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Como adquirir o verdadeiro conhecimento espiritual (2)

Ora, nós não temos recebido o espírito do mundo, e sim o Espírito que vem de Deus, para que conheçamos o que por Deus nos foi dado gratuitamente. Disto também falamos, não em palavras ensinadas pela sabedoria humana, mas ensinadas pelo Espírito, conferindo coisas espirituais com espirituais. Ora, o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, porque lhe são loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente. (I Co 2.12-14)

que aprendem sempre e jamais podem chegar ao conhecimento da verdade. (II Tm 3.7)

Caro amigo! Dileta amiga! Neste texto vamos tratar em como adquirir conhecimento espiritual. Escrevi outro texto com o título: “Como adquirir o verdadeiro conhecimento espiritual”. Nele fiz referência ao modo como adquirimos aprendizado no mundo secular. Eis o que foi escrito:

Aprender segundo Cristo exige habilidades especiais. A tendência de muitos é comparar o aprendizado da palavra de Deus com os bancos escolares. Como se dá este ensino? Você se matricula em uma escola, senta em uma cadeira, coloca seu caderno de anotação e Bíblia sobre a mesa e presta atenção ao que o professor diz. Faz perguntas inteligentes, manifesta sua opinião, diverge de algumas colocações, memoriza certas porções bíblicas, faz suas anotações e, depois, presume que o conhecimento adquirido já faz parte de seu domínio intelectual. Se sair da sala e encontrar-se com outros cristãos, logo abre um pequeno debate, esboça seus argumentos bem articulados, faz com que seu oponente se dê por vencido, então, dai alguns dias, nem se lembra mais qual foi o assunto daquela aula, se preparando para o próximo encontro com seu professor. Este tipo de aprendizado está muito distante de como se adquire o verdadeiro conhecimento espiritual.

Este processo acima demonstrado é da natureza do conhecimento natural, realizado de forma eminentemente cognitivo, sem necessariamente ser respaldado pela apreciação do coração. Deste modo alguém pode aprender qualquer coisa que seja sem demonstrar nenhum apreço por aquele conhecimento adquirido. Isto porque o conhecimento natural não exige necessariamente nenhum tipo de transformação interior. Em cursos de auto ajuda, contudo, já se observa uma abordagem bem próximo ao das escrituras, porquanto na proposta deste tipo de curso há uma cláusula observando que, se não houver comprometimento com a mudança comportamental, o aprendizado será inócuo.

Nós precisamos de certa dose de conhecimento cognitivo das escrituras para que possamos desenvolver o conhecimento espiritual. Isto porque dado livro das escrituras foi escrito em dado contexto, com dada finalidade. Para que possamos entender devemos realizar um estudo panorâmico da Bíblia. Minha melhor sugestão para alcançar este propósito é fazer a leitura da obra: “Estudo panorâmico da Bíblia” de Henrietta Mears. É possível adquirir este livro pela na Internet. Nesta obra temos um panorama de cada livro, com uma palavra introdutória. Em seguida é apresentado um esboço do conteúdo dividido por seus capítulos. Depois nos é dado uma visão panorâmica de seu conteúdo. Há uma parte que demonstra como Cristo se apresenta neste livro. Faz referência ao autor, terminado com um tópico intitulado “vitaminas espirituais/doses mínimas”.

O estudo panorâmico foi meu primeiro objetivo alcançado para compreender como cada parte se integra ao todo. Com este tipo de estudo adquiri perspectiva histórica, geográfica e temporal das escrituras. Por outro lado eu precisava adquirir uma habilidade especial na leitura da Bíblia, em especial, do Antigo Testamento. É o que se chama leitura cristocêntrica da Bíblia. Jesus faz referência a este tipo de leitura ao declarar: “Examinais as Escrituras, porque julgais ter nelas a vida eterna, e são elas mesmas que testificam de mim” (Jo 5.39).

Este tipo de leitura é muito mais difícil, então me impus o seguinte procedimento. Primeiro teria de conhecer um autor extremamente abalizado teologicamente para me abrir o livro. Cito alguns deles. Para ver Cristo no pentateuco li as obras de C. H. Mackintosh. Para Cantares de Salomão o autor Wim Malgo. Para o sermão do monte, Pastor Martyn Lloyd Jones, citando apenas estes. Meu procedimento para cada um deles foi o mesmo. Primeiro procurei estudar até compreender como estes homens interpretavam os livros de referência. Só depois de dominar o raciocínio deles é que eu me aventurava a pensar por mim mesmo. Assim, homens de Deus como estes me abriram cada um dos livros das escrituras na visão cristocêntrica. Com estes dois tipos de leituras adquiri perspectiva histórica, geográfica, temporal e cristocêntrica das escrituras. Chamo este aprendizado de eminentemente cognitivo, não significa necessariamente que eu esteja adquirindo conhecimento de natureza espiritual.

Eu aprendi a adquirir o aprendizado espiritual logo depois de minha conversão. Entre minha conversão e o batismo nas águas e matrícula no seminário teológico se passaram quatro anos. Neste interim não conheci nenhum cristão, minha única ajuda para aprender das escrituras era a literatura evangélica. Um dos primeiros livros que comprei neste período foi o Manancial do Deserto de Lettie Cowman. Por este livro aprendi um princípio que chamo de princípio do mana, que traduzido significa “Que é isto?”  (Ex 16.15) . O principio funciona deste modo: para cada dia ou período o Senhor nos envia uma dada palavra, que é nosso alimento. Ou comemos ou perdemos. Se nos recusarmos a comer, o mana para o dia seguinte não nos vêm, porque interrompemos o processo de aprendizado. O povo de Israel tinha instrução de guardar na sexta para comer no sábado, mas nos demais dia precisavam comer do que descia do céu. Alguns tentaram guardar para o dia seguinte, porção esta que se estragou (Ex 16.20). É daqui que extraio o princípio que se não nos alimentarmos com ele, mas guardarmos, este se estraga e não percebemos a chegada do próximo.

O Senhor Jesus coloca este princípio de aprendizado nos seguintes termos; “Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para a vossa alma” (Mt 11.29). Esta instrução demonstra que se não nos aproximarmos do Senhor com a evidente e eminente disposição de aprender com Ele, jamais haveremos de crescer no conhecimento espiritual. Moisés, sabedor da distinção entre o conhecimento cognitivo e espiritual, chegou a orar ao Senhor dizendo: “Ensina-nos a contar os nossos dias, para que alcancemos coração sábio” (Sl 90.12).  Com esta palavra Moisés demonstra que nem tudo que aprendemos de modo cognitivo se transforma em ensino espiritual. Creio que aqui você deve estar me perguntando: – mas o que é este conhecimento espiritual e em que ele difere do conhecimento cognitivo? Deixemos Jesus responder:

Se alguém quiser fazer a vontade dele, conhecerá a respeito da doutrina, se ela é de Deus ou se eu falo por mim mesmo. (Jo 7.17)

O conhecimento espiritual é adquirido quando associamos ao conhecimento cognitivo a realização da vontade de Deus conforme a proposta deste mesmo conhecimento cognitivo. Ou seja, o conhecimento espiritual é adquirido quando o nosso coração move em consonância com a nossa mente, tudo em uma mesma direção. Cada vez que esta conexão se realiza ela é chamada de transformação. Paulo faz menção deste processo nestes termos:

Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, que apresenteis o vosso corpo por sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional. E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus. (Rm 12.1,2)

Aqui Paulo nos dá uma receita de como podemos adquirir conhecimento espiritual. Primeiro ele é fruto do culto racional, que é adquirido no que chamei de conhecimento cognitivo. Depois, com as escritura aberta, desenvolvemos o conhecimento espiritual. Este se dá por um não conformismo com este mundo, mudança da nossa forma de pensar e, neste interim, fazendo a vontade de Deus a experimentamos como algo bom, agradável e perfeito.

Um dos modos de fazer isso é pelo processo comparativo, pois o Espírito Santo ensina comparando coisas espirituais com espirituais. Neste aspecto sempre digo o seguinte: – a coisa material mais espiritual que existe é a Bíblia, o livro que é a palavra de Deus. A segunda coisa material mais espiritual que existe somos nós mesmos, templo do Espirito Santo. Assim, aprendemos do Espirito Santo quando comparamos a história dos homens de Deus com a nossa própria história. Como faço isso? Leia:

Em paz me deito e logo pego no sono, porque, SENHOR, só tu me fazes repousar seguro. (Sl 4.8)

Como li este texto para adquirir conhecimento espiritual? Primeiro quando leio um texto como este, faço o seguinte raciocínio: – aqui está o salmista dizendo que dorme em paz por sentir-se seguro nas mãos de Deus. Mas quem escreve é o salmista, não sou eu, portanto eu tenho de perguntar a mim mesmo: – eu durmo do mesmo modo do salmista? Então preciso fazer uma avaliação séria do meu comportamento no sono, caso contrario posso facilmente responder que sim, pensar dormir este tipo de sono e de modo algum ser uma verdade em minha vida.

Para fazer esta avaliação eu fiz o seguinte raciocínio: – eu me converti aos 18 anos. Como dormia antes e depois? Antes dos 18 anos, portanto como homem natural, dormia muito bem, jamais perdendo uma noite de sono. Depois de minha conversão continuei dormindo muito bem, jamais perdendo uma noite de sono. Ora, se fazia isso antes e depois, não tenho nenhuma prova que o fato de dormir bem, me faz dormir o sono de quem está seguro nas mãos do Senhor. Por conclusão toda vez que lia este texto, dizia a mesma coisa a mim mesmo: – o salmista dorme seguro nas mãos do Senhor, quanto a mim, não sei, pois nunca notei uma diferença em minhas noites de sono. Durmo hoje como dormia antes de me converter.

Assim li este texto dos 18 anos até os 36 anos. Com 37 anos fui ministrar em uma igreja, antes de ministrar, abri a Bíblia ao meio, esperando pela instrução do pastor, quando li no ponto onde abri:

E detrás das portas e das ombreiras pões os teus memoriais; porque a outros, mais do que a mim, te descobres, e sobes, e alargas a tua cama, e fazes concerto com eles; amas a sua cama, onde quer que a vês (Is 57.8)

Pela iniquidade da sua avareza, me indignei e os feri; escondi-me e indignei-me; mas, rebeldes, seguiram o caminho do seu coração. (Is 57.17)

Entendi por estes dois textos que minha cama era um ídolo e que o pecado que eu cometia por transformar a cama em ídolo era de avareza. Fui buscar o significado de avareza, pois sabia que era apego a coisas materiais, mas descobri que também era esganação, que significa, por sua vez, sufocação na garganta. Por uma série de experiências pessoais lembrei que o sono surgia em situações de riscos, como por exemplo, iniciar uma viagem e já ter sono. Então me lembrei de uma fala de minha mãe: – se quiser ter boa saúde, durma bem. E foi nesta fala que a cama virou meu ídolo, pois tinha nela uma fonte de saúde, quando a verdadeira fonte de vida é o Senhor. Me arrependi e, desde aquele dia, se estou preocupado, perco o sono, já tendo ficado noites inteiras sem dormir. Agora sou normal, para dormir bem preciso confiar no Senhor. Eis um conhecimento espiritual adquirido baseado na interação entre o que li nas escrituras e em com o apliquei em minha vida. Creio que esta experiência poderá nortear seu entendimento em como adquirir conhecimento espiritual.

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