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Como adquirir o verdadeiro conhecimento espiritual (3)

Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para a vossa alma. (Mt 11.29)

Caro amigo! Dileta amiga! Tenho dado foco sobre como adquirir o verdadeiro conhecimento espiritual. Tenho feito distinção entre o conhecimento cognitivo e o espiritual. Tenho dito que o cognitivo envolve dois níveis de leitura da Bíblia, o primeiro de conteúdo histórico, geográfico e temporal, o segundo, por meio de uma abordagem cristocêntrica das escrituras.  O terceiro tipo de leitura é aquela que produz conhecimento espiritual. Este conhecimento se realiza sempre que conhecemos a palavra e, por meio deste conhecimento, somos transformados pelo poder de Deus.

Os dois primeiros tipos que geram conhecimento cognitivo, se assemelha em muito, com o que se aprende em bancos escolares. Já o conhecimento espiritual exige grande dependência do Espírito Santo. A questão é como fazemos isso de forma prática. Tenho compartilhado no texto Como adquirir o verdadeiro conhecimento espiritual (2). Agora quero avançar um pouco mais neste particular.

Eu me converti aos 18 anos. Só fui conhecer o primeiro cristão pessoalmente aos 23 anos. Neste interim, fiquei o primeiro ano de minha conversão sem saber que havia nascido de novo, depois, após uma experiência traumática, resolvi que gastaria os próximos três anos de minha vida em buscar conhecer a Bíblia até aprender a andar com Deus.

Por este tempo eu passei a ter uma dúvida terrível. Sabia que o meio evangélico era pulverizado por uma grande variedade de igrejas, com diferentes doutrinas e estilo de culto. Como eu poderia saber qual seria a verdadeira igreja por meio da qual eu deveria pedir para ser batizado nas águas e, assim, me tornar membro desta igreja local? Lembro que um dia eu me determinei escolher uma igreja evangélica para congregar. Dirigi-me a dada igreja, entrei, havia muita gente reunida e prestei atenção ao que acontecia naquele local. Em dado momento o dirigente disse que aquele culto era interdenominacional. Havia gente dos mais diferentes ramos evangélicos. Então disse a mim mesmo, consultando a Deus: – como posso escolher uma igreja se encontro neste lugar dos mais diferentes ramos evangélicos?

Sai daquele culto frustrado e decidido a não mais procurar uma igreja evangélica até saber como fazer. O tempo passou, então o Espirito de Deus resolveu me convencer a fazer um seminário teológico sendo que eu nem membro de uma igreja era. Depois de muito relutar resolvi me dirigir a dado seminário teológico. Disse ao diretor que gostaria de ser aluno naquele lugar, sem saber como isso seria possível, pois eu não era evangélico. Fizeram diversas reuniões e decidiram por me aceitar como aluno em um período experimental de seis meses até que eu escolhesse uma igreja evangélica.

Passado alguns dias tomei a decisão que seria batizado em uma das igrejas da mesma denominação daquele seminário. Então no dia 5 de fevereiro de 1984 fui batizado na igreja Batista, da Convenção Batista Brasileira e no dia 15 de fevereiro do mesmo ano me matriculei no Seminário Batista Ana Wollerman, vindo a concluir o curso de bacharel em Teologia em três anos.

Então tenho o seguinte tempo decorrido após minha conversão até findo o seminário: um ano sem saber sequer que eu tinha nascido de novo, três anos de estudo pessoal das escrituras até aprender a andar com Deus e mais três anos de aprendizado em um seminário teológico. No período que estudei a bíblia sozinho, os primeiros três anos, fiz toda a formação básica e teológica, no seminário Batista refinei este conhecimento adquirido nestes três anos, de modo que posso dizer como o apóstolo Paulo:

Quando, porém, ao que me separou antes de eu nascer e me chamou pela sua graça, aprouve revelar seu Filho em mim, para que eu o pregasse entre os gentios, sem detença, não consultei carne e sangue, nem subi a Jerusalém para os que já eram apóstolos antes de mim, mas parti para as regiões da Arábia e voltei, outra vez, para Damasco. Decorridos três anos, então, subi a Jerusalém para avistar-me com Cefas e permaneci com ele quinze dias; (Gl 1.15-18)

Observe que Paulo, após sua conversão passou três anos nas regiões da Arábia, antes de se encontrar com os apóstolos em Jerusalém. Passei por uma jornada equivalente, aprendi as escrituras bem antes de encontrar-me com os pastores em suas igrejas.

Nestes três primeiros anos eu tinha de buscar literatura cristã abalizada. Então coloquei um critério para mim para este tempo: evitaria os autores brasileiros, os autores contemporâneos, dando prioridade para os homens de Deus do século XIX para trás. Dos autores contemporâneo, teria de buscar os mais abalizados teologicamente, mas como faria se não os conhecia?

Tenho dito que nestes três anos busquei aprender a andar com Deus. E só é possível andar com Deus se o fizermos em total dependência do Espírito Santo. Portanto, meu aprendizado se dava nas condicionantes proposta por Jesus quando Ele diz que devemos ir até Ele para aprender dEle. Para mim palavras trazem consigo seu próprio sentido. Se o Senhor me chama a aprender com Ele, então tenho de saber quem sou eu e quem Ele é. Jesus é o Senhor ressurreto que está assentado a destra de Deus. Eu estou aqui na terra, sendo habitação do Espírito Santo, que foi enviado pelo Senhor para me ensinar acerca do Senhor. Então eu não posso simplesmente tomar decisões de aprender isto ou aquilo sem submeter-me a orientação do Espirito Santo.

Agora você deve me perguntar: – Como você fazia para ter direção do Espírito para saber que Ele o dirigia a este ou aquele livro? Este ou aquele autor? Talvez você pense que eu esperava ouvir a voz de Deus de forma clara e audível nos meus ouvidos dizendo: – leia este livro, leia aquele. Na verdade andar com Deus é bem mais complicado que isso. E por que digo ser complicado? Deus, quando quis falar com Balaão usou uma jumenta antes do Anjo do Senhor se pronunciar. Ora, se Deus usa de um animal, eu tinha de estar atento a qualquer forma de manifestação que pudesse me orientar.

Como exemplo do modo como isso se deu, eu morava em Dourados.MS. Certa feita fui a Campo Grande.MS e, em dada rua, achei uma livraria evangélica. Então entendi que ali estava uma fonte de conhecimento que eu devia aproveitar. Creio que em um ano devo ter comprado mais de 100 livros de conteúdo devocional, teológico e de experiências de vida, principalmente da editora Betânia, Vida e Vida Nova. Imergindo neste mundo literário fui aprendendo de Deus com servos de Deus. Tenho comigo que o Senhor não vai me ensinar pessoalmente se eu me recuso a aprender daqueles que o Senhor já ensinou muito antes de mim.

Agora vamos aos livros comprados. Eu tinha um ritmo próprio de aprendizado e de avaliação deste crescimento, que o chamo de conhecimento espiritual adquirido. Para ser transformado pelo poder de Deus tinha de reprocessar minha mente a luz da palavra de Deus. Muitas vezes começava um dado estudo e, neste interim, havia comprado dado livro. Contudo não sentia de ler o livro, ficava encostado, prosseguindo meus estudos. Então sentia o desejo de ler aquele livro comprado. Ao ler, percebia que seu conteúdo trazia entendimento a uma experiência que eu havia passado entre a compra do livro e sua leitura, que se tivesse lido antes desta experiência, teria perdido muito do seu conteúdo. Então sentia por este critério que o Senhor me orientava os tempos de leitura para melhor aproveitamento. Isto é um modo de estar dependente do Senhor, visto que não transformava o desejo de ler dado livro como uma obsessão que devia ser atendida a qualquer custo.

Aqui um importante critério para aprender a andar com Deus. Geralmente só sabemos o que o Senhor está fazendo conosco quando olhamos para trás e reprocessamos a experiência que passamos. É por esta razão que enfatizei que li o livro e entendi algo em função de um fato já acontecido. Aprendi este critério com Moisés, pois quando pediu para ver a glória de Deus, o Senhor falou que isto só era possível de costas, nunca de frente. A razão é bem simples, de costas é passado e, mesmo contando desde o dia em que Deus criou os céus e a terra até os dias de Moisés, o tempo era finito, mas de frente impossível, pois o Senhor é de eternidade a eternidade. Para aprender de Deus com perspectiva futura só se tivermos corpos incorruptíveis e, mesmo assim, necessitaremos de toda eternidade futura. Aliás esta é a definição de vida eterna;

E a vida eterna é esta: que te conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste. (Jo 17.3)

E, por esta afirmação de Jesus, temos de convir que a essência da natureza crista é sua disposição de aprender de Deus sendo transformado pelo poder de Deus na imagem de Cristo. Qualquer cristão que faça uma avaliação de si mesmo e perceba que sua vida é igual ao que era, este está como o povo de Deus no deserto, vagando por 40 anos sem crescer no conhecimento de Deus, obrigados a morrer no sol escaldante porque decidira para si que nasceu daquele jeito, ia morrer do mesmo jeito.

Finalizo com uma das mais extraordinárias mudanças que passei em toda minha experiência cristã para demonstrar quão profunda pode ser as transformações do Senhor. Eu era secretario municipal. Faltavam três meses para terminar aquela gestão. Eu não sabia o que faria profissionalmente depois. Então consultei ao Senhor, ao que li:

Eis que farei de ti um trilho cortante e novo, armado de lâminas duplas; os montes trilharás, e moerás, e os outeiros reduzirás a palha. (Is 41.15)

Lendo este texto pensei comigo, falando com o Senhor: – eu acho que não tenho com ser um trilho novo. Já nasci de novo, já passei por toda sorte de cura interior, não identificando nenhuma página de minha vida que tenha medo de abrir e olhar para dentro dela. Mas se o Senhor acha que ainda assim é possível me fazer algo novo, quem sou eu para contestar.

O tempo passou, a gestão terminou. Eu então estava com 36 anos, me convertera aos 18 anos. Era fevereiro de 1997. Andava eu na rua quando ouvi a primeira pergunta:

– Onde você esteve sentado nos últimos três anos?

Pensei comigo: – Fácil responder, na sala tal, em dada cadeira, diante de uma mesa.  Me veio a segunda pergunta:

– Quem esteve sentado antes de você naquele lugar?

Pensei comigo: – Fácil responder. Esta sala sempre foi a sala do secretario municipal de planejamento. Basta ir até a Procuradoria do Município, buscar todas as portarias e saberia quem sentou ali até a data em que o lugar se tornou Município. Foi quando me lembrei de algo que me fez recusar saber da terceira pergunta. Lembrei-me que meu pai fora secretario geral da prefeitura por volta de 1967. Mas veio a terceira pergunta:

– Você quer ser a imagem de seu pai ou minha imagem conforme minha semelhança?

 Então percebi como fora minha jornada por aqueles três anos e, por toda minha vida, pela admiração que eu nutria por meu pai, queria fazer tudo como ele fazia. Então em cada situação que em encontrava me perguntava: – se meu pai estivesse no meu lugar, o que faria. O problema de adotar este tipo de critério é  que é até possível saber como meu pai faria, contudo, na hora de implementar a solução, não saberia o passo a passo,  assim o resultado seria pífio. É como encher uma Bixiga furada. Por mais que você sopre, não consegue enchê-la. Então declarei ao Senhor: – Quero ser a Tua imagem, não a do meu pai.

Feito esta oração olhei para trás e percebi que tinha perdido 36 anos de vida. Não ficou nada de pé, porquanto tudo fora feito sob esta pergunta, buscando imitar meu pai. Olhei para frente e não sabia quem eu era. Contudo adquiri ao responder a Deus uma certeza. Eu não sabia quem eu era, mas sabia quem eu não era, não era meu pai. Portanto, tudo que eu viesse a ser diferente do que era, era a nova personalidade que Deus estava moldando em mim. Hoje vivo com esta certeza incerta. Sei quem não sou, mas o que sou vai se formando dia a dia diante de meus olhos, pois minha única certeza é que tenho de aprender de Jesus.

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