Mensagens

Como experimentar a paz de Deus que excede o entendimento

Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não vo-la dou como a dá o mundo. Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize. Ouvistes que eu vos disse: vou e volto para junto de vós. Se me amásseis, alegrar-vos-íeis de que eu vá para o Pai, pois o Pai é maior do que eu. (Jo 14.27,28)

Caro amigo! Dileta amiga! O tema de nossa conversa de hoje é a paz, mas quando falo de paz eu preciso qualificar o tipo de paz que faço referencia. Ao mencionar esta virtude tenho em mente o qualificativo dado pelo apóstolo Paulo aos filipenses. Nesta carta ele fez menção da paz que pertence a Deus, que provém de Deus e que tem sua fonte em Deus. A esta paz, que é distinta e muito específica e que se contrapõe aquela paz proveniente deste mundo, Paulo qualificou como sendo a paz de Deus que excede todo entendimento (Fl 4.7). Permita-me uma observação: este texto é um pouco mais longo que os usuais que tenho escrito, mas necessário para que você possa aprender como ter a paz que excede todo entendimento.

Geralmente, quando pensamos em ter paz, a primeira coisa que nos vêm à mente é que nós temos de fazer algo em nosso íntimo para produzir esta paz. Creio que você já passou por inúmeras tribulações, situações tão terríveis que lhe tiraram o sono, fazendo perder o controle de suas emoções e o tornando agressivo com seus entes mais próximos.

Quem já passou por crises como estas, refletindo sobre aqueles momentos de angústias e aflições, deve ter feito planos para agir diferente em outra situação similar. O roteiro que prescreve para si com o propósito de pacificar seu interior geralmente é este: em situações de irritabilidade, para domar seu gênio irado, se deve respirar fundo, controlar seus pensamentos, contar até cem, para só então tratar da tribulação que o afeta.

Todas estas disciplinas, ainda que tenham sua importância, equivalem, na verdade, a colocar a carroça na frente dos bois. Isto porque a energia para sua execução com o propósito de ter paz interior tem como motor nossa própria energia interior, razão porque esta paz nunca é alcançada. Na verdade, buscar a paz baseado em nosso esforço pessoal é o que Jesus chama de paz proveniente deste mundo, por isso é tão fluída e ineficiente. Creio então que você deve estar me perguntando: – como faço então para ter a paz de Deus que excede todo entendimento?

Permita-me trazer uma figura de linguagem. Uma carroça nunca pode andar na frente dos bois, pois é por eles puxada. Antigamente o transporte de mercadoria era feita por carros de boi. No livro de I Samuel encontramos os filisteus com um sério problema, tinha de devolver a arca da aliança a Israel. Então alguém deu uma ideia. Vamos ler atentamente como eles procederam:

Agora, pois, fazei um carro novo, tomai duas vacas com crias, sobre as quais não se pôs ainda jugo, e atai-as ao carro; seus bezerros, levá-los-eis para casa. (I Sm 6.7)

Observe que temos duas entidades para levar a arca: duas vacas e um carro ou carroça. Implementar esta logística é tão evidente que parece tolo dizer como se faz. Devemos colocar as vacas na frente da carroça, prender a carroça no cangote destes animais e conduzi-las em direção ao destino final. No caso deles, para evidenciar que a arca da aliança pertencia a Deus, prenderam duas vacas de crias, sabendo que a tendência natural destes animais seria refugar de puxar a carroça, correndo em direção aos seus bezerros. Para surpresa deles, “as vacas se encaminharam diretamente para Bete-Semes e, andando e berrando, seguiam sempre por esse mesmo caminho, sem se desviarem nem para a direita nem para a esquerda…” I Sm 6.12.

Do mesmo modo, para que possamos ter a paz que excede todo entendimento, precisamos da ação conjugada e muito bem articulada de dois seres distintos, independentes, autônomos e que atuem de forma hierárquica e conjugada. Isto porque, assim como no quadro descrito acima podemos identificar duas entidades completamente diferentes uma da outra, o par de vacas e a carroça, assim também para que possamos ter paz interior temos de ter a ação conjugada de Deus e de nós mesmos. Neste caso Deus faz o papel das vacas e nós agimos de modo equivalente ao da carroça. Tendo estas figuras de linguagem em mente, vamos dissecar como Jesus instrui o modo como podemos ter a paz que excede todo entendimento.

Para compreender a instrução do Senhor, consideremos o cenário em que ele se encontra. Aquela seria a noite em que Jesus seria preso, no dia seguinte crucificado. Ele estava reunido com seus onze discípulos, Judas o traidor já tinha se retirado para vende-lo, portanto era o momento mais íntimo entre Jesus e seus verdadeiros discípulos. Aqui uma lição de sua importância para nós: as instruções e a oração de Jesus desde o capítulo 14 de João até o 17 são exclusivas para os verdadeiros discípulos do Senhor.

Neste cenário, em dado momento, o Senhor faz uma declaração absolutamente extraordinária: – eu vos dou deixo a minha paz. Quero chamar a sua atenção para o tempo verbal da instrução. Ele não disse: – eu deixarei a minha paz, como que aguardando um evento futuro, mas que estava dando a paz naquele exato momento. E que hora fora esta? Primeiro, foi antes do derramamento do Espírito Santo, que só ocorreu em Atos dos Apóstolos, capítulo 2. Segundo, foi antes de sua ressurreição, que só aconteceria dai a dois dias. Terceiro, foi antes de sua crucificação, ocorrida no dia seguinte.

E por que é tão importante saber destas coisas? Quando eu e você pensamos nos apropriar da paz que Jesus deu, a tendência que temos é que esta paz está condicionada a algum evento. Por exemplo, alguém pode concluir que a paz só é dada a quem for batizado no Espírito Santo, mas nos situando no mesmo contexto dos discípulos, este evento ainda não ocorreu e a paz já estava dada.

Podemos pensar que esta paz só nos é dada quando nos tornamos habitação do Espírito Santo. Jesus havia, naquela mesma noite, prometido que enviaria o Consolador. Portanto esta paz é anterior, mesmo, a habitação do Espírito Santo em nós, portanto ao nosso novo nascimento. Pode parecer estranho dizer isso, pois o novo nascimento é instantâneo ao ato de receber a Jesus como Senhor e Salvador. Mas lembre-se, as vacas ficam na frente da carroça. E você me pergunta: – o que vem antes do novo nascimento? Antes da regeneração? Que evento este é tão importante e tão poderoso ao ponto de nos dar paz de Deus?

Quando recebemos Jesus como Salvador, duas coisas acontecem de imediato e de modo instantâneo: – a justificação e a regeneração. São dois eventos em um só, mas se colocados em ordem, primeiro somos justificados, então regenerados. Digamos que estas duas obras divinas em nós aconteça em milionésimo de milionésimo de milionésimo de milionésimo de segundos. Ainda assim primeiro a obra de Cristo na cruz precisa justificar nossos pecados diante de Deus, perdoando-nos, afastando de nós todos nossos pecados e cobrindo nossos pecados dos olhos de Deus por meio do poderoso sangue de Jesus Cristo derramado na cruz do calvário. Esta é a obra da morte de Jesus Cristo. Ele morreu, nós morremos. O velho homem não mais existe. Estamos perdoados, portanto, note bem, portanto, temos paz com Deus e temos a paz de Deus. Leia por você mesmo:

“Justificados, pois, mediante a fé, temos paz com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo” (Rm 5.1)

Assim como temos a moeda, cara e coroa, a justificação é um lado da moeda, feito esta parte, em seguida, no mesmo instante, de forma concomitante, somos regenerados e nos tornamos habitação do Espírito Santo. Isto é, nascemos de novo. Portanto, se traçarmos uma linha no tempo, de infinitésimos segundos, a justificação vem antes da regeneração. Assim, todos nós que recebemos a Jesus como Senhor podemos ter a mais absoluta convicção que já temos posse da paz de Deus. Isto é um fato consumado e cabal.

O Senhor Jesus. Ele declarou que temos a paz e, entendemos agora que ela está vinculada a nossa justificação, não a nossa regeneração, portanto esta paz independe de quem somos e do que fazemos, ela só exige que depositemos nossa fé em Jesus Cristo para que ele se torne nosso Senhor e Salvador. Este fato é único, ocorreu quando ouvimos a palavra de Deus, entregamos nossa vida ao Senhor e, por termos sido justificados, de imediato fomos regenerados e nascemos de novo. O fato é que, vou escrever em letras garrafais, JÁ TEMOS A PAZ DE DEUS.

Então você me pergunta: – Como posso então ter a paz de Deus comigo, uma paz que excede todo entendimento, se eu não a experimento? O que estou fazendo de errado que me impede usufruir desta paz o dia todo, por todos os dias? A resposta a esta pergunta vale milhares de horas de tratamento psicoterapêutico.

Todo erro de não experimentarmos a paz de Deus acontece em nossa mente. Nós precisamos ter clareza quem são as vacas e quem é a carroça. A paz de Deus é completamente diferente da paz do mundo. Foi o que Jesus disse em seguida: – eu não dou a paz como o mundo a dá. Para você entender o  que Jesus está dizendo, pense agora consigo sua pior tribulação, aquela que fez você perder o controle e a razão. Como você se sentiu naquele momento: tendo paz ou ira? Creio que você vai concordar comigo que o que dominou seu coração naquela hora foi a ira. Então você diz: – no dia de minha tribulação fiquei irado, não tive paz.

Este é o primeiro erro que cometemos em nossa mente. No ato em que ficamos irados, pensamos que não temos a paz de Deus. Ou seja, associamos que só podemos ter a paz de Deus em nós se nós mesmo tivermos paz interior. Este é um dos enganos que impede de experimentarmos a paz de Deus. Então você me pergunta: – Cezar, se eu estou irado, completamente descontrolado, como posso declarar que tenho a paz de Deus? Respondo de modo muito simples, dando-lhe as mesmas palavras que Jesus nos transmitiu: – eu vos dou a paz e a dou não como o mundo a dá.

O que significa esta resposta? Entenda Jesus já deu a paz, nós já a temos e isso independe se estamos irados ou não. Você me pergunta: – E o que isso significa? Que você tem a paz pela fé, ela está dada O problema neste caso é que você atrelou a paz ao seus sentimentos, você unificou as vacas com a carroça. Pense em você como a carroça e as vacas adiante. Se você estiver rodando suas rodas e, em dado momento você atolar as rodas, pode acontecer que as vacas parem de puxar a carroça. Sabe por que elas fariam isso? Por serem inteligente. Se usarem de força, quebram as rodas, então elas precisam esperar que você tome uma providência

Então o que você tem de fazer no instante em que está absolutamente irado e descontrolado? Dizer a si mesmo: – ainda que eu esteja irado, ainda que eu não possa sentir, eu tenho a paz de Deus. Eu a tenho pela fé. Foi dada por Deus e jamais me será tirada. Pense nesta hora como um dia nublado. Você poderá dizer para si mesmo: – assim como o sol brilha por sobre as nuvens, assim também a paz de Deus se faz presente mesmo que eu esteja absolutamente fora do meu controle emocional. Então você está fazendo uma declaração de fé. Está reconhecendo que Jesus disse a verdade e que, mesmo em conflito consigo mesmo, você de fato tem a paz. Pode não a sentir, mas você tem a paz de Deus no meio de sua ira.

Creio que agora você me faz observar e uma segunda pergunta. Se eu tenho esta paz de Deus e estou irado, sou obrigado a reconhecer esta paz sem usufruir nada dela? O que significa reconhecer pela fé e não experimentar? Voltemos a fala de Jesus. Talvez você esteja deixando escapar algo. Jesus não parou a conversa nesta parte. Ele inicialmente pediu para você entender que há uma distinção entre a paz de Deus e aquela proveniente do mundo. A paz de Deus independe das circunstâncias em que você vive e dos sentimentos que nutre. Ela já está dada é sua. Mas Jesus continua dizendo e isto é de suma importância para você experimentar esta paz. Disse Jesus: – “Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não vo-la dou como a dá o mundo. Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize”.

Lembra que eu falei que ter a paz de Deus é como um dia nublado. O sol está brilhando, você não vê porque as nuvens não se dissipam? O que Jesus está dizendo é mais ou menos isso: – Eu sou o sol. Você está na terra olhando para mim e não me vendo por causa das nuvens, mas ainda assim eu estou aqui com você, portanto você não perdeu a paz por causa da luz. Mas quero pedir uma coisa a você, tire as nuvens de diante do sol, dissipe as nuvens, para que você possa ver o brilho do sol.

Creio que agora você me pergunta: – Como faço para dissipar as nuvens? Se eu fizer isso, experimentarei a paz? Para entender como isso se processa, deixe-me dizer quem é quem. As nuvens são seus pensamentos, você é responsável por eles. Se você afastar os pensamentos que impedem o sol brilhar, seguramente você vai experimentar a paz que excede todo entendimento. Neste caso você não só saberá que tem a paz de Deus, como verá ela governar você. E como se dá isso?

Voltemos à instrução de Jesus neste quesito dos pensamentos. Disse o Senhor: “Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize”. Basicamente Jesus está dizendo para você: – não alimente seu medo, não deixe que o medo seja seu conselheiro. Você pode acrescentar: não alimente sua ira, seu estresse, sua tristeza, não deixe que estas coisas governem você. Assuma o comando de conduzir seus pensamentos. Leia como Paulo expõe esta verdade em duas perspectivas diferentes:

Porque, embora andando na carne, não militamos segundo a carne. Porque as armas da nossa milícia não são carnais, e sim poderosas em Deus, para destruir fortalezas, anulando nós sofismas e toda altivez que se levante contra o conhecimento de Deus, e levando cativo todo pensamento à obediência de Cristo, e estando prontos para punir toda desobediência, uma vez completa a vossa submissão. (II Co 10.4-6)

Finalmente, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é respeitável, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se alguma virtude há e se algum louvor existe, seja isso o que ocupe o vosso pensamento. (Fl 4.8)

Ambos os textos apontam para a vital necessidade que temos de refinar nossos pensamentos. Nós somos responsáveis pelo que pensamos e devemos nutrir nossa mente de coisas boas, edificantes, agradáveis, que elevam a alma. Há uma série de habilidades que devemos desenvolver para tratar com nossos pensamentos, mas vou me ater a um tipo especial de atitude que podemos tomar em situações de crises.

Nossa mente, quando está preocupada, precisa de uma resposta para poder descansar. Digamos que você tenha uma conta para pagar em três dias. Ocorre que você tem um dinheiro para receber em dois dias. Assim, você está agora no que chamo de marco zero. Como funciona seus pensamentos neste momento? Primeiro você diz para si mesmo: tenho uma conta, mas tenho uma fonte de receita, uma pela outra, estou tranquilo. Ocorre que, em seguida, você começa a pensar em um plano B. – E se a pessoa não me pagar? O que vou fazer? Dai em diante você começa a atemorizar seus pensamentos. É disso que Jesus fala ao referir que não devemos colocar medo em nossos pensamentos. Na verdade o que devemos fazer é declarar para a mente que teremos um recebimento no dia dois, estamos aguardando que isso aconteça. Toda vez que a preocupação vier, a mesma resposta deve ser dada. Chega um momento que a mente descansa naquela resposta, assim, até chegar o dia do recebimento, você conseguirá estar tranquilo, ocupando-se com outras atividades.

Agora devemos dar especial atenção ao final da instrução do Senhor. Ele diz assim: “- Ouvistes que eu vos disse: vou e volto para junto de vós”. Com isso o Senhor nos fazendo lembrar do seu retorno eminente. A qualquer instante a trombeta poderá tocar e estaremos para sempre com o Senhor. Com isso quero dizer que podemos ser arrebatados e o problema que tanto nos preocupa pode vir nunca ser resolvido. O certo é que devemos ter a perspectiva que não pertencemos a este mundo, somos apenas forasteiros e peregrinos aqui.

Finalizando, o Senhor nos fez saber que já temos a paz de Deus, ela é fruto da justificação que temos em Cristo Jesus. Esta paz não é igual a que o mundo a dá, portanto não depende de modo algum das circunstâncias em que estamos inseridos, por pior que sejam. Para experimentarmos esta paz precisamos aprender a refinar nossos pensamentos, descartando todos aqueles que não nos trazem edificação, como também devemos alimentar nossa mente com coisas boas e edificantes. Por último não podemos nos esquecer de que Jesus está voltando e, a qualquer tempo podemos ser arrebatados ao Senhor. Nós somos chamados a confiar sempre no Senhor, nem sempre vamos compreender os propósitos de Deus em nossas tribulações, assim, aprendendo a exercitar a paz de Deus haveremos de compreender que a paz excede nosso entendimento porque ela permanece conosco mesmo que estejamos em meio a maior das crises.

Comente esta mensagem. Seus comentários me ajudam a decidir sobre o que deva continuar escrevendo. Compartilhe este texto com seus amigos e amigas. Vejo você no próximo texto.