. Este é um mal que afeta muitos bebes. "Malformações congénitas (no Brasil grafa-se congênita) podem ser definidas como "todo defeito na constituição de algum órgão ou conjunto de órgãos que determine uma anomalia morfológica estrutural presente no nascimento devido à causa genética ambiental ou mista"" (OPAS, 1984 – Wikipédia).Esta malformação é uma das consequências da queda, impondo ao organismo humano uma série de insuficiências ou deformações em alguns casos. É interessante notar que os pais, quando têm o primeiro contato com seu bebê recém nascido, a primeira coisa que procuram saber é se este nasceu perfeito. Alguns pais descobrem, por exemplo, depois de algum tempo, que seus filhos nasceram com a síndrome de Down, que é " distúrbio genético causado quando uma divisão celular anormal resulta em material genético extra do cromossomo 21".

Jo 9.7

"dizendo-lhe: Vai, lava-te no tanque de Siloé (que quer dizer Enviado). Ele foi, lavou-se e voltou vendo." (Jo 9.7). Se o primeiro procedimento de Jesus na cura deste homem envolveu algo como a recriação dos órgãos, o segundo procedimento exigiu a remoção do emplasto colocado por Jesus. A cura de enfermidade está entre as promessas decorrente da morte de Jesus. Ele, ao ir para a cruz levou sobre si todas as nossas enfermidades (Is 53.4). Desde então Jesus pode agir, no que diz respeito a cura, de pelo menos dez modos diferentes. Neste tempo em que a enfermidade se incorpou na rotina humana, exigindo, inclusive distanciamento social para que ela não se propague, é muito importante compreender todas as opções divinas, desde não manifestar a cura, podendo levar o indivíduo a óbito, como curar por meio dos recursos da medicina ou de forma miraculosa, pela interveniência direta da parte de Deus. Podemos listar, dentre as alternativas encontradas nas escrituras:

  1. não curar uma enfermidade, mas dar graça para o indivíduo lidar com ela (II Co 12.9).
  2. Se a opção for pela cura Jesus pode:
  3. curar por Sua misericórdia (Jo 9:7);
  4. curar com base na fé alheia (Mc 2:5);
  5. curar baseado na fé do próprio enfermo (Mc 5:28);
  6. curar pelos dons de cura (I Co 12:9);
  7. curar com base na imposição de mãos (Mc 16:18);
  8. curar a despeito de nossa incredulidade se tão somente viermos a crer (Mc 9:24);
  9. curar antes mesmo de ter desaparecido os sintomas da enfermidade (Mc 8:23-25);
  10. curar usando medicamentos e cuidados médicos (I Tm 5.23);
  11. curar baseado na fé de convicção, do tipo que pede e crê firmemente que a cura foi recebida, independente de qualquer situação (Tg 1:6).

É por causa da grande variedade de opções que existem, como no caso das enfermidades que Paulo instrui: “Por isso, não sejais insensatos, mas entendei qual seja a vontade do Senhor.” (Ef 5:17).

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