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Como adquirir o verdadeiro conhecimento espiritual

Gostaria, pois, que soubésseis quão grande luta venho mantendo por vós, pelos laodicenses e por quantos não me viram face a face; para que o coração deles seja confortado e vinculado juntamente em amor, e eles tenham toda a riqueza da forte convicção do entendimento, para compreenderem plenamente o mistério de Deus, Cristo, em quem todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento estão ocultos. (Cl 2.1-3)

Caro amigo! Dileta amiga! Neste texto temos como tema de nossas considerações o mistério de Deus, que é Cristo. Antes permita-me fazer uma observação. Leia com atenção:

Todos nós sabemos que Jesus Cristo morreu por nossos pecados e ressuscitou para nossa justificação, sabemos também que agora Cristo Jesus vive em nós, sendo Cristo a esperança da glória.

Nesta sentença acima falamos de aspectos concernentes à obra de nosso Senhor e Salvador. Seu nome foi citado no texto como sendo: Jesus Cristo, Cristo Jesus e Cristo. Uma leitura menos atenta haverá de pensar que as mudanças nas ordens do nome são meras forças de expressão para dizer a mesma coisa. Contudo no Novo Testamento, principalmente nas cartas de Paulo, o modo como esta ordem nominativa se apresenta traz consigo conceitos teológicos profundos.

Deixe-me explicar. Quando lemos na Bíblia o nome ”Jesus Cristo”, esta é uma referência ao Filho de Deus que se fez homem, nascido de uma mulher virgem; que exerceu Seu ministério entre os homens e, ao final, foi preso, açoitado e morto, vindo a ressuscitar no terceiro dia. Portanto ao lermos o nome ”Jesus Cristo” no Novo Testamento, devemos considerar o contexto para perceber que é uma referência direta a Sua vida terrena.

Por outro lado quando lemos ”Cristo Jesus”, isto significa que o entorno do texto faz referência ao ”Cristo” ressurreto, que compartilha de Sua vida com todos que crêem nele, por isso no texto acima logo em seguida faço referência que ”Cristo Jesus” vive em nós. ”Jesus Cristo” não poderia viver em nós, pois ao ser assim nominado, Ele é visto como o Filho do homem em carne e osso.

Por fim, quando lemos a expressão “Cristo”, de forma isolada, é quase como fazer uma referência direta ao Espírito Santo que habita em nós. Nesta acepção “Cristo”, de forma isolada denota aquele que preenche todas as coisas, que sabe de tudo, que tem todo o poder. Seria como um sinônimo para identificar "Cristo" como Filho de Deus, como escreveu João: “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus” (Jo 1.1). Assim, quando lermos qualquer uma desta variantes precisamos estar bem atento no propósito do texto em que uma desta variantes se encontram.

Feito estas considerações podemos agora nos dedicar ao texto em epígrafe. Paulo faz uma breve explanação de seu esforço ministerial para que os crentes de Colosso pudessem conhecer o mistério de Deus, que é Cristo. Com base nesta carta, em que consistia este esforço de Paulo? Vamos fazer uma rápida navegação em seu conteúdo para levantarmos alguns destes aspectos.

Primeiro Paulo era intenso em suas orações intercessórias por aquela igreja (Cl 1.3,9,12, 2.5). Na verdade qualquer empreendimento nosso deveria começar por meio da oração. Paulo não só ministrava (Cl 1.25) como também levantava obreiros fieis e dedicados a esta obra (Cl 1.7). O zelo pelo ensino da palavra é uma característica marcante dos homens de Deus por todas as páginas das escrituras sagradas.

Paulo estava disposto a suportar o sofrimento, desde que viesse a contribuir para a ministração da palavra de Deus (Cl 1.24,29, 2.1, 4.7-9), inclusive na condição de prisioneiro do governo romano (Cl 4.10). Muitos cristãos têm a falsa noção que a verdadeira motivação para fazer a obra de Des está necessariamente atrelada ao bem estar físico, emocional, familiar e financeiro. Se há desarranjo em algumas destas condicionantes, o cristão percebe sem autoridade para ministrar. Na verdade a instabilidade de alguém ao seu redor não significa necessariamente que você precise perder seu domínio próprio, nem que isto seja impedimento para você manifestar o fruto do Espírito.

O que depreendemos aqui é que Paulo não buscava a prosperidade material como suporte para levar Cristo às pessoas, antes, mesmo passando por condições extremamente adversas, ministrava Cristo de forma fidedigna e ancorada na palavra de Deus. E em que girava as ministrações do apostolo Paulo? Para explicar a temática de Paulo, necessário se faz construirmos uma figura de linguagem para termos a dimensão de sua temática.

Se Paulo fosse um professor de natação, convidaria todos seus alunos para uma aula prática no meio da piscina, assim, quanto mais intensos e maiores fossem os movimentos, maior seria a interação de cada aluno, juntamente com o mestre, com a água em seu entorno. Assim era com Paulo, ele ministrava acerca do mistério de Deus, que é o Cristo como quem convida os seus discípulos a mergulhar na água, entrar no nível microscópio e conhecer de forma palpável a química que se forma com as moléculas H2O.

Aprender a palavra de Deus é um processo cognitivo que interage com as cordas do coração. Muitos entendem que o processo de aprendizado de teologia é fruto de intensos debates sobre as mais diferentes perspectivas. Para estes, quando percebem que estão perdendo alguma questão, asseveram seu mais eloquente argumento: – cada um pensa de um jeito, mas minha opinião é esta. Com isso derrubam qualquer oportunidade de mudar se ponto de vista, se distanciando ainda mais da verdade. Não é sem razão que Paulo escreve nesta mesma carta:

Cuidado que ninguém vos venha a enredar com sua filosofia e vãs sutilezas, conforme a tradição dos homens, conforme os rudimentos do mundo e não segundo Cristo; (Cl 2.8)

Aprender segundo Cristo exige habilidades especiais. A tendência de muitos é comparar o aprendizado da palavra de Deus com os bancos escolares. Como se dá este ensino? Você se matricula em uma escola, senta em uma cadeira, coloca seu caderno de anotação e Bíblia sobre a mesa e presta atenção ao que o professor diz. Faz perguntas inteligentes, manifesta sua opinião, diverge de algumas colocações, memoriza certas porções bíblicas, faz suas anotações e, depois, presume que o conhecimento adquirido já faz parte de seu domínio intelectual. Se sair da sala e encontrar-se com outros cristãos, logo abre um pequeno debate, esboça seus argumentos bem articulados, faz com que seu oponente se dê por vencido, então, dai alguns dias, nem se lembra mais qual foi o assunto daquela aula, se preparando para o próximo encontro com seu professor. Este tipo de aprendizado está muito distante de como se adquire o verdadeiro conhecimento espiritual.

Diferente desta forma de abordar o aprendizado da palavra de Deus, Paulo exorta os colossenses com a seguinte instrução: “tenham toda a riqueza da forte convicção do entendimento, para compreenderem plenamente o mistério de Deus, Cristo” (Cl 2.2). A questão que se nos apresenta é esta: – como podemos adquirir forte convicção do entendimento? Esta convicção não é adquirida por nossa capacidade inata de compreender assuntos difíceis, antes é resultante da interação vida da palavra de Deus com nossa capacidade de raciocinar. Lucas colocou este processo nos seguintes termos: “Crescia a palavra de Deus” (At 6.7); “a palavra do Senhor crescia e se multiplicava” (At 12.24); “a palavra do Senhor crescia e prevalecia poderosamente” (At 19.20).

Tente ler estes versos e concluir algo do tipo: – meu entendimento cresceu, meu entendimento cresceu e se multiplicou, meu entendimento cresceu e prevaleceu poderosamente sobre a palavra de Deus. Creio que você ficará, como eu fico, envergonhado com muitas conclusões que temos acerca das doutrinas da palavra de Deus. Quando de fato a palavra do Senhor prevalece, ela produz convergência de entendimento entre os irmãos, não divergências. Esta é a razão de Paulo insistir com a seguinte instrução:

Ora, como recebestes Cristo Jesus, o Senhor, assim andai nele, nele radicados, e edificados, e confirmados na fé, tal como fostes instruídos, crescendo em ações de graças. (Cl 2.6,7)

Nós poderemos comparar este tipo de aprendizado com viagem por meio do GPS. Você coloca o endereço no aparelho e, dai em diante, ele fica passando as coordenadas, por onde você vira, quanto tempo você prossegue determinado curso, quais caminhos evitar para não ficar preso em um engarrafamento e assim por diante. E como se faz isso por meio das escrituras sagradas? Leia atentamente esta instrução de Paulo em Cl 2.6,7. Ele diz que devemos andar com Cristo Jesus (note a inversão do nome, faz menção de um andar de natureza espiritual), em Cristo somos radicados, em Cristo somos edificados e em Cristo somos confirmados na fé. Portanto todo aprendizado gira em torno de Cristo Jesus e no modo como esta compreensão internaliza em nós. Em síntese o que precisamos aprender é como seguir o exemplo do próprio Senhor Jesus. Leia por você mesmo: “E o Verbo se fez carne” (Jo 1.14), isto é, o Verbo, que é a palavra de Deus, precisa se tornar carne em nós.

Se você observar este site onde posto meus textos, há uma frase na página principal com este teor: “conhecer a palavra para ser transformado pelo poder de Deus”. Eu creio firmemente e minha experiência andando com o Senhor demonstra isso, que se lermos a palavra de Deus, findo dado tempo, continuarmos com a mesma perspectiva, raciocínio e modo de vida de hoje, o que de fato estamos fazendo é impondo nossa visão de mundo na interpretação das escrituras. Por outro lado o que não estamos fazendo é permitir o Espirito Santo tratar conosco, nos moldando segundo a imagem de Cristo.

Quando aprendemos de fato a palavra de Deus, nosso amor, seja pela palavra de Deus, seja por nossos irmãos, seja pelo mundo perdido, aumenta consideravelmente, nossa experiência interior com Cristo se torna viva, transformadora e frutífera. Quem passa por este processo de fato compreende “plenamente o mistério de Deus, Cristo, em quem todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento estão ocultos” (Cl 2.3).

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