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Como adquirir o verdadeiro conhecimento espiritual (4)

Respondendo Simão Pedro, disse: Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo. Então, Jesus lhe afirmou: Bem-aventurado és, Simão Barjonas, porque não foi carne e sangue que to revelaram, mas meu Pai, que está nos céus. (Mt 16.16,17)

Caro amigo! Dileta amiga! Ao desenvolver a temática do conhecimento espiritual, fiz uma distinção entre este e o conhecimento cognitivo. Por certo quem leu com atenção os textos que tenho postado sobre o assunto deve estar me questionando como posso declarar que conhecer a Bíblia do ponto de vista histórico, geográfico, temporal e cristocêntrico pode se enquadrar em um conhecimento eminentemente cognitivo? Não é a Bíblia a revelação de Deus para o homem? Estudar a Bíblia não é estar em contado direto com a revelação? Afinal de contas, como a revelação influencia o conhecimento cognitivo?

Antes de entrar no mérito da revelação na aquisição do conhecimento cognitivo, permita-me lembrar de uma assertiva do apóstolo Paulo: “Ainda que eu tenha o dom de profetizar e conheça todos os mistérios e toda a ciência; ainda que eu tenha tamanha fé, a ponto de transportar montes, se não tiver amor, nada serei” (I Co 13.2). Nosso conhecimento é aferido pelo amor que desenvolvemos, mesmo porque Deus é amor e se estamos estudando a palavra de Deus, que é uma revelação, estamos face a face com o amor de Deus e por este amor temos de ser influenciados. Como a oposição ao amor é o orgulho e como temos a necessidade do aprendizado como inerente ao ser cristão, visto termos de aprender de Cristo, então é incoerente aprender sem estar calçado com as sandálias da humildade.

Para entender o papel da revelação no conhecimento cognitivo, vamos entender o seguinte: a Bíblia é a palavra de Deus, revelação de Deus dada ao homem. Isto é fato. A apropriação, contudo, deste conhecimento depende também da revelação divina. Observe que Jesus questiona aos discípulos querendo saber o que pensa o povo acerca dele. Ao que responderam: “Uns dizem: João Batista; outros: Elias; e outros: Jeremias ou algum dos profetas” (Mt 16.14). Então Jesus pergunta diretamente a eles, de forma extremamente enfática: “Mas vós, continuou ele, quem dizeis que eu sou?” (Mt 16.15).

Todos nós temos de dar resposta a esta questão. Pedro adiantou e disse: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo” (Mt 16.16). Todo aquele que crê em Jesus Cristo e o recebe como seu Senhor e Salvador, o fez porque recebeu esta mesma revelação de Pedro, como Jesus mesmo enfatizou: “Bem-aventurado és, Simão Barjonas, porque não foi carne e sangue que to revelaram, mas meu Pai, que está nos céus” (Mt 16.17). Assim, todos nós, nascido de novo, temos basicamente a mesma revelação acerca de quem é Jesus, Ele é o Salvador, o Cristo, Ele é o Filho do Deus vivo. Isto porque “ninguém pode dizer: Senhor Jesus!, senão pelo Espírito Santo” (I Co 12.3).

Com isso quero dizer que quando adquirimos conhecimento cognitivo histórico, geográfico, temporal e cristocêntrico, estamos em certa medida também reconhecendo e apreendendo a revelação. Devemos aqui observar que a revelação é um descortinar da iluminação divina sobre o cognitivo do homem, quando ele apreende a verdade com profundidade, clareza e largueza. Se esta revelação era dada aos discípulos, por outro lado não era de conhecimento do povo, pois cada um tinha sua própria opinião de quem era Jesus. Como entender a distinção que se processa então entre o conhecimento cognitivo e a revelação?

Jesus se apresentou a Si mesmo como sendo a Verdade e a palavra de Deus é a verdade. Portanto nosso parâmetro de aprendizado é a verdade e este deve ser nosso compromisso ao buscar aprender da Bíblia. Quando nós nos arvoramos de certas doutrinas e a defendemos a ferro e fogo sem o compromisso em buscar tão somente a verdade, podemos facilmente nos deixar dominar pelo aprendizado cognitivo, sem fazer mais nenhuma avaliação se o que temos de conhecimento de fato é a verdade. Este é um aspecto muito comum entre os denominacionais.

Muitas igrejas são reunidas em denominações. As mais antigas e bem estruturadas em seu conjunto de doutrinas são as denominações batistas, presbiterianas, metodistas e assembleianas de Deus. Se fizermos um estudo comparativo entre as doutrinas destas denominações por certo haveremos de encontrar posições completamente divergentes. Por exemplo, os batistas afirmam que uma vez salvo, sempre salvo. Os presbiterianos que somos predestinados a salvação e os assembleianos que devemos perseverar até o fim para sermos salvos. Como entender verdades tão divergentes e ainda assim apreender a verdade?

Tive um pastor de nacionalidade americano que dizia que a verdade se assemelha a duas linhas paralelas que se encontram no infinito. Sob esta ótica, toda a Bíblia está revestida de uma única verdade, ela é a verdade, Jesus é a personificação desta verdade. Ocorre que a verdade em doutrinas de aparência divergentes precisa de um grau muito mais acurado de conhecimento da própria verdade para encontrar a convergência. Como procedo neste caso se só existe uma verdade?

Se formos estudar em cada denominação o apoio doutrinário destas grandes doutrinas, a primeira coisa que vamos observar é que todas elas têm amplo respaldo bíblico.  Aqui então a primeira lição. Para apreender a verdade de cada uma destas denominações devemos estuda-las como se só existissem estas verdades. Devemos estudar ao ponto de se tornar como o melhor dos especialistas de cada uma destas denominações. Somente depois de termos o domínio de cada uma destas doutrinas de aparência divergentes é que devemos começar um estudo comparativo, crendo que em algum ponto a verdade se fará convergente. Isto não é coisa para poucos dias, seria necessários anos de estudos em cada uma da doutrinas, depois anos de estudos comparativos, depois muita reflexão nas escrituras para encontrar a verdade convergente. Paulo faz menção desta necessidade de convergência nos seguintes termos:

Rogo-vos, irmãos, pelo nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que faleis todos a mesma coisa e que não haja entre vós divisões; antes, sejais inteiramente unidos, na mesma disposição mental e no mesmo parecer. (I Co 1.10)

Este mesmo parecer só é possível quando há convergência de todos na mesma palavra de Deus, pois Paulo adverte a igreja:

esforçando-vos diligentemente por preservar a unidade do Espírito no vínculo da paz; há somente um corpo e um Espírito, como também fostes chamados numa só esperança da vossa vocação; há um só Senhor, uma só fé, um só batismo; um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, age por meio de todos e está em todos. (Ef 4.3-6)

Tendo por compromisso buscar a verdade nos estudos cognitivos, este foi meu procedimento para encontrar a convergência da verdade entre as três doutrinas, da predestinação, da certeza da salvação e da perseverança. Crendo haver uma verdade convergente, procurei primeiro aprender cada uma das doutrinas e seus propósitos para só então fazer o estudo comparativo e concluir pela verdade convergente. Esta é a razão porque já fui membro da igreja Batista, da Igreja Assembléia de Deus e atualmente sou membro da Igreja Presbiteriana Independente. Ademais nunca tive problema de ministrar em nenhuma destas igrejas porque nunca fiz uma inversão de doutrina entre elas querendo provar que há uma convergência. Eu tenho a convergência, mas respeito os limites doutrinários de cada uma destas denominações, pois estes limites são sua proteção e é o que lhes dão identidade.

Por ter a verdade como parâmetro de estudo eu tenho como guia a seguinte diretriz: “Porque nada podemos contra a verdade, senão em favor da própria verdade” (II Co 13.8). A verdade não precisa de prova em si mesmo, ela subsiste em qualquer condição. Agora estudar a Bíblia à partir da verdade não é tarefa fácil porque a única certeza que passamos a ter é que se alguém precisa mudar de opinião, este alguém somos nós. De nada adianta eu me agarrar a uma pretensa verdade a ferro e fogo se o que estou segurando não é a verdade Aqui uma orientação.

Eu tenho comigo que a Bíblia tem dois tipos de verdade. Entenda, a Bíblia é a verdade, portanto ela só tem uma verdade, que é a verdade. Mas dentro da verdade há dois tipos de verdade. A verdade conhecida, claramente percebida e a verdade desconhecida, que exige muito preparo cognitivo e de revelação para compreender esta verdade. Vou demonstrar isso no estudo das duas verdades denominacionais: uma vez salvo, sempre salvo e da necessidade de perseverar para ser salvo. Digamos que eu consiga crer, ter revelação e estar certo que é preciso perseverar para ser salvo. Então esta é  minha verdade conhecida. Agora vou estudar a outra verdade: uma vez salvo, sempre salvo. Ocorre que toda vez que eu bandear para o outro lado, perco minha convicção, então é preferível que eu volte para a verdade conhecida até me estabilizar para então tentar novamente aprender a verdade desconhecida.

Com isso criei uma regra para mim mesmo. Se eu tenho uma verdade conhecida, me apoio nela e só vou para outra verdade quando as duas coexistirem pacificamente, senão permaneço sobre a verdade conhecida. Vou dar um exemplo disso em uma situação mais simples, o confessar.

Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça. (I Jo 1.9)

Está alguém entre vós doente? Chame os presbíteros da igreja, e estes façam oração sobre ele, ungindo-o com óleo, em nome do Senhor. E a oração da fé salvará o enfermo, e o Senhor o levantará; e, se houver cometido pecados, ser-lhe-ão perdoados. (Tg 5.14,15)

No primeiro texto diz que se eu confessar a Deus serei perdoado. No seguindo diz que se eu estiver com um presbítero e, em havendo pecado, portanto devo ter dito a ele ou a ele confessado, será perdoado. Dai surge a questão: devemos confessar nossos pecados só a Deus ou é necessário também aos homens. Se há dúvida, melhor ficar com a regra mais clara e geral: uma vez confessado o pecado a Deus, ser-nos-a perdoado. Agora compreender em que condições se dá a confissão dos pecados aos presbíteros para ser perdoados demanda mais estudos  e compreensão da natureza humana. Então aqui faço a distinção entre o que é uma verdade conhecida daquela que ainda nos é encoberta. Agora, é importante entender algo. Leia este texto:

As coisas encobertas pertencem ao SENHOR, nosso Deus, porém as reveladas nos pertencem, a nós e a nossos filhos, para sempre, para que cumpramos todas as palavras desta lei. (Dt 29.29)

Quando se lê este texto é preciso entender que a coisa encoberta de Deus diz respeito aquilo que nenhum homem sabe, desde que há homem na terra até o dia de hoje. Com isso quero dizer que não podemos ficar declarando que uma coisa é encoberta só porque não sabemos. Se alguma coisa está além do nosso entendimento, então devemos pesquisar em todos os livros, de todas as eras antes de declarar que Deus encobriu tal conhecimento, por isso não o entendemos. A maior parte do que achamos ser encoberto decorre de nossa preguiça em buscar o verdadeiro conhecimento.

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